Saúde

Aos 43 anos, decidiu mudar no confinamento. Perdeu 6 quilos em 12 dias

O estilo de vida de João Neto Conceição, que vive em Trás-os-Montes, está a mudar radicalmente.
João, em 2019.

Nunca esteve muito preocupado com a alimentação, nem tão pouco fazia desporto. Como transmontano que é, o vício das tainadas, merendas e bons vinhos, num ritmo que junta amigos durante horas à volta da mesa, está-lhe no sangue. No entanto, perto de alcançar a meta dos 100 quilos, João Neto Conceição decidiu que estava na altura de mudar.

Houve alturas em que conseguiu gerir bem o peso, outras nem tanto. “Quando me sentia um bocado mais gordo, fazia uma dieta. Há uns dez anos fiz uma bastante rigorosa e perdi 12 quilos em seis semanas”, recorda à NiT o também dono da Douro Vintage Boat Trips, uma empresa de passeios turísticos de barco no Douro.

Deixou de ingerir hidratos de carbono e parou de comer tudo o que era açúcar, gorduras saturadas e fritos. Porém, recorda-se que o fez unicamente por uma questão de estética e não tanto pela saúde. Não tendo mudado de hábitos, voltou ao mesmo ritmo de vida e, consequentemente, ganhou peso.

Quem sempre fez questão de lhe “puxar as orelhas”, como o próprio descreve, foi a irmã, que é uma cara bem conhecida do público. Falamos de Ana Bravo, a primeira nutricionista a ter uma página de Facebook profissional para ajudar as pessoas que queriam ter uma alimentação mais saudável, acompanhou várias celebridades, é autora de sete livros e até tem uma linha de produtos saudáveis. 

“Apesar de ser mais nova, chamou-me sempre a atenção. Há uns anos mudei radicalmente o consumo de açúcar por causa dela. Eu bebia cerca de três cafés por dia e punha sempre açúcar. Ela desafiou-me a deixar de pôr açúcar no café e guardar esses pacotes diários num frasco. E foi uma coisa assustadora quando vi a quantidade de açúcar que tinha de lado ao final do mês”, relembra João, 43 anos.

Contudo, esse foi o único conselho que seguiu. Mas tudo mudou recentemente.

O dia de mudança que nunca imaginou

Se durante estes anos não deu ouvidos a 90 por cento das recomendações da irmã, agora esta é sua nutricionista particular e está a ajudá-lo a ser mais saudável.

“Percebi que estava na altura para ter juízo porque não vou para novo. Percebi que tinha de cuidar mais do meu corpo, do meu coração, dos meus pulmões, tudo. Agora não é só estética, até porque esteticamente agora nem estava tão mal”, explica.

Foi precisamente neste segundo confinamento que João decidi que estava na altura de mudar: “Foi um clique e também os avisos da minha irmã. Ela dizia-me: ‘Mano, podes continuar a fazer tainadas e beber bos vinhos, mas não tens de fazer tantas vezes. Pratica exercício, faz uma alimentação saudável e podes fazer isso uma vez por outra, como fazes não’. E assim foi.”

João diz que se fizesse uma corrida, sentia-se rapidamente cansado, o que não lhe fazia sentido “já que era um homem novo”. Agora, com a ajuda da irmã e do seu Personal Trainer, Fabrício Queiroz, garante estar a conseguir objetivos brilhantes.

O antes.

A mudança começou a 25 de janeiro com a dieta e exercício físico foi iniciado no dia 28. Ao fim de 12 dias, já tinha perdido seis quilos, sendo que estava nos 96 no início do processo. 

“Fiz alterações para me tornar mais saudável. A estética não foi tão importante. Mas não foi fácil porque adoro cozinhar, até tive um livro e programa no Porto Canal com a minha irmã que se chamava ‘Saúde no Tacho‘”, diz.

À NiT, Ana Bravo confessa que ficou surpreendida: “Há coisa de um mês ligou-me e disse: ‘Mana, estou a ver fotos minhas. Nem acredito que sou eu’, dizia sobre umas fotos em tronco nu. ‘Quero melhorar a minha saúde acima de tudo e preciso de um tratamento de choque’, continuou.”

