Saúde

Tudo o que sabemos sobre a “preocupante” nova variante da Covid-19

É a mais recente ameaça à quase normalidade conquistada nos últimos meses. E já chegou à Europa.
O mundo está atento

O panorama geral parecia ser de relativa tranquilidade. Com a maioria da população vacinada e uma redução drástica no número de infetados e internados, Portugal viveu nos últimos meses um regresso à normalidade. Porém, a chegada de uma aparententemente menos grave quinta vaga traz na sua sombra uma ameaça que os especialistas apelidam de “preocupante”.

Não é propriamente uma surpresa. Durante os últimos meses, vários peritos alertaram para a possibilidade do surgimento de novas variantes que pudessem colocar em causa o patamar de segurança atingido graças aos avanços na vacinação. Ora essa ameaça parece agora ser bem real.

Novamente da África do Sul chegam notícias de uma variante ainda por batizar, conhecida apenas pelo nome de código B.1.1.529. Com a Europa a entrar novamente numa fase crítica, a chegada de uma mutação mais perigosa era a última notícia que o continente (e o mundo) precisava.

Mais preocupante ainda: as autoridades belgas confirmaram esta sexta-feira, 26 de novembro, a deteção do primeiro caso desta variante na Europa, trazida por uma mulher que viajou do Egito e não estava vacinada. “É preciso cuidado, mas não entrar em pânico”, revelou o ministro da saúde belga, Frank Vandenbroucke.

À medida que os países vão fechando fronteiras e sobretudo barrando voos com origem nas áreas mais problemáticas de África onde já foi detetada a nova variante, as autoridades portuguesas têm também comentado o surgimento deste novo perigo. O primeiro-ministro António Costa descartou a implementação de um novo confinmento e assegura que “nada indica que se venha a justificar” essa necessidade.

Há um mês, no entanto, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, assegurava que nenhum confinamento estava descartado, caso se verificasse o surgimento de “uma nova variante, mais agressiva”. Ainda não se sabe se é, efetivamente, esse o caso, mas os sinais não são animadores. Afinal, o que se sabe sobre esta nova variante?

A B.1.1.529 destaca-se das muitas milhares de variações inofensivas detetadas ao longo dos últimos dois anos, desde logo pela combinação pouco usual de mutações que, segundo os especialistas, poderão ajudá-la a evadir-se ao sistema imunitário. Dessa forma será também mais transmissível, ainda mais do que a variante Delta que rapidamente se espalhou por todo o globo e se tornou dominante.

Muitas das mutações localizam-se na proteína que permite ao vírus ligar-se às nossas células, que é precisamente a chave através da qual as vacinas combatem a doença. Os estudos continuam a ser feitos, na tentativa de determinar se a nova variante é efetivamente mais transmissível e letal, ainda sem conclusões definitivas.

Apelidada por vários especialistas como “a pior variante” do Sars-CoV-2 encontrada, estima-se que tenha mais de 30 mutações na proteína espícula, cerca do dobro das registadas na variante Delta.

De acordo com Susan Hopkins, a médica conselheira a Agência de Segurança Britânica para a Saúde, a taxa de reprodução do vírus quando foi encontrado na África do Sul era de 2, um nível altíssimo, apenas registado no início da pandemia, antes de qualquer medida de restrição ter sido aplicada. Isto indica que a variante poderá ser altamente transmissível, sendo que com um R acima de 1, a transmissão acontecerá de forma exponencial.

Os primeiros grandes resultados de testagens revelaram, na quarta-feira, 24 de novembro, que 90 por cento dos novos 1100 casos de Covid-19 na província de Gauteng foram causados pela nova variante, que já terá saltado a fronteira.

No Botswana foram registados quatro novos casos em pessoas vacinadas. Também em Hong Kong foi registado um caso da variante, de um viajante que regressou da África do Sul. Israel também já encontrou um caso positivo.

Com mais um caso positivo registado na Bélgica, todas as atenções estão viradas para possíveis chegadas da variante. Por enquanto, Portugal não identificou ainda qualquer caso, revela o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. “Nós fazemos a vigilância contínua das variantes e nunca até hoje identificámos qualquer caso de infeção associado a esta linhagem”, assegurou ao “Público” o investigador João Paulo Gomes.

Vários países europeus anunciaram já restrições à entrada de viajantes oriundos da África austral, sendo que a Comissão Europeia irá propor a suspensão de voos da região com destino à UE.

Entretanto, esta sexta-feira reúnem-se também os especialistas da Organização Mundial de Saúde, que irão debate a nova variante para decidir sobre a sua classificação oficial de acordo com a entidade: se será declarada uma variante de interesse ou de preocupação.

As produtoras das vacinas estão atentas. A BioNTech anunciou já que saberá dentro de duas semanas se a vacina, desenvolvida com a Pfizer, é capaz de oferecer proteção contra a nova variante.

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