Saúde

As T-shirts criadas por uma portuguesa que fazem milagres por quem está na menopausa

Filipa Fernandes passou dois anos a trabalhar no projeto. O resultado é um alívio para muitas mulheres, mas tem ainda mais potencial.
Tecnologia inovadora.

Afrontamentos, retenções de líquidos, alterações de humor, insónias, mal-estar. É uma lista de incómodos que se repete na altura da menopausa para tantas mulheres? Mas e se fosse possível começar a atenuar certos sintomas com uma única peça de roupa, discreta, prática e fácil de usar em qualquer contexto?

Não é coisa de ficção-científica. É ciência e logo com cunho português. É mesmo isto que resulta da patente aprovada para o trabalho de dois anos desenvolvido pela investigadora Filipa Fernandes, de 36 anos, formada em engenharia pela Universidade do Minho.

“Foi-me lançado o desafio de desenvolver um produto que conseguisse ajudar as senhoras que sofriam de menopausa”, começa por explicar à NiT. “A questão do cancro, fomos descobrindo ao longo do tempo que tanto as senhoras que sofriam de menopausa como as que estavam a fazer tratamentos para o cancro sentiam melhorias significativas.”

A parte melhor é que este não é um projeto pelo qual teremos de esperar muito tempo. Na verdade, a patente foi aprovada, já recebeu luz verde do Infarmed e já chegaram ao mercado. É possível encontrá-las online, em diferentes modelos e em dois tons, preto e branco, no site da Style-out. Custam 39,90€.

A tecnologia designada por RT trabalha ao nível da regulação da temperatura corporal. A própria Universidade do Minho tem divulgado o trabalho da antiga aluna. A tecnologia aparece na t-shirt sobretudo na zona do tórax e da coluna, sendo baseada em silicone medicinal e em materiais de mudança de fase, isto é, que permitem manter a temperatura corporal da pessoa (36,5 graus, em média), independentemente da temperatura ambiente.

Ao site da instituição, Filipa Fernandes explicou como os estudos deram indicadores extremamente positivos, primeiro em laboratório e depois já em contexto real. “Muitas senhoras que testaram surpreenderam-se com os benefícios de utilizar apenas esta t-shirt para reduzir os sintomas da menopausa, dizem que a sua vida se tornou mais agradável e confortável”, adiantou.

A ajuda no alívio de sintomas na menopausa esteve na génese do projeto mas o tempo de investigação permitiu abrir caminho a outras perspetivas, nomeadamente com pacientes oncológicos.

Um dos modelos já disponíveis.

Funcionou de novo: algumas senhoras quiseram retirar a medicação habitual para o teste ser total e, no final, não voltaram a precisar de parte dela, por indicação do médico”, destaca. O princípio é simples: “não estamos a tratar o cancro, mas estamos a contribuir para uma melhor qualidade de vida das pacientes”, defende.

À NiT, adianta que foram muitos os testes realizados. “Tivemos o cuidado de testarmos 5 mil T-shirts. Fui recebendo relatos e fomos descobrindo que o produto também tinha propriedades antibacterianas e antifúngicas. Foram desenvolvidas meias e percebemos que deixavam os pés enxutos”, isto mesmo em alturas de calor ou em momentos de desporto. “Algumas pessoas deixaram de ter micoses e deixaram de cheirar mal dos pés.”

A tecnologia destas T-shirts “inteligentes” armazena e liberta grandes quantidades de energia, “como absorver calor durante o dia e libertá-lo à noite”, explica Filipa. O revestimento é programado para determinada temperatura e vai ajudando o organismo a mantê-la. Os conhecidos afrontamentos, comuns na menopausa, encontraram aqui uma espécie de antídoto em forma de roupa.

As T-shirts já existente são de modelos femininos e fáceis de usar. Há opções diferentes que se podem usar facilmente nos dias de mais calor. Quando o frio apertar, podem fazer o mesmo efeito de forma discreta, debaixo de outra peça de roupa.

Como o princípio da tecnologia é de regulação da temperatura corporal, a investigadora acredita que há aqui potencial para outros usos, além da ajuda direta em certos sintomas.

A tecnologia resiste a lavagens de 50 e até 60 graus, o que na prática significa que tem capacidade para se aguentar durante o tempo de vida normal do tecido.

“O novo material também é antifúngico e antimicrobiano, logo as possibilidades são imensas”. Como a tecnologia é versátil, poderá ser aplicada a diversos produtos e contextos, como segurança, saúde, desporto e turismo. Cabe em qualquer mala de viagem e pode vir a ser testada tanto no deserto como na neve.

Para a investigadora, a receção tem sido uma surpresa. “Eu confesso que não estava à espera de ter uma reação tão boa por parte das pessoas. Temos gente de França e do Luxemburgo a pedir informações. estamos agora a estudar pontos de distribuição, sejam através de distribuidores ou farmácias, em Portugal e no estrangeiro”, adianta à NiT.

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