Saúde

Vacina contra a varíola irá voltar ao plano nacional? “Aumento de casos não justifica”

O médico Gustavo Tato Borges explicou à NiT que pode ser tomada pelos contactos de risco com infetados com varíola dos macacos.
Vacinas podem ser usadas em casos de risco.

Neste momento, Portugal é o país com mais casos registados de Monkeypox com 37 infetados confirmados. Numa altura em o número continua a crescer, levantam-se questões quanto ao tratamento e à eficácia da vacinação — que foi responsável pela erradicação da varíola humana nos anos 80.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças Europeu (ECDC) emitiu na passada quinta-feira, 19 de maio, uma nota com recomendações para travar o contágio do vírus. A entidade de saúde aconselhou os países com vacinas contra a varíola humana a considerar vacinar os contactos de alto risco com infetados com varíola dos macacos, “após uma avaliação de risco-benefício”.

A vacina da varíola deixou de fazer parte do Programa Nacional de Vacinação em 1977. Dado o contínuo aumento de casos de infeções por Monkeypox, a NiT questionou Gustavo Tato Borges, presidente em exercício da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), se a inoculação poderá voltar a ser incluída no plano regular de vacinação.

O especialista em saúde pública explicou que “apesar do aparecimento de casos da varíola do macaco, ainda não se justifica, nesta fase, introduzir a vacinação massiva com a vacina da varíola humana”. Destacou, porém, que a mesma “pode ser uma ferramenta para ajudar os contactos de risco a reagirem de uma forma mais eficaz contra este vírus”. Ainda assim, sublinha que “não precisa de ser administrada a toda a população”.

Portugal adquiriu, em 2008, vacinas de primeira geração contra a varíola, que iriam fazer parte da reserva estratégica de medicamentos do País. António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, revelou na passada quinta-feira, 19 de maio, que “o stock existente pode ser utilizado nos contactos de alto risco”. O governante sublinhou, no mesmo momento, que “as medidas preventivas são a sensibilização para evitar comportamentos de risco. Esta patologia não é uma doença de grupos de risco é uma doença de comportamentos de risco ao qual todos estamos sujeitos”, adiantou.

Neste momento, “o tratamento dos pacientes é feito de forma sintomática“, explica Gustavo Tato Borges. Ou seja, “é dirigido aos sintomas que desenvolvem, pois ainda não existe um tratamento específico para a doença”, acrescenta.

À data, a aquisição de vacinas contra a varíola foi decidida na sequência dos ataques de 11 de setembro de 2001, de modo a existir um escudo-protetor em cada país face ao risco de o vírus ser usado como arma de guerra. Quatro anos depois, foi dito que a validade dessas vacinas era “muito prolongada”. Até ao momento ainda não foi revelada a quantidade de vacinas contra a varíola humana existentes no stock nacional.

Os primeiros casos em Portugal

varíola dos macacos, como é conhecida, é uma patologia viral, geralmente transmitida pelo toque ou mordida de animais selvagens portadores do vírus Monkeypox, como macacos e roedores na África Ocidental e Central. O período de incubação da doença é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar entre 5 e 21. Os primeiros sintomas incluem febre, dores de cabeça, dores musculares, inchaço dos nódulos linfáticos, arrepios e cansaço extremo.

Os primeiros casos em Portugal fora detetados no hospital dos Capuchos em Lisboa. Cândida Fernandes, responsável pela consulta de doenças sexualmente transmissíveis do serviço de dermatologia neste hospital, revelou à CNN que a 3 de maio “surgiu um homem com lesões nunca vistas. Depois começaram a aparecer cada vez mais pacientes com os mesmos sintomas”. Hoje segue 21 casos, 15 confirmados.

A especialista referiu na mesma entrevista que “a maioria dos doentes tem lesões nos genitais. E ao mesmo tempo têm outras em outras zonas como a cara, membros, pescoço… Mas nestas outras partes têm menos”. Esta lesões “persistem durante duas a três semanas e são o principal motivo de desconforto dos doentes”, acrescenta.

A médica sublinhou que “os próximos tempos vão ser decisivos para perceber se o vírus sofreu uma mudança e está a transmitir-se mais facilmente entre humanos e de forma diferente do que era habitual”.

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