Saúde

Um em sete infetados no Reino Unido continua com sintomas três meses depois

Os dados oficiais do país mostram que a Síndrome Pós-Covid é mais recorrente do que se pensa.
Também há casos em Portugal.

A Síndrome Pós-Covid (ou Long Covid-19) trata-se de uma complicação decorrente da infeção pelo novo coronavírus, podendo surgir mesmo quando as manifestações da doença são ligeiras e sem necessidade de internamento hospitalar. Fala-se pouco desta consequência da pandemia, mas é mais recorrente do que se pensa.

Esta quinta-feira, 1 de abril, o Gabinete Nacional de Estatísticas britânico revelou que uma em cada sete pessoas infetadas com covid-19 no Reino Unido ainda manifesta sintomas da infeção três meses depois.

Os dados oficiais resultam de um estudo que contou com 20 mil infetados entre 26 de abril de 2020 e 6 de março deste ano. Destes, 13,7 por cento apresentaram, 12 semanas após a infeção pode Covid-19, sintomas como dores musculares e cansaço, segundo o jornal britânico “Standard”.

Os investigadores disseram também que as mulheres manifestaram mais sintomas prolongados (13,7 por cento) do que os homens (12,7 por cento). No que diz respeito às faixas etárias, aquela que fica entre os 25 e os 34 anos é a mais afetada nesta amostra (18,2 por cento).

A NiT falou com uma especialista em medicina interna no Hospital CUF Cascais sobre a Síndrome Pós-Covid. Francisca Veiga Frade explica à NiT que se trata de uma complicação decorrente da infeção pelo novo coronavírus, podendo surgir mesmo quando as manifestações da doença são ligeiras e sem necessidade de internamento hospitalar.

“Não sabemos ainda se os sintomas surgem por uma agressão direta do vírus nas nossas células ou de uma maneira indireta devido a uma reação autoimune e inflamatória intensa causada pela infeção e atingindo vários sistemas do nosso organismo”, diz.

E continua: “Não sabemos ainda quais as pessoas mais vulneráveis e qual a percentagem das que tiveram Covid-19 irão desenvolver este síndrome”, explica à NiT, acrescentando que os dados internacionais apontam para que dez por cento dos infetados apresentem sintomas após três semanas do diagnóstico. “Para os doentes que foram internados no contexto de Covid-19 estes valores são superiores.”

À NiT, Francisca Veiga Frade diz que esta síndrome pode ser incapacitante, prejudicando a realização de atividades diárias, uma vez os doentes sentem um cansaço e falta de energia desproporcionais, comprometendo a rotina familiar e profissional.

“As manifestações são altamente variáveis e podem ter intensidade flutuante, ao longo do tempo, podem ser quadros com gravidade pulmonar ou cardíaca, mas também podem existir queixas de tosse, dor torácica, cansaço e falta de ar sem lesão”, explica.

Além disso, há pessoas em que as alterações do olfato e paladar podem manter-se por períodos prolongados. “Em alguns casos predominam os sintomas de ansiedade, depressão e dificuldade de concentração”, continua.

Aproveite e recorde neste artigo a história de Matilde Ramos de Lima, uma jovem de 21 que, após 20 dias de infeção, tenta retomar a sua vida com muitas limitações, já que sofre precisamente desta síndrome. 

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