Saúde

Suplemento considerado o “elixir da juventude” pode ajudar a prevenir a obesidade

É tomado em cápsulas, mas trata-se de um oxidante produzido pelo nosso organismo. Nas redes sociais não se fala de outra coisa.
Pode ser tomada em cápsulas.

Procedimentos estéticos, métodos bizarros ou mezinhas caseiras. Para algumas pessoas vale (mesmo) tudo quando se trata de retardar ao máximo os sinais da passagem do tempo. No caso das alternativas mais acessíveis e naturais, a loucura começou com o colagénio. Porem, após provada a sua pouca eficácia, foi trocado pela taurina – uma substância frequentemente encontrada em bebidas energéticas, devido às suas propriedades como energizantes e antioxidantes. Há quem já lhe chame “elixir da juventude”.

Calma, isto não quer dizer que deve começar a beber este tipo de refrigerantes diariamente, muito pelo contrário. A taurina já existe no nosso corpo. “É um aminoácido não essencial produzido pelo organismo, fundamental para o desenvolvimento e funcionamento dos órgãos”, começa por explicar Cristiana Brito, nutricionista do Hospital Lusíadas da Amadora. De forma simplificada, podemos dizer que se tratam de pequenas partículas que compõem as proteínas e são responsáveis pelo funcionamento das células do sistema imunológico, e também pela formação dos tecidos musculares e de enzimas, por exemplo.

Além de ser produzida pelo organismo, pode também ser encontrada em vários alimentos de origem animal, sobretudo na carne, peixe e lacticínios. A suplementação deste nutriente é, por isso, aconselhada a quem segue dietas vegetarianas ou vegan, que não consomem este tipo de produtos. Porém, também existem pessoas que não seguem estes regimes alimentares e que têm optado por aumentar a ingestão deste aminoácido, devido aos seus benefícios.

A taurina não é propriamente desconhecida, sobretudo na comunidade fit. Alguns desportistas já a usam como suplemento alimentar, porque ajuda a combater os radicais livres e o stress oxidativo no organismo, enquanto ajuda a construir massa muscular. A taurina promove ainda o relaxamento e melhora a qualidade do sono.

No entanto, pesquisas recentes indicam que pode ser muito importante noutros aspetos da saúde. Investigadores da Columbia University, em Nova Iorque, chegou à conclusão que a substância tem a capacidade de atrasar o envelhecimento e promover uma vida mais saudável. A investigação começou em 2012. Ao longo de 10 anos, os cientistas monitorizaram o efeito do aminoácido em ratos. Os níveis de micronutrientes aumentaram em alguns animais e outros superaram mesmo os anos de esperança média de vida da espécie.

Entretanto, os investigadores aplicaram o método a macacos e, posteriormente, avançaram com um teste em humanos. Estudaram cerca de 12 mil europeus, com mais de 60 anos e perceberam que aqueles que tomavam suplementos de taurina tinham menos propensão para desenvolver obesidade, diabetes tipo 2 e tensão alta.

A taurina pode ser o elixir da vida que nos ajuda a viver vidas mais longas e saudáveis”, resume Vijay Yadav, geneticista da Universidade de Columbia, autor do estudo publicado a 9 de junho na revista “Science”.

É produzida sobretudo no fígado, coração e retina e parece ter importantes funções no nosso corpo. Ente eles a especialista em nutrição destaca a “modulação do sistema nervoso central, da função cardiovascular e muscular”. Pode ainda ajudar a reduzir a pressão arterial elevada e a proteger as células hepáticas dos radicais livres e dos danos oxidativos das toxinas. A estimulação deste aminoácido ajuda a melhorar a memória e capacidade cognitiva, e previne doenças neurodegenerativas. É também imprescindível para a saúde dos olhos.

Os benefícios não ficam por aqui. Os investigadores da Universidade da Columbia descobriram ainda que concentrações mais baixas de taurina estavam associadas a problemas de saúde adversos, como aumento da obesidade abdominal, hipertensão, inflamação ou diabetes de tipo 2. E, determinaram ainda, que as concentrações desta substância no sangue aumentavam após o exercício físico.

Porém, tal como acontece com outros componentes produzidos pelo nosso organismo, como o colagénio — a produção de taurina diminui ao longo dos anos. “Nas pessoas, o nível de taurina aos 60 anos é apenas um terço daquele que se encontra num miúdo com cinco anos”, refere a mesma pesquisa.

Um dos muitos exemplos.

Este parece ser um dos motivos que tem levado à elevada procura por suplementos com esta substância. A oferta é vasta — e a quantidade de pessoas que louvam os efeitos destes produtos nas redes sociais também. Atualmente já encontra taurina em cápsulas em farmácias, ervanárias ou até supermercados. Uma embalagem da marca Solga, por exemplo, à venda na Naturitas custa 10,65€. Tem 50 cápsulas de 500 miligramas. Apesar de as encontrar em qualquer lado, não significa que deve tomar sem antes consultar um nutricionista ou médico, para perceber qual a quantidade diária mais indicada.

Embora os resultados obtidos sejam muito promissores, Cristiana Brito, pede cautela. “Ainda não se determinou a aplicabilidade médica e terapêutica da suplementação de taurina. Além disso, importa salientar também que as doses utilizadas no estudo foram extremamente elevadas e que condicionaram à diminuição de glóbulos brancos, o que poderá afetar a atuação do sistema imunitário.”

A toma de suplementos do género não são indicados para quem segue algum tratamento com agentes trombolíticos, anticoagulantes, antiagregantes plaquetários, e/ou salicilatos, pois pode interferir e ampliar os seus efeitos.

A taurina não é suficiente para atrasar o passar dos anos. Afinal, a fórmula comprovada para envelhecer de forma saudável e com energia, já é conhecida: requer uma dieta equilibrada, praticar exercício físico, não fumar e manter bons níveis de hidratação diária.

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