Saúde

União Europeia compra 110 mil doses de vacinas para conter varíola dos macacos

Os imunizantes começam a ser distribuídos, proporcionalmente, pelos estados-membros, Noruega e Islândia no final de junho.
Fotografia: CDC no Unsplash.

O crescimento do número de casos confirmados de varíola dos macacos em países onde a doença não circula habitualmente levou a União Europeia (UE) a encomendar quase 110 mil doses de vacinas para travar o seu avanço. O anúncio foi feito esta segunda-feira, 14 de junho, por Stella Kyriakides, a comissária para a saúde.

A Bavarian Nordic será responsável pelo fornecimento dos imunizantes, que serão pagos com fundos da União Europeia. Segundo o comunicado da empresa dinamarquesa, citado pelo “Público”, as vacinas começam a ser distribuídas, proporcionalmente, pelos estados-membros onde já estão autorizadas, no final de junho. Adianta, igualmente, que os países com necessidades mais urgentes terão prioridade e todas as doses estarão atribuídas nos próximos meses. A Noruega e a Islândia também estão incluídas no acordo.

A Imvanex foi aprovada em 2013 para conferir proteção contra a varíola humana, mas parece ter eficácia contra a dos macacos. Nos Estados Unidos, onde dá pelo nome de Jynneos, está aprovada para ambas as doenças. A Agência Europeia do Medicamento (EMA) já tinha afirmado estar a realizar estudos com a fabricante em causa sobre o uso desta vacina.

Uma vantagem do medicamento, considerado de terceira geração, em relação a outros, relaciona-se com o facto de conter uma forma modificada do vírus, mas que não causa enfermidade nos humanos e não se consegue reproduzir nas células humanas.

A última atualização da Direção-Geral da Saúde (DGS) indica que Portugal tem 231 casos confirmados de varíola dos macacos. As autoridades de saúde nacionais ainda não comunicaram, contudo, nenhuma decisão sobre uma eventual campanha de vacinação. Na UE são quase 900 os contaminados com a enfermidade provocada pelo vírus Monkeypox.

Como conter a infeção

“Os indivíduos que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, devem procurar aconselhamento clínico”, recomenda a DGS.

Na presença de sintomas, é importante “abster-se de contacto físico direto com outras pessoas e de partilhar vestuário, toalhas, lençóis e objetos pessoais enquanto estiverem presentes as lesões cutâneas, em qualquer estádio, ou outros sintomas”.

No dia 31 de maio, a entidade de saúde nacional definiu as regras de abordagem clínica e epidemiológica para casos de infeção. Envolvem abstinência sexual e evitamento de contacto próximo com animais domésticos.

Leia ainda sobre a descoberta, feita em Portugal, que pode ser fundamental para perceber a origem do surto e as causas da rápida disseminação da doença. O artigo sobre as potenciais vacinas que a farmacêutica Moderna está a testar em estudos pré-clínicos também lhe pode interessar.

Saiba, igualmente, sobre as sequenciações genéticas que começaram a ser realizadas em 2018 e indicam que o vírus da varíola dos macacos sofreu mutações dez vezes acima do que seria habitual nos últimos quatro anos. Em África, sete países registaram 1.400 infeções desde o início de 2022.

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