Saúde

Vírus da Covid-19 pode continuar nos espermatozoides 4 meses após a infeção

Qualidade do sémen pode estar afetada. Os homens que pensam ter filhos logo após a doença devem fazer uma quarentena voluntária.
Uma nova descoberta.

Volvidos mais de quatro anos desde o início da pandemia de Covid-19, a situação epidémica estabilizou, no entanto, ainda persistem vestígios da doença. Os efeitos secundários, colaterais ou até mesmo novas infeções, continuam a gerar preocupação. Uma das sequelas que está a deixar a comunidade médica apreensiva é a inflamação de um canal localizado atrás dos testículos, resultante do vírus, ou até mesmo a redução do desejo sexual nos homens.

Além disso, o próprio SARS-CoV-2 pode permanecer nos espermatozoides dos pacientes por até 110 dias após a infeção. Uma equipa de investigadores brasileiros descobriram que a qualidade do sémen é reduzida, segundo o estudo publicado na revista “Andrology”, em março deste ano. . Os homens que desejam ter filhos logo a seguir devem considerar um período de quarentena voluntária após a infeção.

A investigação, desenvolvida por cientistas da Universidade de São Paulo, envolveu a análise de 13 homens infetados, com sintomas ligeiros, moderados e graves. Os testes foram feitos em pacientes entre os 21 e os 50 anos, num período de até 90 dias após a alta hospitalar, e de 110 após o diagnóstico inicial.

Todos testaram negativo no teste PCR — usado para investigar infeções virais — ao sémen. Contudo, o vírus foi identificado nos espermatozoides ejaculados de oito dos 11 utentes com doença moderada a grave. Outro estava presente num paciente com a doença leve. Dois apresentaram “desarranjos ultraestruturais” nas células sexuais. Ou seja, entre o total de participantes (13), nove (69,2 por cento) tinham o vírus, explica a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Outros estudos realizados durante a pandemia sugerem também que uma disfunção nos testículos causada pela Covid-19 pode explicar a maior agressividade da doença nos homens e apontam para um impacto negativo no sistema reprodutor masculino. 

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT