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Saúde

Tudo o que precisa de saber sobre a vacina contra a Covid-19

Nunca em tão pouco tempo tantas vacinas contra a mesma doença foram produzidas.
Esclareça as dúvidas.

Foi há pouco mais de um ano, em Wuhan, na China, que o princípio da pandemia foi identificado. Em 2020, o mundo inteiro enfrentou diferentes fases de restrições e confinamentos, mantendo no horizonte a esperança de uma vacina.

Até ao momento, já foram identificados em Portugal mais de meio milhão de casos, tendo morrido mais de oito mil pessoas devido a complicações causadas pela Covid-19. No mundo inteiro, já mais de 90 milhões de pessoas foram contagiados (o que resultou em cerca de dois milhões de óbitos).

O final de 2020 e início do novo ano marcou o início da vacinação nos mais diversos países. É um processo que decorre numa escala nunca antes vista e que em alguns casos alimenta dúvidas (e no limite teorias da conspiração).

A NiT preparou um guia de perguntas e respostas numa altura em que a Covid-19 nos volta a lançar em novo período de confinamento, que visa contrariar as subidas no número de casos diários sentidas já em 2021.

Como sabemos se a vacina é segura?

Nunca há certezas absolutas, o que há são estudos e testes. A dinâmica começa sempre numa escala pequena e vai crescendo. Os primeiros testes são em laboratório, em células ou animais, ou recurso a modelos informáticos, antes de começarem a ser feitos testes em pessoas (e aqui em cada nova fase aumenta o número de pessoas envolvidas). A ideia passa por haver segurança que garanta a passagem ao patamar seguinte.

No caso da primeira vacina a ser administrada entre nós, desenvolvida pela germânica BioNTech e a norte-americana Pfizer, cerca de 40 mil voluntários participaram em testes antes de a vacina ter sido lançada. A Agência Europeia do Medicamento estudou e acompanhou os ensaios clínicos antes de dar luz verde à da Pfizer (que em Portugal começou a ser distribuída a 27 de dezembro). O mesmo aconteceu com a da Moderna, cujo parecer positivo chegou a 6 de janeiro.

Nunca criaram uma vacina tão rápido. Porquê?

Se há coisa que esta pandemia nos veio mostrar é que a ciência continua a ter capacidade para nos surpreender pela positiva. O século XX foi, como nenhum outro, um século de desenvolvimento no mundo das vacinas.

Estamos habituados a que o processo de criação de uma vacina demore anos, por vezes décadas. Mas a verdade é que nunca tínhamos vivido no nosso tempo algo assim. A Covid-19 propagou-se independentemente por cidades e países, independentemente da geografia ou do clima, devido ao facto de ser de fácil contágio.

Nunca na história tínhamos tido tantos cientistas, laboratórios e governos empenhados num só problema (e em muitos casos com recursos financeiros como nenhuma outra doença teve). Isto não quer dizer que se tenham saltado etapas.

Há mais vacinas que estiveram em desenvolvimento nos últimos meses e que vão ser administradas em alguns países. Embora os passos posam ter sido mais acelerados nesta altura do que no passado, continuam a decorrer avaliações independentes e o acompanhamento de reguladores. Os estudos envolvendo a vacina da Oxford-AstraZeneca, por exemplo, foram interrompidos voluntariamente na sequência de uma morte de um voluntário (entre milhares). E só foram retomados quando a vacina foi afastada como suspeita da morte.

Flah Mob
País de novo em confinamento.

O que têm as vacinas?

As duas vacinas que vão ser administradas em Portugal são descritas como vacinas de RNA-mensageiro. O termo é um pouco estranho mas na prática significa que os fármacos fornecem ao organismo uma espécie de código genético. Não se trata de alterar o ADN das pessoas (nem a teoria da conspiração do chip) mas sim dar que células que possam produzir proteínas virais que levam o corpo a responder com vírus de anticorpos.

Vacinei-me. A minha vida volta ao normal?

Era bom que fosse assim tão simples, mas não. As vacinas que estão a ser administradas em Portugal são a da Pfizer e a da Moderna, cuja efetividade aponta para os 95 por cento no caso da primeira e 94 por cento no caso da segunda. Estes valores, no entanto, só poderão ser atingidos com a segunda dose.

É possível que a primeira dose garanta já alguma defesa extra mas a imunidade só é atingida com as duas doses. No caso da Pfizer, a segunda toma deve ser feita com 21 dias de diferença e os tais 95 por cento só se atingem sete dias após o processo, no da Moderna são 28 dias de diferença entre as duas doses (e 14 dias para a imunidade). Em todo este tempo, os cuidados mantém-se. E mesmo vacinados o que se garante é uma redução significativa dos riscos, não a sua total ausência.

Dos sintomas aos efeitos secundários, devo vacinar-me?

Em caso de sintomas, os procedimentos mantém-se: deve evitar locais públicos e o contacto com outras pessoas. Contacte a linha SNS 24 e siga as instruções dadas. Caso esteja com sintomas de outra doença aguda, deve estar recuperado antes de se vacinar, evitando quaisquer riscos de sobreposição de sintomas ou eventuais efeitos secundários. Pessoas com historial de reações anafiláticas, nomeadamente a vacinas, devem seguir as instruções do médico (e é provável que a toma seja feita em meio hospitalar).

É importante realçar que o número de reações alérgicas graves é muito baixo tendo em conta o número de pessoas já vacinadas (e são milhões nos países com as mesmas vacinas que Portugal). Isto não quer dizer que não haja efeitos secundários. Nenhuma vacina, nem nenhum medicamento, está isento de reações. As vacinas da Pfizer e Moderna têm reportado como queixas mais comuns dor e inchaço no local da injeção, cansaço, dores de cabeça, dores musculares e articulares, calafrios, febre e vómitos (no caso da da Moderna). Ainda assim os relatos que têm surgido de pessoas já vacinadas têm sido encorajadores.

Se sentir algum sintoma pode e deve reportá-lo. O Infarmed conta com um portal dedicado a reações adversas a medicamentos onde há um formulário relativamente simples de preencher.

E a vacina resulta?

Ainda há divergências sobre o nível de imunidade necessária na população. Mas as vacinas impedem as pessoas de desenvolverem sintomas da Covid-19, e parar as infeções é crucial para travar a propagação do coronavírus e construir a tal imunidade de grupo.

Pessoas que já tenham contraído e recuperado do vírus não são consideradas prioritárias para a vacinação mas não estarão excluídas, e uma das razões é porque ainda não se sabe que imunidade poderá haver a médio-longo prazo para quem já contraiu o coronavírus.

É importante perceber que ser vacinada não garante a cem por cento que não contraíremos a doença. As vacinas por si só não evitam completamente o risco de infeção. Contudo, as poucas pessoas vacinadas que foram infetadas desenvolveram geralmente formas menos graves de Covid-19. E esta é uma diferença nada subtil em contexto de saúde pública.

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Uso de máscara vai manter-se.

Quando posso ser vacinado?

O plano de vacinação em Portugal definiu-se em três diferentes fases e as autoridades já admitem que a primeira poderá não estar fechada durante o primeiro trimestre, devido à produção e distribuição das vacinas por parte das farmacêuticas. Na primeira fase de vacinação incluem-se profissionais de saúde (tendo sido dada prioridade a quem está na linha da frente no combate à pandemia), forças de segurança, serviços considerados críticos e pessoas com mais de 50 anos com patologias específicas

Na segunda fase estão todas as pessoas com mais de 65 anos, além de pessoas a partir dos 50 anos com determinadas patologias. Na terceira fase, sujeita a eventuais prioridades e alterações de calendário, está a restante população portuguesa. Todo o plano pode ser consultado online.

Quanto custa a vacina?

Nada. A pandemia por si só já tem sido um desafio brutal para a economia. A distribuição da vacina em Portugal é universal, gratuita e facultativa. Ninguém será forçado a ser vacinado e deve procurar informar-se para esclarecer quaisquer dúvidas. Ainda assim, é importante que se informe junte de fontes credíveis.

A DGS, como a generalidade dos reguladores de saúde, tem disponibilizado online informação. Deve também manter o espírito crítico na hora de ver espreitar certas publicações nas redes sociais. Que fontes têm? São credíveis? Uma pandemia não é o terreno mais fértil em certezas, é certo, ainda assim é entre os especialistas, e no debate ao longo do tempo, que podemos e devemos confiar.

Há muito que se tem aprendido desde o início da pandemia. Mas há lições que não chegaram a mudar. Os cuidados de higiene, distanciamento e uso de máscara continuam a ser importantes. O desafio, esse, também não mudou. Há quem ainda desvalorize o novo coronavírus pela taxa de mortalidade (que é sempre superior à da gripe comum, nunca é demais repetir).

No entanto, este é só um dos problemas. Se a propagação é excessiva, o peso sobre os sistemas de saúde irá fazer-se sentir. O tempo de recuperação de pacientes em unidades de cuidados intensivos, devido à Covid-19, é longo. Em certos casos, um desfecho positivo pode demorar meses. Em todo este tempo, se continuam a surgir cada vez mais novos doentes, os próprios hospitais vão tendo cada vez mais dificuldade de dar resposta, não apenas à Covid-19 mas também a outras doenças e urgências médicas.

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