Saúde

Será que jogar Wordle (e outros jogos do género) nos torna mais inteligentes?

O quebra-cabeças espalhou-se pelos telemóveis e tornou-se num autêntico vício. Há várias versões em português.
Continua a ser divertidíssimo

O jogo desenhado pela primeira vez por um engenheiro britânico em 2013 ficou anos na gaveta. Quando Josh Wardle decidiu partilhar o passatempo com os amigos e familiares, o poder viciante do quebra-cabeças tornou-se evidente.

Daí ao domínio mundial foi um pequeno passo. O sucesso do Wordle foi de tal forma avassalador que o “The New York Times” decidiu comprá-lo ao criador original. Acontece que, pelo caminho, muitos outros haviam feito as suas versões, muitas em inglês, depois em todas as línguas possíveis e imaginárias.

Em Portugal também foram criadas versões iguais à original e até outras um pouco mais criativas e desafiantes, mas o conceito é quase sempre o mesmo. Tem seis tentativas para adivinhar a palavra do dia que tem sempre cinco letras. Em cada palavra tentada, surgem cores diferentes nos caracteres, que ficarão verdes se acertou na letra e na posição; amarela se a letra existe na palavra, mas noutra posição; e cinzenta caso não faça parte da palavra mágica.

Outro dos segredos da popularidade do jogo passa pela possibilidade de partilhar com os amigos a sua performance, sem que revele, claro, a solução. A partilha cria um painel colorido que representa as várias tentativas até à solução final. Quanto menos tentativas necessitar, melhor será — mas significa isso que é mais inteligente do que os seus amigos? Será que fazer o quebra-cabeças diário ajuda a potenciar o cérebro?

De acordo com Aaron Seits, investigador de psicologia e especialista em memória e aprendizagem, a resposta é um redondo “não”. Em entrevista à “CNN”, o norte-americano diz que a diferença está apenas no jeito para aquela tarefa específica. “Será apenas uma pessoa que se sai bem no Wordle contra outra pessoa que até nem se safa lá muito bem.”

É feita uma comparação com o Scrabble, o jogo de palavras que, ao que parece, é muito útil para melhorar o reconhecimento de palavras. Contudo, outro professor de psicologia, Penny Pexman, explica que “essa tarefa não é aplicável nem sequer uma vantagem em áreas que não sejam o Scrabble”.

“É improvável que ser muito, muito bom a jogar Wordle o torne muito melhor a fazer outra tarefa qualquer”, revela outro especialista que dedicou a sua carreira a investigar o aperfeiçoamento do cérebro.

“Algumas pessoas gostam de puzzles. E sabemos que isso não acontece necessariamente porque é inteligente, mas apenas porque o aprecia.”

Contudo, resolver estes quebra-cabeças envolvem a área do cérebro responsável pela memória visual, o que não deixa de ser uma forma de aperfeiçoar essa tarefa específica. Além de permitir a melhor manipulação da memória em curtos períodos de tempo, pode ajudar a melhorar a concentração.

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