Saúde

Surto no hospital de Braga: oito doentes infetados por bactérias multirresistentes

Segundo o diretor clínico, desde o início do ano, quatro mortes “podem estar relacionadas” com estas estirpes.
Hospital já se manifestou.

Bactérias presentes na unidade cirúrgica estão a causar um surto de infeções no hospital de Braga. Esta já terá sido responsável por várias mortes durante o mês de março. Trata-se de uma estirpe multirresistente e está a afetar o bloco operatório.

O diretor clínico do hospital, Jorge Marques, admitiu ao “Diário do Minho” a existência de um surto, adiantando que há oito doentes infetados e cerca de 140 que testaram positivo à presença das bactérias. Revelou ainda que, desde o início do ano, ocorrem quatro mortes que “podem estar relacionadas” com as bactérias, mas a causa exata ainda não foi oficialmente confirmada.

Em causa está um grupo de bactérias genericamente designadas por “CRE” e que são resistentes a múltiplos antibióticos. “Durante o primeiro trimestre deste ano, registámos um aumento de incidência de bactérias resistentes aos antibióticos. Um aumento de incidência de casos é um surto. Mas esta não é propriamente uma situação de alarme geral. Tomando medidas, isto controla-se”, afirmou Jorge Marques.

Nesse sentido, o Hospital de Braga está a implementar medidas de contenção, que passam por um “rastreio sistemático” a todos os doentes que são internados.

Jorge Marques explica que “não se pode dizer que a causa da morte tenha sido as bactérias em si”. E acrescentou que os especialistas acreditam que pode ter contribuído e pode haver realmente alguma relação, “mas ainda estamos a analisar”, referiu. Esta bactéria pode provocar pneumonias, infeções urinárias ou generalizadas e, em casos mais graves, a chamada sépsis, ou seja, um intenso estado inflamatório em todo o organismo que pode ser fatal.

“Este tipo de bactérias está muito associado a instituições hospitalares e residências para idosos”, revelou o diretor clínico do Hospital de Braga. “Neste momento, os doentes com maior risco de infeção são os que têm internamentos ou institucionalização prévios e os que são submetidos a cirurgia abdominal.”

 

 

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