Saúde

Surto de ébola leva OMS a lançar alerta mundial

Segundo os dados mais recentes, já morreram pelo menos 91 pessoas no Congo e existem 336 casos suspeitos associados ao vírus.

O surto de ébola que está a afetar a República Democrática do Congo e o Uganda levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a avançar com uma medida rara e de máxima gravidade. No sábado, 16 de maio, a entidade declarou Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional — o segundo nível de alerta mais elevado da organização.

Segundo os dados mais recentes, já morreram pelo menos 91 pessoas no Congo e existem 336 casos suspeitos associados ao vírus. O cenário preocupa sobretudo porque o surto está ligado à variante Bundibugyo, para a qual ainda não existe qualquer vacina disponível.

Num comunicado oficial, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, explicou que o vírus “constitui uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPII), mas não preenche os critérios para uma emergência pandémica”.

Apesar do aumento de casos, a Organização Mundial de Saúde não aconselha o fecho de fronteiras. Ainda assim, deixa um aviso claro: pessoas com sintomas ou testes positivos não devem viajar. A recomendação aplica-se tanto a deslocações internacionais como internas.

Nos países onde já foram identificados casos, a entidade pede reforço imediato das triagens em fronteiras, aeroportos e principais vias de circulação. O objetivo passa por “garantir que nenhum caso suspeito passe despercebido e melhorar a qualidade das triagens através de uma melhor partilha de informações com as equipas de vigilância”.

A OMS acrescenta que “não devem ocorrer viagens internacionais de pessoas que tiveram contacto com o vírus Bundibugyo ou que apresentaram sintomas da doença , a menos que a viagem faça parte de uma evacuação médica apropriada”.

As orientações tornam-se ainda mais apertadas para casos confirmados. De acordo com a entidade, os doentes “devem ser imediatamente isolados e tratados num Centro de Tratamento da doença causada pelo vírus Bundibugyo, sem viagens nacionais ou internacionais, até que dois testes diagnósticos específicos para o vírus Bundibugyo, realizados com pelo menos 48 horas de intervalo, apresentem resultado negativo”.

Já os contactos próximos “devem ser monitorizados diariamente, com restrição de viagens nacionais e proibição de viagens internacionais até 21 dias após a exposição”. A mesma lógica aplica-se aos casos suspeitos e prováveis, que também deverão ser isolados.

Além disso, a OMS recomenda a implementação de triagem “de saída de todas as pessoas em aeroportos internacionais, portos marítimos e principais passagens terrestres, para doenças febris inexplicáveis compatíveis com possível doença pelo vírus Bundibugyo”. “Qualquer pessoa com doença compatível com o vírus Bundibugyo não deve ser autorizada a viajar, a menos que a viagem faça parte de uma evacuação médica apropriada”, conclui.

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