Saúde

Surto de varíola dos macacos: centro europeu emite as primeiras recomendações

Isolamento e inoculação com vacinas para a varíola são duas das medidas aconselhadas. Portugal tem estes medicamentos.
Portugal tem vacinas.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças Europeu (ECDC) emitiu esta quinta-feira, 19 de maio, uma nota com recomendações para travar o contágio do vírus. A entidade de saúde aconselhou os países com vacinas contra a varíola a considerar vacinar os contactos próximos de alto risco, “após uma avaliação de risco-benefício”. Até agora foram registados casos no Reino Unido, Portugal e Espanha. 

Segundo a autoridade de saúde europeia “os casos suspeitos devem ser isolados e testados e notificados imediatamente”, sendo que o organismo destaca ainda a possibilidade de se recorrer à vacina da varíola humana para travar a cadeia de contágio da varíola dos macacos.

Além destas orientações, o ECDC sugere que as instituições de saúde pública adotem medidas preventivas para aumentar a consciencialização de “indivíduos que se identificam como HSH (homens que fazem sexo com homens) ou fazem sexo casual ou que têm múltiplos parceiros sexuais”. E adianta ainda que deve ser considerado o uso de anti-virais. 

Estas recomendações surgem depois de esta quarta-feira a Direção-Geral da Saúde (DGS) ter confirmado a existência de 14 casos e mais dois a aguardar resultados e de Espanha ter confirmado sete casos com doença ativa.

Portugal adquiriu, em 2008, vacinas de primeira geração contra a varíola, que iriam fazer parte da reserva estratégica de medicamentos em Portugal. Em declarações à CNN Portugal, Luís Mendão, médico e responsável nos serviços da IPSS, o Grupo de Ativista em Tratamento (GAT), afirmou que “as vacinas que estão na reserva estão em condições de usar usadas quando necessário”. “Não faria sentido ter em reserva vacinas que não são eficazes.” Mas alerta que “tem de haver um parecer técnico” para que sejam administradas.

varíola dos macacos, como é conhecida, é uma patologia viral, geralmente transmitida pelo toque ou mordida de animais selvagens portadores do vírus Monkeypox, como macacos e roedores na África Ocidental e Central. O período de incubação da varíola dos macacos é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar entre 5 e 21 dias.

Esta doença é em muitos aspetos semelhante à varíola, erradicada em 1979 — mas menos transmissível e menos mortal. Por isso, o risco para a saúde pública é considerado baixo, mas, em alguns casos, a doença pode evoluir para sintomas mais graves, saiba como.

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