Saúde

Varíola dos macacos: 7 países africanos registaram 1.400 infeções desde o início de 2022

A OMS frisa a importância de procurar uma solução contra a patologia que seja benéfica tanto para África como para o Ocidente.
Esteja atenta aos sintomas.

Os Camarões, a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo, a Libéria, a Nigéria, a República do Congo e a Serra Leoa — países onde a varíola dos macacos circula habitualmente há cinco décadas —, detetaram 1.400 casos de infeção humana pelo vírus Monkeypox entre o início de 2022 e meados de maio. A notícia foi avançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) esta terça-feira, 31 de maio.

“Embora o vírus não se tenha espalhado a países africanos onde a doença não é endémica, o vírus vem expandindo o seu alcance geográfico nos últimos anos”, alertou a autoridade internacional em comunicado citado pela “Renascença”.

Exemplificou: “até 2019 o vírus Monkeypox na Nigéria era encontrado principalmente no sul do país, mas em 2020 mudou-se para o centro, leste e norte do território nigeriano”.

Numa tentativa de conter esta tendência, a agência das Nações Unidas recomenda que se procure uma solução contra a enfermidade que seja benéfica tanto para as regiões ocidentais como para as africanas.

“Devemos trabalhar juntos e realizar ações globais conjuntas que levem em conta a experiência, o conhecimento e as necessidades de África”, explicou Matshidiso Moeti, o diretor da OMS para esta região do mundo.

O responsável pediu ainda que o continente africano tenha um “acesso igualitário” a vacinas eficazes contra a doença, para que cheguem a todas as comunidades que delas precisam.

Em 2020, vários países africanos detetaram mais de 6.300 possíveis infeções. No ano seguinte, este número diminuiu drasticamente sem que as autoridades de saúde conseguissem determinar o motivo. Registaram-se 3.200.

varíola dos macacos, como é conhecida, é uma patologia viral, geralmente transmitida pelo toque ou mordida de animais selvagens portadores do vírus Monkeypox, como macacos e roedores na África Ocidental e Central. O período de incubação da doença é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar entre 5 e 21.

Em muitos aspetos, esta enfermidade assemelha-se à varíola humana erradicada em 1979 — mas menos transmissível e menos mortal. Por isso, o risco para a saúde pública é considerado baixo, mas, em alguns casos, a doença pode evoluir para sintomas mais graves.

Lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço são os sintomas a que deve estar atento.

A Organização Mundial da Saúde aponta a interrupção da vacinação contra a varíola humana em 1980 como um dos motivos que justificam o surto de infeções que se tem vindo a registar em muitos países.

Varíola dos macacos em Portugal

Foram detetados mais 19 casos em Portugal nas últimas 24 horas. Com a atualização da Direção-Geral da Saúde (DGS), realizada esta quarta-feira, 1 de junho, o número de infeções no País subiu para 119. Os pacientes “mantêm-se em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis”.

Até ao momento, todos os diagnósticos confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) pertencem a homens entre os 20 e os 61 anos. A maioria deles tem menos de 40 anos.

Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a região com maior número de infeções, apesar de existirem registos nas regiões Norte e Algarve.

Na terça-feira, 31 de maio, a entidade definiu as regras de abordagem clínica e epidemiológica para casos de infeção. Envolvem abstinência sexual e evitamento de contacto próximo com animais domésticos.

Leia sobre a descoberta, feita em Portugal, que pode ser fundamental para perceber a origem do surto e as causas da rápida disseminação da doença. O artigo sobre as potenciais vacinas que a farmacêutica Moderna está a testar em estudos pré-clínicos também lhe pode interessar. 

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