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Saúde

Vacina contra a Covid-19 vai ser universal e gratuita — e começa a ser administrada em janeiro

Francisco Ramos, coordenador do plano de vacinação, revelou quem são os primeiros grupos a receberem a vacina.
Já falta pouco.

“Hoje é um dia importante. Portugal, à semelhança daquilo que outros países têm estado a fazer, tem um plano para a distribuição de vacinas contra a Covid-19. Este é mais um passo de um trabalho que começou há muitos meses”, começa por dizer a ministra da Saúde na apresentação do plano de vacinação contra a doença no nosso País, numa declaração aos portugueses esta quinta-feira, 3 de dezembro.

Marta Temido relembrou que Portugal está desde junho a acompanhar o processo conduzido pela Comissão e União Europeia de desenvolvimento, produção e distribuição de vacinas num processo que envolveu a “disponibilização de fundos para a criação de um mecanismo de apoio de desenvolvimento das vacinas e articulação de compras conjuntas para que todos os cidadãos possam ter acesso equitativo”. 

A responsável do governo disse que, apesar de todas as incertezas que continuamos a ter — desde logo, a fase de ensaios, os grupos etários para os quais existem dados, mas também outros aspetos de dimensões técnicas — “não nos podem inibir de planear aquilo que será um dos instrumentos para continuar a enfrentar esta doença”.

A ministra da Saúde relembrou que Portugal vai receber 22 milhões de doses de vacinas, um investimento que pode chegar ao 200 milhões de euros.

Em seguida, referiu que Portugal “efetivamente cumpre aquilo que neste momento é o primeiro cenário”. Além disso, avança que as “vacinas contra a Covid-19 têm caráter universal e gratuito” e serão “disponibilizadas em vários pontos” do País, através do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Depois, eventualmente, será expansível a outros pontos do sistema com registos que permitam a cada momento seguir e monitorizar o processo nas suas várias dimensões”, continuou Marta Temido.

Apesar das novidades, a ministra da Saúde fez questão de ressalvar que os portugueses não se podem distrair. A disponibilização das vacinas terá de continuar a ser acompanhada pelas regras que já todos conhecemos, nomeadamente uso de máscara, o distanciamento social e outras medidas de prevenção de contágio, “pelo menos num período em que ainda não se tenha conseguido alcançar a imunidade”.

Também o presidente do Infarmed, Rui Ivo, falou aos portugueses, aproveitando para explicar que foram desenvolvidos vários acordos de aquisição: “Teve de se criar condições para que toda a parte administrativa pudesse ser feita de uma vez só para todos os países da União Europeia.”

Além da preocupação de garantir o acesso, houve a preocupação de “garantir um portfólio alargado de vacinas, termos várias opções disponíveis”, continuou, acrescentando que foram assinados seis contratos.

Quem são os primeiros a receberem a vacina contra a Covid-19?

Francisco Ramos, coordenador do plano de vacinação contra a Covid-19 em Portugal, diz que o primeiro grupo prioritário a receber a vacina são as pessoas com 50 ou mais anos com doenças graves (insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal, doença pulmonar obstrutiva crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração). Seguem-se os utentes e trabalhadores de lares e internados em unidades de cuidados continuados. Na lista seguem-se os profissionais de saúde e profissionais das forças armadas e forças de segurança.

Numa primeira fase, isto significa que vão ser vacinadas 950 mil pessoas — 400 mil pessoas com 50 ou mais anos com patologias; 300 mil profissionais de saúde diretamente envolvidos na prestação de cuidados de doentes e profissionais de forças de segurança e serviços críticos; e 250 mil profissionais de saúde e residentes em lares e em instituições similares e profissionais e internados em unidades de cuidados intensivos.

Na segunda fase de vacinação contra a Covid-19, haverá dois grupos, segundo Francisco Ramos. São as pessoas com 65 ou mais anos, com ou sem patologias, e as pessoas entre os 50 e os 64 anos com diabetes, neoplasia maligna ativa, insuficiência hepática, insuficiência renal, obesidade, hipertensão arterial e, eventualmente, outras patologias. Aqui, serão administradas 1,8 milhões de vacinas.

O coordenador do plano de vacinação referiu que “a terceira fase deve ser encarada como o resto da população”.

No que diz respeito a datas, espera-se que a primeira fase de vacinação contra o novo coronavírus, ou seja, a administração das tais 950 mil vacinas, aconteça entre janeiro e março de 2021. “A informação que existe hoje sobre o processo dá-nos a segurança suficiente para dizer que em janeiro vamos começar”, disse, aconselhando o governo a não indicar um dia exato.

O primeiro-ministro terminou a sessão pública a avisar que “o caminho é comprido e bastante penoso porque estas vacinas não chegam todas no primeiro dia, mas vão chegando gradualmente ao longo de todo o ano”. 

António Costa destacou o facto de ser uma vacina “facultativa, gratuita e distribuída a toda a população” e que “existem boas razões para estarmos confiantes neste processo”. Mencionou, ainda, que “vai ser mais fácil a operação nas primeiras semanas, com poucas doses e menos pessoas a vacinar” e que “vai ser pior quando houver mais doses e o universo a vacinar mais alargado”.

“Há uma luz mas temos um longuíssimo túnel a percorrer e os olhos demoram a habituar-se à claridade e depois de tudo existirão várias dores a tratar”, continua, finalizando ao dizer que estamos “hoje num ponto melhor do que na semana passada e do que há dois meses”. 

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