Saúde

Testes à Covid-19 deixam de ser recomendados — quando não há sintomas

É a notícia que muitos esperavam. Os doentes internados com o coronavírus SARS-CoV-2 também já podem receber visitas.
A realização de testes é indicada apenas em pessoas com sintomas de infeção aguda.

“Os testes à infeção com o coronavírus SARS-CoV-2 deixaram de ser recomendados a pessoas sem sintomas de infeção e doentes internados com Covid-19 passam a poder receber visitas.” São duas das novas medidas relacionadas com a doença que tantos alarmismos causou no passado, divulgadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS) esta segunda-feira, 28 de novembro.

Ainda há pouco tempo nos colocavam zaragatoas no nariz quase diariamente e sem grandes motivos. Agora, as recomendações são outras. As alterações chegam depois de um novo parecer sobre os casos de suspeita ou confirmação de Covid-19. Este salienta que a elevada cobertura vacinal e a evolução epidemiológica favorável permitem “progredir para um modelo de resposta focado na prevenção e no tratamento da doença grave, atento ao padrão de circulação e ao aparecimento de novas variantes de SARS-CoV-2”.

A DGS adianta que, perante as altas taxas de vacinação em Portugal, a maioria dos casos de Covid-19 apresentam uma gravidade ligeira, com duração limitada e requerem apenas tratamento sintomático. Ainda assim, o documento reforça que as pessoas com sintomas respiratórios agudos devem adotar as medidas de prevenção e controlo de infeção. Evitar ambientes fechados e aglomerados; e manter o distanciamento físico; utilizar máscara quando em contacto com outras pessoas ou em espaços de utilização partilhada; manter a etiqueta respiratória e a lavagem e desinfeção das mãos; proceder ao arejamento e ventilação dos espaços interiores e à desinfeção de equipamentos e de superfícies — são algumas delas.

“A realização de teste para SARS-CoV-2 deve ser integrada no contexto da avaliação clínica e está indicada em pessoas com sintomas de infeção aguda das vias respiratórias”, lê-se no documento da DGS avançado pela agência Lusa. Esta medida não deve, porém, atrasar a prestação de cuidados de saúde adequados à gravidade clínica determinada na triagem do doente, particularmente nas situações de emergência médica.

“A realização de testes em pessoas sem sintomas deixa também de ser recomendada, bem como em pessoas que não tenham sintomas e que necessitem de realizar intervenções como cirurgias ou exames”, adianta a DGS. Quanto às pessoas com sintomas respiratórios agudos, devem ser encaminhadas, através do contacto preferencial com o SNS24, para os “cuidados adequados à sua situação clínica”, que vão desde a emergência médica (INEM), os serviços de urgência hospitalares, os cuidados de saúde primários e o autocuidado.

No caso das pessoas com Covid-19 em ambulatório (autocuidados), a norma indica que têm de manter o distanciamento físico e evitar a  frequência de espaços com muitas pessoas. A utilização de máscara na presença de outras pessoas continua também a ser recomendado até, pelo menos, dez dias desde o início de sintomas. Além disso, devem vigiar os sintomas e, em caso de agravamento, contactar a Unidade de Saúde Familiar ou o SNS24.

“Nas situações em que a pessoa apresente condições para manter o exercício das funções laborais e voluntariamente deseje manter a sua atividade, em concordância com a entidade patronal e dentro do enquadramento legal, recomenda-se sempre que possível a adoção de teletrabalho durante os primeiros cinco dias de sintomas ou diagnóstico de Covid-19”, aconselha a direção-geral.

Nos casos de internamento, as administrações dos hospitais, dos centros hospitalares e das unidades locais de saúde devem permitir visitas aos doentes com Covid-19, assim como assegurar o direito a acompanhante durante a gravidez, parto, puerpério e em contexto pediátrico — desde que garantido o cumprimento das medidas de prevenção e controlo de infeção.

Segundo a DGS, as pessoas com Covid-19 em fase de recuperação, devem ser alvo de planos multidisciplinares de reabilitação funcional e respiratória, bem como de vigilância das sequelas respiratórias, em articulação com as equipas médicas de cuidados de saúde primários. “As unidades de saúde asseguram a realização das consultas a pessoas com Covid-19 em autocuidado em ambulatório, sempre que possível através de telessaúde, minimizando as deslocações destas pessoas para situações de intervenção urgente e inadiável”, avança.

Quanto aos lares de idosos e estruturas similares, as visitas aos doentes com Covid-19 durante o período da infeção, devem ser asseguradas, desde que garantido o cumprimento do plano de contingência, incluindo utilização adequada de equipamento de proteção individual.

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