Saúde

Startup portuguesa cria analgésico revolucionário com organismos da costa algarvia

É um medicamento não opiáceo que evita os efeitos secundários dos habitualmente utilizados.
O segredo está na costa de Vila do Bispo.

A startup portuguesa Sea4Us, sediada em Sagres, está perto de licenciar um novo analgésico não opiáceo, descoberto em organismos marinhos da costa algarvia. Este medicamento promete aliviar dores crónicas sem causar dependência ou efeitos secundários graves, já que segundo os especialistas, não afeta diretamente o cérebro.

Pedro Lima, investigador e diretor científico da Sea4Us, sublinha que este desenvolvimento representa uma alternativa aos opioides como a morfina, que embora aliviem a dor, apresentam frequentemente efeitos secundários severos.

“O que nós temos a ser desenvolvido é uma alternativa aos opioides, morfina e afins, que de facto aliviam a dor em muitos casos e outros não, mas têm efeitos secundários algumas vezes terríveis”, disse o neurofisiologista e biólogo marinho à Lusa, citado pelo “Correio da Manhã”.

A descoberta baseia-se nas propriedades únicas de organismos marinhos encontrados nas rochas da costa algarvia. A empresa, que colabora com diversas instituições de ensino e empresas na Europa, Estados Unidos e Japão, já investiu entre 1,5 a 2 milhões de euros no projeto, com o apoio de fundos públicos.

Além disso, a Sea4Us tem planos de investir em outros projetos relacionados a doenças como bexiga hiperativa, neuropatia induzida por quimioterapia e epilepsia. O processo de desenvolvimento do analgésico envolve a recolha de amostras marinhas em Sagres, com o tratamento a ser realizado nas instalações da Sea4Us — e o desenvolvimento pré-clínico a decorrer no Laboratório de Fisiologia da Universidade Nova de Lisboa.

A empresa espera, dentro de aproximadamente um ano e meio, poder licenciar o produto para uma multinacional farmacêutica. A colocação do produto no mercado pode demorar cerca de cinco anos, após a conclusão bem-sucedida dos primeiros testes clínicos em humanos.

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