Saúde

Ticiana Xavier ficou intolerante ao marisco por causa de um único camarão estragado

A jornalista da TVI é apenas uma das muitas pessoas que desenvolveram uma alergia ou intolerância alimentar na idade adulta.

“Num jantar, em casa, comi um camarão estragado e fiquei intolerante ao marisco.” Ticiana Xavier tem 36 anos e ficou, desta forma inesperada, impedida de comer um dos seus pratos favoritos para o resto da vida.

A jornalista da TVI comprou camarões congelados no supermercado e, já em casa, colocou-os na arca. Na véspera de um jantar com amigos, decidiu descongelar uma parte e para fazer uma das entradas. Preparou-os como já o tinha feito outras vezes e, uma vez à mesa, comeu um camarão. “Meia hora depois fiquei com a pele muito vermelha, com borbulhas e sentia que tinha uma pedra no estômago. Passei muito mal”, conta à NiT.

Nas horas seguintes o estado de Ticiana foi piorando. “A reação agravou-se ao longo da noite. Não conseguia dormir e estive sempre na casa de banho, pálida, com suores frios.” Na altura, não foi ao hospital, mas consultou a nutricionista. Pelos sintomas descritos, a especialista disse-lhe que se poderia tratar de uma intolerância.

Saber que era intolerante ao marisco foi uma desilusão para Ticiana. “Adoro camarão”, diz. Por isso mesmo, já experimentou várias vezes comer de novo, mas acaba por ter sempre a mesma reação. “Tinha o resto dos camarões que tinha comprado na arca, voltei a fazer e o cenário repetiu-se”, recorda. Porém, não desistiu logo. “Durante um tempo, continuei a testar. Experimentei com camarão mais pequeno, a reação foi igual. Com camarão fresco, também.”

Entretanto, aconselhada pela nutricionista, acabou por fazer o teste das intolerâncias alimentares e o resultado que menos queria receber, chegou. Tornou-se, efetivamente, intolerante ao camarão. Porém, a condição pode ainda mudar. “A esperança de ver a situação de revertida pode surgir quando engravidar”, revela.

Outro exemplo de como as alergias ou intolerâncias alimentares podem surgir a qualquer momento é o de Kléber Melo, que descobriu que era alérgico aos 26 anos. O relações-públicas estava num centro comercial a jantar quando provou um pouco de creme de marisco. “Logo a seguir fiquei com a língua dormente e parecia que não conseguia respirar. Foi assustador“, conta à NiT. O brasileiro foi socorrido por uma equipa de emergência do estabelecimento e foi reencaminhado para o hospital, onde o medicaram para o choque anafilático.

Segundo lhe explicaram os médicos na altura, o desfecho poderia ter sido outro caso tivesse comido uma quantidade maior. “A minha sorte foi que só provei um pouco”, refere. Ainda assim, foi suficiente para ter uma reação dramática que deixou todos os presentes em alvoroço.

Kléber, atualmente com 31 anos, sabia desde miúdo que tinha alergias alimentares “a corantes, sumos, bolachas com recheios e outras tantas coisas”. Porém, o marisco não fazia parte da lista. “Depois deste episódio acabei por fazer o teste das alergias e, como se suspeitava, deu positivo para frutos do mar.” Nunca mais tocou em marisco nem derivados e tem sempre cuidado com o que come para evitar a reação que descreve como “assustadora”.

Como saber que é intolerante ou alérgico ao marisco?

Há alimentos que provocam apenas mal-estar e outros que causar problemas ou condições mais preocupantes. “Em caso de reações graves a alergia pode levar à morte”, começa por explicar a nutricionista e nutricoach Paula Beirão Valente. Já as intolerâncias alimentares causam apenas desconforto. E, embora não seja agradável, é possível viver com isso.

“A alergia é uma reação imunológica desencadeada por uma proteína”, explica. Pode manifestar-se através de lesões cutâneas, urticária, inchaço, enjoos, espirros — e pode até causar descidas repentinas da tensão arterial, por exemplo. “A severidade da manifestação varia de pessoa para pessoa e, por norma, acontece de imediato ou até duas horas após a exposição ao alimento”, acrescenta Daniela Duarte, nutricionista do Agita Kalorias. As alergias mais comuns são ao leite e aos seus derivados, aos frutos secos, ovos, aos citrinos e ao marisco.

E é neste último que está o grande problema, sobretudo no verão. Assim que chegam os dias quentes, os camarões e as sapateiras começam a fazer parte das refeições de muitos portugueses. Porém, estes dois alimentos são, segundo Daniela Duarte “os maiores causadores de alergias alimentares em adultos”. “Esta é uma das razões pelas quais, segundo as orientações atuais, apenas se devem introduzir na alimentação do bebé entre os 6 e os 12 meses”, adianta à NiT.

Muito diferente de uma alergia alimentar é a intolerância, “uma reação não tóxica que pode ser causada por alimentos reconhecidos como estranhos pelo organismo”. Os sintomas mais frequentes são gases, cólicas, azia, dores de cabeça e um mal-estar generalizado.

A alergia a determinado alimento pode desenvolver-se ao longo do tempo. Isto significa que pode comê-lo durante anos e, mais tarde, desenvolver uma reação alérgica sem que isso nunca tenha acontecido antes.

Os sintomas manifestam-se de forma mais rápida em caso de alergia, e de forma gradual quando se trata de uma intolerância. O tratamento, porém, é idêntico: adaptar a dieta. “No caso das alergias temos de erradicar os produtos a que são alérgicos. Já relativamente às intolerâncias, depende. Não sou defensora do corte radical dos ingredientes que causam os sintomas. Devemos avaliar, caso a caso, se é necessário evitar ou apenas reduzir”, remata a nutricionista.

Daniel Duarte deixa ainda o alerta para os alérgicos ao marisco: “É importante fazer uma leitura correta dos rótulos dos produtos alimentares, pois existem preparações culinárias que podem conter vestígios de marisco — o que poderá causar uma reação grave”.

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