Saúde

Sobreviveu à Covid-19 mas ainda está a voltar a aprender a andar. “Fui irresponsável”

Com 28 anos, Vanessa não usava máscara. Era jovem, achava que não seria afetada. “Aqui estou”.
O número continua a aumentar.

Foram 69 dias nos cuidados intensivos. O pior já passou. Mas Vanessa Martinez tem ainda meses pela frente para poder sair do quarto de hospital que se tornou a sua casa. “Fui uma irresponsável, andava por aí sem máscara”, conta a própria ao “El País”, a partir da cama onde está internada no Hospital Gregorio Marañón, em Madrid.

A jovem hondurenha de 28 anos foi uma das pessoas infetadas pelo novo coronavírus numa altura em que Espanha era um dos países mais afetados. Vanessa lembra-se apenas de um “cansaço infinito” quando começou a sentir com violência os sintomas, no passado dia 5 de abril. Depois, há um período em que não se recorda do que aconteceu. Sabe apenas que nos meses seguintes lhe salvaram a vida.

Internada num hospital de campanha, a sua saúde agrava-se e a 17 de abril chega ao hospital onde acabaria por ficar — um por onde passaram mais de seis mil infetados. Foi a 21 de abril que a jovem foi transferida para os cuidados intensivos. No passado dia 29 de junho, mais de dois meses depois de ter sido ligada a um ventilador, a jovem deixou pela primeira vez a unidade de cuidados intensivos.

A longa recuperação

“Mal conseguia mexer a cabeça”, recorda. Era impossível tomar banho sozinha. Nesta fase, conta ao jornal espanhol, está a fazer fisioterapia para voltar a aprender faculdades como andar, comer ou lavar os dentes. A sua respiração ainda revela dificuldades devido ao impacto da Covid-19. A recuperação, admitem os especialistas que trabalham com Vanessa, será lenta, embora já tenha momentos “gratificantes”.

Vanessa chegou a Espanha em 2015, deixando no seu país natal uma filha, com síndrome de Down. Para pagar despesas médicas da criança, viu-se obrigada a emigrar. A jovem conta que foi um misto de necessidade e de incredulidade em relação ao coronavírus que a levou a expôr-se em demasia.

Quando a pandemia chegou a Espanha, Martínez aceitou emprego como empregada de limpeza num lar de idosos. Depois passou a auxiliar de ação médica. Em Espanha, os lares foram particularmente atingidos no início da pandemia. Vanessa era jovem, achou que não seria afetada. “Não era cuidadosa, andava sem máscara. E aqui estou”.

Os números da Universidade Johns Hopkins revelam que Espanha tem mais de 288 mil casos confirmados desde o início da pandemia e mais de 28.400 mortes. Vanessa sobreviveu. No próximo dia 26 de agosto fará 29 anos. Este ano o aniversário será no hospital.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

Novos talentos

AGENDA NiT