Normalmente, quando um paciente lhe diz isto, a nutricionista procura perceber o que é isto para ele porque, muitas vezes, não funciona a longo prazo. “No caso do meu irmão, conheço-o muito bem, como a palma da minha mão e, portanto, sabia claramente que tinha de estar com ele nesse caminho.”

Não sendo apologista de um tipo de alimentação específico e fechado para toda a gente, consoante os pedidos, tenta moldar-se àquela realidade desde que não haja carências nutricionais. Por isso, acedeu ao pedido do irmão.

“Percebi que queria ver resultados com alguma rapidez para continuar e comprometi-me, fazendo uma avaliação da sua bioimpedância, a fazer uma redução de hidratos de carbono. Ele não queria incluí-los no almoço, negociamos e ele passou a ingerir leguminosas como fonte de hidratos ao almoço. Agora, passado um mês, fazendo uma reavaliação, vamos introduzir os hidratos de carbono, nomeadamente na refeição pré e pós-treino de força. Um plano alimentar vai-se moldando com o gosto da pessoa, as necessidades e também com a evolução corporal da pessoa”, explica à NiT Ana Bravo.

Neste momento, diz João, ingere aquilo que o seu organismo precisa até atingir a meta de peso ideal e de ficar sem as gordurinhas. Não como fritos, arroz, massa, batatas, bolachas, nem chocolates. “Isso foi cortado radicalmente”, diz.

Um dia no novo estilo de vida de João

“De manhã, acordo entre as 7h30 e as 8 horas para ir correr. Antes, tomo um café sem açúcar e bebo um copo de água com sumo de limão espremido. Quando venho da corrida  de cerca de uma hora, faço bicicleta estática durante mais 20 ou 30 minutos, e consumo proteína, normalmente uma omelete com três claras e só uma gema. Vou tomar banho e depois, sim, tomo o pequeno-almoço. Um sumo de laranja e uma torrada de pão integral com manteiga de amendoim, fiambre de frango, um ovo cozido, por aí”, conta.

Ao almoço, inclui sempre leguminosas, já que cortou nos hidratos de carbono. Pode ser feijão preto ou grão de bico, por exemplo, com frango ou peixe grelhado, salada verde, e sopa. “Normalmente é o que eu como”, revela.

A meio da tarde, faz um treino de força, geralmente com halteres e treino funcional. “No fim, volto a meter um pouco de proteína e faço o meu lanche. Normalmente, é fruta com uma gelatina ou açúcar natural sem açúcar.”

O jantar resume-se a uma sopa (sempre sem batata) e frango ou peixe grelhado. Depois de jantar, habitualmente, já não come mais. Porém, se tiver fome, opta por uma gelatina.

“No início, custou-me mais, confesso. Como adoro cozinhar — é uma das coisas que mais gosto de fazer — custou-me um bocado. E à noite até tinha o hábito de ir para a cama e levar alguma coisa para trincar, como sandes ou bolachinhas. Depois de jantar era a pior parte. Mas agora não me custa rigorosamente nada, às vezes nem a gelatina como porque não sinto mesmo fome. E também bebo muita, muita água ao longo do dia.”

Como João está atualmente.

João garante que é também necessário muito foco e disciplina. No seu caso, não falha um treino, sendo que realiza treino de força de segunda a sexta-feira e cardio todos os dias. 

“Comecei a caminhar, passei por um passo rápido e já faço o trajeto praticamente todo a correr. Agora, acho que já se tornou um vício. No início era uma obrigação e neste momento, se não for, parece que não fico de bom humor”, conta à NiT.

Agora, não quer perder mais peso, “apenas gordurinhas”. Provavelmente, diz, até aumenta de peso com o ganho de massa muscular. “Mesmo que comece a não notar muito na balança, noto no volume, na roupa que visto”, acrescenta.

“Já não tenho gorduras no peito e voltei a ver as minhas costelas, que já não via há uns anos. Depois de atingir os objetivos, não digo que vá continuar radical como estou, mas quero ter disciplina para não voltar ao mesmo. Acho que é possível ter uma vida saudável e continuar a provar os bons vinhos e comer uma merenda de vez em quando.”

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