Saúde

Um quisto de Kelly Ripa rompeu durante o sexo. Qual é a probabilidade disto acontecer?

O episódio aconteceu quando a apresentadora tinha 26 anos. Muitas mulheres em idade fértil desenvolvem este tipo de tumores.
A apresentadora tem 51 anos.

Kelly Ripa é conhecida pela sua sinceridade. No passado dia 13 de setembro, a apresentadora norte-americana lançou um livro autobiográfico — uma recolha de episódios engraçados, caricatos, insólitos ou assustadores que lhe aconteceram. Um deles revela que desmaiou durante um momento de intimidade sexual com o marido, o ator Mark Consuelos. O motivo: uma hemorragia causada pela rutura de um quisto no ovário.

O episódio aconteceu pouco depois do nascimento do terceiro filho do casal, em 1997, quando Kelly tinha 26 anos. Em “Live Wire: Long-Winded Short Stories” (o título do livro, que ainda sem tradução em português) a também atriz de 51 anos conta que só se lembra de estar com o marido, e depois, de acordar no hospital, confusa e com o ator ao seu lado a petiscar uns snacks. Só aí descobriu que tinha quistos nos ovários.

“Os quistos dos ovários são “sacos” cheios de líquido que se formam nestes órgãos reprodutivos, como resultado de um ciclo menstrual normal (chamados fisiológicos ou funcionais)”, explica à NiT Alexia Toller, ginecologista-obstetra no hospital Lusíadas. Estes tumores (quase sempre benignos) também podem conter sangue, a que os médicos chamam de quistos hemorrágicos ou endometriomas. A frequência com que surgem varia de acordo com a idade da mulher — e são relativamente comuns. “Cerca de 6 por cento das mulheres em idade reprodutiva desenvolvem quistos”, que podem aparecer e desaparecer espontaneamente quando não é utilizada contraceção hormonal.

Muitas mulheres ficam, naturalmente, assustadas quando são diagnosticadas. No entanto, não há motivo para alarme, porque estes, normalmente, têm características e comportamento benigno. “O cancro do ovário, embora tipicamente quístico, não surge a partir destas formações”, frisa a especialista em ginecologia.

As complicações podem surgir quando, tal como aconteceu com Kelly Ripa, estes ganham grandes dimensões e rompem. Nesse momento, o que pode acontecer é sentir uma dor aguda e repentina provocada pela irritação que o conteúdo do quisto provoca no organismo. Pode também experimentar uma sensação intensa de pressão, inchaço, náuseas ou vómitos, entre outros sintomas desagradáveis. No entanto, o mais comum é não sentir nada, porque a maioria das hemorragias são pequenas e, por isso, não causam sintomas visíveis.

Quando é descoberto um quisto no aparelho reprodutor, têm de ser feitos alguns exames para analisar o tamanho, o tipo e se é benigno ou não. “Dependendo de onde se localiza nessa classificação, as medidas a adotar e o seguimento diferem. Pode requerer somente vigilância, ou existir necessidade de cirurgia”, explica Alexia Toller.

Influência dos quistos

Normalmente, quando são pequenos, não interferem na vida sexual. Contudo, “quando aumentam de dimensão podem provocar dor durante as relações ou haver rotura dos mesmos durante o ato sexual“, refere a especialista em ginecologia. Porém, existem outros sintomas que indicam a presença destes tumores e que podem ajudar a um mais diagnóstico mais célere.

Um quisto funcional pode influenciar o período menstrual, tornando-o mesmo irregular um ou dois ciclos. No entanto, a dor anormal e constante na zona pélvica é o sintoma mais frequente. Quando os quistos estão inflamados podem também provocar febre, corrimento purulento e com mau cheiro, “mas, frequentemente, os sintomas são muito ténues e difíceis de identificar”, revela Alexia Toller. Por este motivo, um corrimento estranho, abundante, branco ou amarelo e muito espesso, eventualmente com odor, deve ser motivo de visita ao médico, especialmente se associado a febre e dor pélvica.

Por regra, estes tumores não são alvo de tratamento e a recomendação médica passa pela vigilância. Contudo, há forma de evitar o aparecimento de quistos funcionais. “A toma de uma contraceção hormonal combinada vai impedir que o ovário produza óvulos e, desta forma, prevenir o surgimento de novos quistos, dado que surgem no decurso do funcionamento normal do ciclo menstrual”, conclui a ginecologista.

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