Saúde

Varíola dos macacos: DGS alerta que o preservativo não protege contra o vírus

O número de casos continua a aumentar e as causas apontadas são os contactos próximos em eventos públicos, privados e viagens.
A maioria dos casos em Portugal foram identificados em Lisboa e Vale do Tejo.

O número de infeções pelo vírus da Monkeypox continua a aumentar em Portugal. Numa tentativa de mitigar o contágio, a Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou os cuidados a ter antes e depois de contactos sexuais.

Esta especificidade justifica-se pela forma de apresentação e disseminação da infeção, que sugere que a transmissão esteja a acontecer durante contactos próximos, nomeadamente através relações sexuais, refere a DGS. 

Neste sentido, a autoridade de saúde quer que empresas, organizações de eventos ou grupos informais sensibilizem os participantes sobre a varíola dos macacos, recomendando cuidados específicos a ter, inclusive durante e após o sexo.

O surgimento de sintomas deve motivar a procura de aconselhamento e avaliação médica e devem evitar-se atos que envolvam muita proximidade física. “O contacto físico próximo é a principal forma de transmissão. Uma relação sexual pode envolver risco. E as relações sexuais com múltiplos parceiros/as aumentam o risco”, destaca a DGS.

Para a entidade: “os parceiros comunitários são essenciais para garantir uma comunicação eficaz e atempada, adequada ao público para fazer passar as principais mensagens de prevenção e promoção da saúde. O alinhamento entre todos os envolvidos é também necessário para identificar rumores/desinformação e ajudar a melhorar o conhecimento sobre a infeção e para facilitar a adesão às medidas de proteção”.

A utilização do preservativo é importante para prevenir a transmissão do VIH e outras infeções sexualmente transmissíveis (IST), mas não oferece proteção eficaz para o vírus Monkeypox, alerta ainda a DGS.

Entre as medidas a adotar “antes, durante e após” os eventos, a DGS recomenda que seja desincentivada a participação em caso da existência de sintomas e que os organizadores considerem o envio de informação prévia aos participantes, através das redes sociais ou no momento da inscrição.

Entre as recomendações de higiene, a autoridade de saúde aconselha que “se existir roupa de cama, deve ser mudada após utilização por um novo participante/cliente”.

“Essa roupa deve ser manipulada por funcionários de limpeza que utilizem luvas e máscaras e lavada a mais de 60 graus centígrados. Após manipulação da roupa, deve retirar-se as luvas e lavar/higienizar as mãos”, pode ler-se.

Entre outras sugestões, a autoridade quer que os organizadores de eventos incentivem os participantes a “guardar os contactos das pessoas com quem mantiverem contacto físico próximo, incluindo relações sexuais, caso seja necessário identificá-los posteriormente“.

A DGS aconselha também a que seja fornecida formação aos trabalhadores e funcionários sobre os sinais e sintomas mais comuns de infeção e sobre o aconselhamento a dar a casos suspeitos, bem como dispensar os funcionários/voluntários que apresentem sintomas.

A informação da autoridade de saúde adverte também contra a estigmatização da doença, tendo em conta que “a maioria dos casos até agora foram reportados em homens que têm sexo com homens”.

“O estigma e o medo podem dificultar as respostas em matéria de saúde pública, pois podem fazer com que as pessoas escondam a sua doença e são barreiras de acesso aos cuidados de saúde”, alerta a DGS. Entre os conselhos para mitigar a estigmatização, a autoridade de saúde pede que se utilize “uma linguagem respeitosa e inclusiva” e que se transmitam “os factos de forma clara e acessível”.

Na mesma nota, a entidade refere que a infeção por Monkeypox caracteriza-se pelo aparecimento de lesões na pele ou mucosas, que podem ser localizadas numa determinada região do corpo ou generalizadas, atingindo habitualmente a face e boca, membros superiores e inferiores ou região ano-genital.

Moneypox em Portugal

De acordo com a última atualização da Direção-Geral da Saúde (DGS), realizada na passada sexta-feira, 17 de junho, já são 276 as pessoas infetadas com a doença provocada pelo vírus da varíola dos macacos. Os pacientes encontram-se estáveis e estão a ser acompanhados pelas autoridades competentes.

Para já, todos os diagnósticos confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) pertencem a homens entre os 19 e os 61 anos. Destes, a maioria tem menos de 40 anos. Lisboa e Vale do Tejo continua a ser responsável por reportar o maior número de infeções, apesar destas também existirem nas regiões Norte e Algarve.

“Os indivíduos que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, devem procurar aconselhamento clínico”, recomenda a DGS.

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