Saúde

Tempestade perfeita. Farmácias estão a ficar sem amoxicilina (antibiótico) e paracetamol

Estes dois fármacos são utilizados para tratar diversas infeções como otites, pneumonias e outras doenças típicas do inverno.
Tenha atenção.

Os serviços de urgência não conseguem dar resposta aos elevado número de pacientes devido à ameaça da tripledemia, ou seja, o aumento da incidência de infeções provocadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR), pela gripe e pela Covid-19. O cenário é dramático em Portugal e no resto da Europa e, está a ganhar contornos de tempestade perfeita. Tudo porque se verifica uma escassez generalizada de dois dos medicamentos mais usados para tratar patologias associadas à descida das temperaturas.

As farmácias do Reino Unido e de França estão a ficar sem amoxicilina, um antibiótico muito utilizado para tratar amigdalites e outras doenças muito comuns nesta altura do ano. A par disso, também o paracetamol (um analgésico e antipirético, mais conhecido sob a designação comercial Ben-U-Ron) começa a escassear nas farmácias europeias.

A amoxicilina é o principal antibiótico receitado para tratar diversas infeções bacterianas em crianças, como otites e pneumonias. Em Portugal é mais reconhecido pelos nomes comerciais Clamoxyl ou Clavamox, e é também utilizado para tratar amigdalites e sinusites.

No Reino Unido, a Association of Independent Multiple Pharmacies descreveu a escassez desta penicilina de segunda geração como “muito preocupante”, numa altura em que o país regista um pico casos de febre escarlatina e infeções graves pela bactéria Streptococcus A, que já vitimiram nove crianças.

Os profissionais de saúde também alertam para possíveis carências noutros países do hemisfério Norte (onde é inverno nesta altura do ano), tais como Itália e Espanha, bem como no Canadá e nos Estados Unidos, onde os casos de doenças respiratórias têm aumentado, avança a “Euronews”.

Em França, o governo reconheceu que os stocks nacionais de amoxicilina e paracetamol eram baixos, mas assegurou que os  pacientes ainda podiam encontrar o que era prescrito. O ministro da Saúde francês, François Braun, alertou ainda que a situação só deve normalizar em março, quando o inverno terminar. Para evitar a rutura, o governo pediu que às farmácias para limitarem o número de caixas vendidas.

O jornal “La Nueva Espanha” dá conta da situação no país vizinho, que não é muito diferente dos restantes casos da Europa. As farmácias espanholas têm relatado escassez deste antibiótico. O meio de comunicação sublinha que a procura pelo fármaco disparou por causa do aumento de número de casos de bronquiolite no país. Porém, este medicamento não é eficaz contra a esmagadora maioria das bronquiolites — infeções agudas das vias aéreas inferiores —, uma vez que são causadas pelo vírus sinicial respiratório. As de origem bacteriana (que são combatidas com antibióticos) são raras.

A falta de amoxicilina e paracetamol está a agravar-se e já chegou também a Portugal. O paracetamol, que é de venda livre no nosso País, tem escasseado nas farmácias portuguesas. Em novembro, o “Correio da Manhã”, já tinha revelado que além destes, também faltam xaropes não sujeitos a receita médica para tratar a febre ou dores. Os profissionais justificam esta rutura com o aumento de casos de infeções respiratórias nas últimas semanas em Portugal.

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