Saúde

Varíola dos macacos: OMS declara estado de emergência global de saúde pública

O risco é, nesta altura, mais elevado na Europa do que no resto do mundo.
Surto já atingiu mais de 70 países.

A Organização Mundial da Saúde emitiu este sábado, 23 de julho, o nível mais elevado de alerta para tentar conter o surto de Monkeypox, que afetou quase 17 mil pessoas em 74 países. O anuncio foi feito por Tedros Adhanom Ghebreyesus, o diretor-geral da organização, durante uma conferência de imprensa.

A designação de “Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional” por parte da OMS tem como objetivo chamar a atenção sobre a necessidade de uma resposta internacional coordenada a uma doença ou surto, alertando para a necessidade de financiamento e esforços globais na partilha de vacinas e tratamentos.

“Temos um surto que se está a espalhar rapidamente à volta do mundo sobre o qual sabemos muito pouco”, assumiu Tedros Adhanom Ghebreyesus. E salientou que, neste momento, “o risco é mais elevado na Europa do que no resto do mundo”.

Na passada quinta-feira, 21 de julho, os membros de um comité de especialistas não conseguiram chegar a um consenso para aprovarem esta recomendação. O diretor-geral da OMS confirmou que o seu voto foi decisivo para uma resolução concreta. Nove pessoas votaram contra a designação e outros seis votaram a favor. Ghebreyesus acabou por optar pela declaração do mais elevado nível de alerta. E explicou ainda que a sua decisão contra a maioria deveu-se às preocupações com o número crescente de casos em países sem registo prévio de infeções e à escassez de vacinas e tratamentos.

“Sei que este não foi um processo fácil ou simples e que existem pontos de vista divergentes entre os membros”, referiu o representante da autoridade de saúde mundial, ao recordar que, atualmente, o surto concentra-se sobretudo em “homens que fazem sexo com homens, especialmente aqueles com múltiplos parceiros sexuais”. Isso significa que se trata de um surto que “pode ser travado com as estratégias certas nos grupos certo”, salientou, alertando que o “estigma e discriminação podem ser tão perigosos como qualquer vírus”.

Desde o início do surto, a 3 de maio, até à última quarta-feira, foram identificados 588 casos em Portugal, confirmou a autoridade de saúde, ao notar que num universo de 391 casos reportados através do Sistema de Vigilância Epidemiológica, a maior parte tem entre 30 e 39 anos e é do sexo masculino. Até à data, apenas uma mulher portuguesa foi infetada.

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