Saúde

Surto: OMS confirma 131 casos de varíola dos macacos no mundo

A entidade de saúde descreve a situação como "invulgar" e acredita que pode ser contida sem recorrer à vacinação em massa.
Casos afetam homens.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou, na passada terça-feira 23 de maio, que já foram confirmados 131 casos de varíola dos macacos reportados fora das regiões onde o vírus circula habitualmente. A autoridade de saúde refere que existem ainda mais 106 casos suspeitos a serem investigados. Porém, apesar de considerar o surto “invulgar”, mostra confiança de que é possível ser contido.

Os pacientes infetados pelo vírus da Monkeypox surgiram em 19 países diferentes, revelou a OMS em comunicado. Portugal é um dos países com mais casos, com 37 infetados pela varíola dos macacos.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças Europeu (ECDC) e a OMS já tinham recomendado algumas medidas para travar o contágio. As entidades de saúde aconselharam os países com vacinas contra a varíola humana a considerar inocular os contactos de alto risco com infetados com varíola dos macacos, “após uma avaliação de risco-benefício”. Mas referem que a vacinação em massa da população não é para considerada uma medida.

Richard Pebody, que lidera a divisão europeia da OMS que gere infeções patogénicas de maior risco, afirmou em entrevista à “Reuters” que “boa higiene e comportamentos sexuais seguros serão suficientes para travar a propagação do vírus”. O responsável indicou que o contágio não acontece facilmente, por isso, “o isolamento dos infetados e o rastreamento de contactos são as principais medidas que devem ser utilizadas”. Reconhecendo que o stock de anti-virais e vacinas na Europa é relativamente baixo, Pebody afirmou, ainda, que até ao momento o vírus não causou doença grave nas pessoas infetadas.

A vacina da varíola deixou de fazer parte do Programa Nacional de Vacinação em 1977. Dado o contínuo aumento de casos de infeções por Monkeypox, a NiT questionou Gustavo Tato Borges, presidente em exercício da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), se a inoculação poderá voltar a ser incluída no plano regular de vacinação.

O especialista em saúde pública explicou que “apesar do aparecimento de casos da varíola do macaco, ainda não se justifica, nesta fase, introduzir a vacinação massiva com a vacina da varíola humana”. Destacou, porém, que a mesma “pode ser uma ferramenta para ajudar os contactos de risco a reagirem de uma forma mais eficaz contra este vírus”. Ainda assim, sublinha que “não precisa de ser administrada a toda a população”.

Portugal adquiriu, em 2008, vacinas de primeira geração contra a varíola, que iriam fazer parte da reserva estratégica de medicamentos do País. António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, revelou na passada quinta-feira, 19 de maio, que “o stock existente pode ser utilizado nos contactos de alto risco”. O governante sublinhou, no mesmo momento, que “as medidas preventivas são a sensibilização para evitar comportamentos de risco. Esta patologia não é uma doença de grupos de risco é uma doença de comportamentos de risco ao qual todos estamos sujeitos”, adiantou.

Neste momento, “o tratamento dos pacientes é feito de forma sintomática“, explica Gustavo Tato Borges. Ou seja, “é dirigido aos sintomas que desenvolvem, pois ainda não existe um tratamento específico para a doença”, acrescenta.

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