Saúde

Um milhão de mortos: a Covid-19 já é a pandemia mais letal desde a gripe espanhola

Já era, de longe, a mais perigosa deste século. O marco atingido esta segunda-feira, 28 de setembro, coloca-a noutro patamar de letalidade.
Portugal já registou mais de 1.900 vítimas mortais

O número redondo assusta. Desde que foi declarado o início da pandemia, após detetados os primeiros casos do vírus na China, no final de 2019, regista-se mais de um milhão de vítimas mortais em todo o mundo, resultantes de complicações provocadas pela Covid-19.

Menorizada por muitos, em abril a Covid-19 caminhava já a passos largos para se tornar na pior pandemia deste século. Infelizmente, seis meses depois, o número de mortes cresceu de forma desenfreada de 50 mil para um milhão, tornando-a, de longe, a mais letal desde 2000. O crescimento do número de mortes obriga a olhar ainda mais para trás, numa comparação com as doenças mais agressivas e perigosas que assolaram a humanidade.

A rapidez de propagação é uma das características que torna o SARS-CoV-2 tão perigoso — e que justifica a sua dispersão tão rápida pelo planeta. Embora com uma taxa de letalidade menor do que a dos irmãos coronavírus SARS e MERS, o número exponencialmente maior de infeções permite-lhe que facilmente os ultrapasse neste registo de mortes — ambos registaram apenas 774 e 858 vítimas mortais, respetivamente.

A comparação é inevitavelmente feita com a chamada gripe espanhola, que assolou o mundo em 1918 e que, segundo as estimativas de acordo com os registos existentes, terá feito entre 40 a 50 milhões de vítimas no espaço de dois anos. Ao ritmo atual, será improvável que a Covid-19 ultrapasse estes números — com um milhão de vítimas ao fim de nove meses, dificilmente atingirá a taxa de 25 milhões de vítimas anuais da gripe espanhola.

Isso não significa que não se destaque também a sua perigosidade mesmo quando comparada com mais um século de doenças. Se é líder indiscutível neste século, perde apenas para a mortal gripe espanhola no século XX.

Quando, em 1957, se detetou uma nova estirpe do vírus da gripe na Ásia, os alertas soaram. Estima-se que ela tenha feito um milhão de vítimas entre 1957 e 1958, num valor de 600 mil vítimas por ano. O mesmo vírus sofreu uma mutação e deu origem a outra epidemia, desta vez com origem em Hong Kong, onde terá morto outro milhão entre 1968 e 1970, com valor de mortes anuais semelhante. Uma taxa que é facilmente ultrapassada pela da Covid-19.

Mais perto somente se pode registar a SIDA, detetada pela primeira vez em 1981 e que se calcula que terá feito, ao longo destes 39 anos, entre 25 a 35 milhões de mortos. Será ainda muito cedo para prever qual será a trajetória de mortalidade da Covid-19 nos próximos meses e anos, mas em nove meses, a taxa é também ela mais alta do que os cerca de 900 mil por ano da SIDA.

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