Saúde

Tem 13 anos, é autista e tira fotografias incríveis de carros em miniatura

O jovem norte-americano começou a capturar imagens com o telemóvel aos seis anos. Agora expõe os trabalhos em galerias de arte.

Porque é que fazem questão de mencionar que o fotógrafo é autista? Esta é uma das perguntas frequentemente colocadas aos pais, que têm sempre resposta preparada: ele não tira estas fotografias incríveis apesar do autismo — é graças ao autismo que o consegue fazer.

É com esta visão otimista da condição que os pais de Anthony Schmidt e o próprio encaram a realidade. O jovem norte-americano, de 13 anos, começou a capturar imagens com o telemóvel aos seis. Mas não se tratam de fotografias normais.

Apaixonado por carros em miniatura, descobriu sozinho como aplicar uma técnica fotográfica para, num jogo de perspetiva, tornar os pequenos veículos em máquinas de tamanho real.

“Tenho uma pequena plataforma que uso para colocar o veículo e depois uso o telefone para tornar tudo real”, explica Anthony ao jornal local “The Herald”. Com a câmara junto ao solo, aproveita a perspetiva para anexar a miniatura ao cenário que a rodeia. O resultado: um veículo que parece ter um tamanho real.

Começou com um pequeno carro de madeira e agora é dono de uma coleção com mais de 2.500 réplicas em miniatura. Mas não é tudo: o talento para a fotografia tornou-se num escape e numa forma de superar a discriminação com que era tratado.

“Antes disto, era excluído das coisas. Agora é acolhido, acarinhado e muitas vezes é o VIP nos eventos. Isso fá-lo sentir-se especial”, explica a mãe, que começou por partilhar as fotos num pequeno grupo do Facebook.

O fenómeno evoluiu de tal forma que hoje expõe em galerias e até conseguiu completar um bem-sucedido crowdfunding, através do qual angariou mais de 40 mil euros para publicar um livro. As suas imagens são também vendidas online com preços que variam entre os 20 e os 100 euros.

“Antigamente não era cool ou famoso. Agora olhem para mim, a vender fotos em galerias de arte”, comenta Anthony, que conta com a ajuda da família na gestão do negócio e das redes sociais, onde aos mais de 30 mil seguidores no Instagram soma mais de um milhão que já viram um dos seus mais recentes TikToks.

Atualmente faz parte de vários clubes de automóveis, onde convive com outros apaixonados por miniaturas, e é acarinhado por todos. É habitual receber réplicas como presentes, mas num caso especial, a oferta foi tudo menos mini.

Um dos seus admiradores, um colecionador de carros, apaixonou-se pela história de Anthony e decidiu deixar-lhe um dos seus carros clássicos em testamento, um Ford de 1957. “Depois pensei, porquê esperar se posso oferecer-lho já?”, explica. “Divirto-me muito mais agora, ao vê-lo andar no carro. Recebi uma recompensa multiplicada por mil.” O carro foi batizado por Anthony: chamou-lhe Betty, em homenagem à avó.

O seu sonho passa por continuar a fotografar as suas miniaturas em ambientes realistas, mas também gostaria de ter uma coleção de máquinas em tamanho real. “Quero ser o próximo Jay Leno. Quero ter uma garagem como a dele, que tem 286 carros.”

Sobre o autismo, refere que é “apenas um diagnóstico”. “Não significa que não podes viver uma grande vida.”

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