Saúde

Vini Jr. junta-se à lista de famosos que fizeram harmonização facial. Mas quais são os riscos?

O jogador brasileiro foi visto com um novo rosto esta semana. Na Internet, multiplicaram-se as teorias.

Vini Jr. pode não ter vencido o Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, mas ganhou um novo rosto. Esta terça-feira, 21 de julho, tornaram-se virais fotografias do jogador, de 26 anos, surgindo teorias de que teria feito uma harmonização facial. Afinal, foi visto com mudanças evidentes no contorno do rosto, no queixo e na mandíbula.

Mesmo antes de ter reagido publicamente à notícia, o rumor foi confirmado pelo dermatologista Alessandro Alarcão, que conduziu o procedimento e partilhou uma fotografia ao lado do atleta. O caso voltou a colocar a medicina estética no centro das conversas e despertou a curiosidade sobre um tratamento que tem conquistado cada vez mais homens.

Antes era muito popular apenas entre as mulheres. Madonna, Jennifer Lawrence, Courteney Cox e Anitta são apenas algumas das celebridades que também já recorreram a esta operação.

“A harmonização facial é um termo que se usa há alguns anos na área da medicina estética”, explica à NiT a dermatologista Marta Ribeiro Teixeira. “Quando utilizado, descreve uma série de intervenções, muitas vezes com recurso a substâncias de preenchimento como o ácido hialurónico, com vista a melhorar estruturas faciais.”

A especialista admite, contudo, que a expressão nem sempre é consensual. “Há pessoas que gostam e outras que não gostam, porque parece que quer dizer que alguma coisa não está harmoniosa e isso pode criar situações de baixa autoestima.”

Ao contrário do que muitos pensam, a harmonização facial não corresponde a um único tratamento, mas sim a um conjunto de procedimentos personalizados. O objetivo é olhar para o rosto como um todo e equilibrar proporções, recorrendo sobretudo ao preenchimento com ácido hialurónico e, em alguns casos, a bioestimuladores. As zonas mais tratadas incluem as maçãs do rosto, o queixo, a mandíbula, os lábios, as têmporas, a região das olheiras e, cada vez mais, o nariz.

Segundo Marta Ribeiro Teixeira, o envelhecimento é uma das principais razões que levam os pacientes a recorrerem a este tipo de procedimentos, uma vez que o rosto perde naturalmente volume e projeção ao longo dos anos. Essa perda também pode ser acelerada por emagrecimentos significativos, incluindo os provocados pelas chamadas canetas emagrecedoras, que reduzem a gordura facial e alteram o contorno do rosto.

No caso de Vini Jr., a dermatologista considera que as alterações mais comentadas podem ser explicadas por um preenchimento estratégico — e também por botox. Se olhássemos para ele de perfil, víamos que tinha retrognatia, ou seja, o queixo estava mais para trás. Também tinha falta de volume no queixo e pouca definição dos ossos e do ângulo da mandíbula.” A médica acrescenta que “houve preenchimento e alongamento do ângulo da mandíbula”, uma mudança que ajuda a criar um contorno facial mais marcado.

Vini Jr. ao lado de Virgínia Fonseca, a namorada.

Mas afinal, porque é que há cada vez mais homens a procurar por este procedimento? A explicação é bastante simples: uma mandíbula bem definida e um queixo mais projetado continuam a estar associados a características como masculinidade, virilidade e liderança, fatores que também influenciam a forma como uma pessoa é percecionada pelos outros.

Embora a transformação possa parecer imediata, os resultados continuam a evoluir nos dias seguintes ao tratamento. Isto porque o ácido hialurónico funciona como uma espécie de esponja, atraindo água para a zona onde foi aplicado e aumentando ligeiramente o volume. Na maioria dos casos, é realizada apenas uma sessão, seguida de uma reavaliação cerca de 15 dias depois para verificar se existe necessidade de pequenos ajustes.

“Normalmente, ao fim de duas semanas já é possível ver o resultado final”, explica Marta Ribeiro Teixeira. “Mas, muitas vezes, aquilo que se vê logo no próprio dia já é muito semelhante ao resultado definitivo.”

Os resultados também não são permanentes. A duração depende da forma como cada organismo metaboliza o produto e da zona tratada, sendo habitual que seja necessária manutenção anual ou, em alguns casos, apenas de dois em dois anos.

O investimento também varia consoante a quantidade de produto utilizada. Em média, cada mililitro de ácido hialurónico custa entre 300 e 400 euros, sendo frequente serem necessários vários mililitros para uma harmonização facial completa. A dermatologista acredita que Vini Jr. possa ter usado 10 mililitros. Feitas as contas, poderá ter pago desde 3.000€ pelo tratamento.

Quais são os principais riscos?

Embora seja considerado um procedimento seguro, existem situações em que não é recomendado. A dermatologista desaconselha o tratamento durante a gravidez, em pessoas com doenças autoimunes, infeções ativas ou alergia a algum dos componentes utilizados.

“Mesmo profissionais experientes e habilitados podem ter complicações, porque nenhum procedimento é isento de riscos”, alerta. Entre os problemas mais frequentes estão pequenas assimetrias, inchaço causado pelo acúmulo de líquido nos tecidos do corpo, e infeções locais. No entanto, a médica faz questão de sublinhar que as complicações graves são raras.

“A complicação mais temida acontece quando o ácido hialurónico provoca a oclusão de um vaso sanguíneo. Se isso acontecer perto do olho, existem casos descritos de cegueira”, explica. “É muito raro, mas tem de ser tratado imediatamente.” A especialista refere ainda a possibilidade de necrose da pele e de granulomas, pequenos nódulos que podem surgir quando o produto atinge um vaso sanguíneo e que, em situações mais graves, podem obrigar à remoção cirúrgica.

Para Marta Ribeiro Teixeira, o maior problema não está na técnica em si, mas em quem a executa. Nos últimos anos, diz ter assistido a “um aumento exponencial” de procedimentos realizados por pessoas sem formação médica ou autorização para os fazer.

“Vejo muitas complicações por causa disso”, afirma. “Este tipo de procedimentos só pode ser realizado por médicos e por profissionais com experiência na área”, diz.

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