Saúde

Tudo o que precisa de saber para se proteger de uma das infeções mais mortais no País

Anualmente, a pneumonia mata, em média, 17 pessoas por dia. É uma doença grave, mas tratável (desde que diagnosticada cedo).
É muito comum.

Não tarda, e quase sem darmos por ele, o inverno estará aí a bater à porta. Com ele, chegam o frio e a humidade que estão muitas vezes associados a gripes, constipações e a infeções mais graves. Uma delas é a pneumonia, uma das principais causas de hospitalização e de morte em Portugal. Todos os anos, registam-se, em média, 150 mil casos desta doença que pode atingir todas as idades. No entanto, é possível prevenir e tratar esta infeção.

O relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias de 2020 nota que cerca de 5,1 por cento das mortes que ocorrem no nosso País são causadas por pneumonia. O mesmo documento nota que, entre os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal regista uma das mais elevadas taxas de mortalidade desta patologia. A nível mundial, segundo a OMS, a pneumonia é responsável por mais de 15 por cento dos óbitos de menores até aos cinco anos.

A pneumonia mata em média 17 pessoas por dia, durante todo o ano todo. Contudo, a maior prevalência é nos meses frios”, diz à NiT, sem rodeios, Agostinho Marques, pneumologista e vice-presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão. Esta patologia define-se como uma infeção dos pulmões causada pela aspiração de bactérias, que normalmente estão alojadas na boca. Se por algum motivo o sistema imunitário estiver mais fragilizado, a infeção tende a crescer e facilmente se torna mais grave.

As vias aéreas não têm micróbios porque a tosse, como mecanismo de prevenção, atua e expele qualquer agente patogénico que queria entrar no organismo. Porém, “durante o sono, quando estamos na horizontal, este recurso é menos eficaz e. por isso, a probabilidade de aspiração destes microrganismos é maior”, explica o pneumologista. O micróbio causador da doença mais comum é o pneumococo — um habitante habitual da nossa boca.

Os sintomas a que deve estar atento

Os doentes diagnosticados com pneumonia aparecem a sentirem-se muito doentes, com febre e uma dor no peito localizada. Se for uma pessoa mais idosa, ou com alguma patologia associada, é comum que tenham falta de ar”, refere Agostinho Marques. Estes sinais só justificam a ida às urgências, em casos específicos, como salienta o especialista em pneumologia: “Apenas quando estes sintomas aparecem em conjunto e a febre não passa depois da toma do paracetemol”.

A pneumonia é uma doença grave, mas tem tratamento. Porém, a eficácia da terapêutica com antibióticos depende da precocidade com que se toma o primeiro fármaco. O tempo, nestes casos, é fundamental, sobretudo em pessoas com mais de 65 anos, ou com patologias associadas. “Este grupo é o que precisa de maior atenção, porque são os que têm um maior risco de contrair a forma mais grave da doença”, defende o pneumologista.

Existem muitos mitos ligados a esta infeção. Um deles é que uma constipação mal curada pode transformar-se numa pneumonia. “Isso não é verdade”, responde o médico à NiT, deixando outro alerta: “Mas uma pneumonia mal curada pode ser fatal”. Porém, quando tratada cedo, a infeção não deixa marcas. “No caso dos jovens saudáveis, o mais provável é que não deixe quaisquer sequelas. Depois de medicados, os sintomas dos doentes, como a febre, devem desaparecer em três dias. Se isso acontecer é só continuar o tratamento. Caso não se verifique, o melhor é consultar novamente o médico”, aconselha Agostinho Marques.

Os cuidados a ter para prevenir a doença

Todos estamos sujeitos a desenvolver uma pneumonia, em qualquer idade. “A gripe e a Covid-19 são contagiosas, mas precisam de um terceiro elemento que transmite a doença, mas esta infeção pulmonar não precisa dele. O micróbio que causa a patologia reside na nossa boca”.

A vacinação é uma das melhores formas de combater a patologia. “A vacina contra infeções por Streptococcus pneumoniae (pneumococo) está incluída no Programa Nacional de Vacinação”. Para prevenir esta e outras infeções os especialistas recomendam a inoculação da vacina pneumocócica, que evita a doença grave e ajuda a reduzir a mortalidade. As pessoas mais velhas devem também considerar ser vacinadas contra a gripe, “porque a infeção por este vírus pode favorecer o risco de infeção pulmonar, uma vez que deixa o sistema respiratório debilitado”, explica o médico.

A etiqueta respiratória que nos acompanha desde os tempos mais graves da Covid-19 é também uma forma de prevenção. A adoção de um estilo de vida saudável também deve ser considerada: “Ter uma alimentação equilibrada, praticar exercício físico e respeitar os períodos de sono, de modo a favorecer uma boa imunidade e assim consegui evitar que a infeção se torne grave”, são algumas das recomendações. Outras passam por evitar, sempre que possível, a permanência em ambientes muito frios, muito secos ou muito húmidos, assim como espaços com má ventilação, sobrepovoados ou poluídos, que podem favorecer a transmissão de agentes infeciosos.

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