Saúde

Síndrome de pessoa rígida: o que se sabe sobre a doença grave que afeta Céline Dion

A cantora revelou que sofre de uma patologia que está a afetar-lhe a mobilidade e as cordas vocais. A tendência é piorar.
A atriz explicou os seus sintomas.

Nos últimos anos, Céline Dion viu-se obrigada a cancelar vários concertos por motivos de saúde. Esta quinta-feira, 8 de dezembro, a cantora canadiana de 54 anos explicou finalmente o verdadeiro motivo da sua doença, que a vai obrigar a cancelar ainda mais espetáculos ao longo da carreira. A intérprete de sucessos como “My Heart Will Go On” sofre de uma doença rara: chama-se Moersch-Woltmann, ou síndrome da pessoa rígida, e afeta a sua interpretação vocal.

Segundo Ernestina Santos, neurologista no hospital Lusíadas do Porto e membro da Sociedade Portuguesa de Neurologia, este é um “distúrbio neurológico muito raro resultado de uma doença auto-imune que afeta o sistema nervoso, especificamente o cérebro e a medula espinal”, explica à NiT.

No fundo, há um ataque do organismo a si próprio, por causas desconhecidas. “O síndrome da pessoa rígida está associado aos anticorpos que atacam uma enzima denominada descarboxilase do ácido glutâmico, que impede o relaxamento normal dos músculos”, acrescenta a médica. E é isto que causa os espasmos e a rigidez dos músculos e articulações.

Moersch-Woltmann é uma doença muito rara que afeta cerca de uma pessoa por cada milhão e, sobretudo, mulheres. “Ainda não há forma de comprovar esta relação, mas acredita-se que isto pode acontecer devido a questões hormonais”. Geralmente, manifesta-se entre os 40 e 50 anos de idade.

“Nestes casos é também importante despistar a doença oncológica. Isto porque o distúrbio pode ser a resposta do organismo à presença de um tumor. É raro, mas pode estar relacionado”, sublinha a neurologista.

Os sintomas e tratamentos

O síndrome da pessoa rígida começa a manifestar-se com espasmos e rigidez muscular extrema no tronco e nos membros, podendo também afetar a lombar. Segundo a especialista em neurologia, além de muito dolorosos, estes sintomas acabam por prejudicar gravemente a mobilidade do doente.

A cantora abordou precisamente este tema no tal vídeo partilhado a sua conta de Instagram. “Os espasmos impedem-me de andar e não me permitem usar as minhas cordas vocais para cantar como costumava fazer.”  E a tendência é que, com o tempo, possa piorar. “É uma doença que de forma lenta e progressiva vai piorando, deixando os doentes cada vez com mais dores e com menor mobilidade”. E pode não ter cura.

“Como se trata de um doença autoimune tentamos tratar com imunossupressão ou imunomdelação. Mas habitualmente é uma patologia que tem uma fraca resposta aos tratamentos, o que significa que pode ser incurável”, refere a especialista em neurologia. Por isso, o passo seguinte é tentar diminuir os sintomas e garantir uma maior qualidade de vida do paciente.

“Os relaxantes musculares são, normalmente, a melhor opção para tentar tratar os sintomas”, acrescenta a neurologista do hospital Lusíadas.

Céline Dion revelou ainda que está a trabalhar intensivamente com um terapeuta de medicina desportiva todos os dias para recuperar a força e a capacidade de desempenho. “Mas tenho de admitir que tem sido uma luta”, disse na mesma mensagem.

“Sinto falta de todos vocês, de estar no palco”, terminou Dion, garantindo que o seu foco está agora na recuperação para poder voltar aos espetáculos.

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