Saúde

Tem um cancro terminal no cérebro e vai correr 7 maratonas em 7 dias

Este não é o primeiro desafio de Iain Liam Ward. No ano passado atravessou os EUA de bicicleta para angariar dinheiro.
Deram-lhe cinco anos de vida, depois do diagnóstico.

Iain Liam Ward tem um tumor cerebral e em abril do ano passado andou a pedalar pelos Estados Unidos, acompanhado por uma amiga. Partiu de Nova Iorque e rumou até Los Angeles, sendo que as duas cidades estão separadas por 5.500 quilómetros — o que significa que atravessaram o país de uma costa à outra. Pelo caminho, participaram em iniciativas de solidariedade e angariaram fundos que reverteram a favor de instituições que auxiliam pessoas com doenças oncológicas ou problemas de saúde mental.

A viagem de bicicleta foi registada e partilhada pelo próprio nas redes sociais, onde já soma mais de 4,5 milhões de seguidores. Ward também se tornou conhecido por publicar vídeos de motivação e humorísticos, onde demonstra que nem o cancro o desanima. O nome que utiliza, “TheKingOfChemo”, qualquer coisa como “O Rei da Quimio”, retrata o que motiva.

Após o êxito da primeira aventura, aos 34 anos, Iain já tem um novo desafio em mente. Desta vez propõe-se a cumprir a World Marathon Challenge, mais conhecida como a prova dos sete. O objetivo é completar, em sete dias, sete maratonas espalhadas pelos sete continentes.

“Prefiro viver uma vida mais curta, onde sei inquestionavelmente o que é importante para mim a cada minuto, do que viver até aos 80 anos sem saber porque fui colocado na Terra. A missão é arrecadar mais dinheiro do que qualquer outra pessoa. Este ano, vou bater o recorde do Guinness de fundos solidários recolhidos para correr uma maratona”, contou na sua página de Instagram, a 11 de abril.

O valor mais alto jamais angariado ascende a dois milhões e setecentos mil euros. Para o ultrapassar, Ward conta com a associação American Cancer Society, e com todos os que se quiserem juntar à causa.

“Após a epidemia de Covid,-19 as pessoas têm pouco dinheiro extra para gastar, então optei por não pedir donativos. Apenas têm de seguir o meu canal, para se tornar grande o suficiente para poder pedir ajuda às empresas. Elas vão ajudar-me e, desta forma, ninguém terá de gastar nada a título individual, a menos que o queira fazer. Tenho cancro no cérebro, mas não sou louco, não vou impedi-lo de doar se o quiser fazer.”

O desafio vai acontecer apenas que será em outubro, ainda sem data exata de início, mas a campanha de angariação de seguidores arrancou na passada sexta-feira, 14 de junho. A estratégia tem passado por republicar alguns dos vídeos que o tornaram conhecido quando descobriu que estava doente, em 2020, para que se tornem virais. O primeiro (dos 30 que serão divulgados ao longo de um mês), já conta com quase sete milhões de visualizações.

 
 
 
 
 
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Como descobriu a doença

Iain Liam Ward descobriu que tinha um tumor cerebral terminal após ter participado num ensaio clínico. Disseram-lhe que, devido ao tumor no cérebro, teria apenas cinco anos de vida. Desde então, assume abertamente que quer angariar mais seguidores, não porque procura a fama, mas porque à medida que os números crescem nas plataformas, aumentam também as possibilidades de estabelecer novas parcerias.

“Podia ficar muito irritado com a má mão de póquer que me calhou, mas, ao mesmo tempo, é quase arrogante da minha parte não olhar para a outra mão de póquer surpreendente que também recebi.” Apesar do cancro, sente-se grato por a doença ter sido detetada antes de ter experienciado quaisquer sintomas.

Gosta de ver o lado positivo de tudo. Apesar das adversidades, diz, a brincar, que agora pertence a um “clube de elite” após ter sobrevivido a uma craniotomia, um procedimento que remove uma parte do osso do crânio para expor o cérebro.

Natural da Irlanda, mudou-se para Londres quando tinha cerca de 20 anos. Estudou enfermagem, mas não gostou do curso e acabou por se licenciar em ciências do desporto, área que exercia ao “dar aulas de ginástica, trabalhar num ginásio e depois a ensinar os miúdos a fazer movimentos desportivos básicos”, conta em entrevista ao site “tubefilter”.

Ainda assim, para matar o tempo livre, começou a participar em ensaios clínicos, e foi por meio de um deles que descobriu a doença. “É engraçado, porque até já tinha feito um ao cérebro que não tinha detetado nenhuma anomalia. Só depois do segundo, que era mais profundo e específico, é que me mandaram fazer uma ressonância magnética porque detetaram algo.”

Ao início disseram-lhe que era um tumor benigno, mas rapidamente perceberam que crescia a grande velocidade e que precisavam de começar os tratamentos rapidamente. Este momento coincidiu com o facto de ter começado a fazer vídeos de jogos para o YouTube com o seu colega de casa.

“Chegou uma altura em que pensei que tinha mesmo de falar disto. Se ia fazer uma cirurgia no cérebro e ia ficar com uma cicatriz na lateral da cabeça que se ia ver, não ia ter como não falar. Decidi que tinha de mencionar o elefante na sala, caso contrário iria ser muito estranho.”

Foi aqui que começou toda a sua jornada. Rapidamente percebeu que podia aproveitar aquela exposição para algo benéfico e então começou a recolher fundos. Só em 2024, já arrecadou “cerca de um terço de milhão”, o que é significativo, mas continua longe de conseguir bater o recorde de dois milhões e setecentos mil euros, o objetivo a que se propôs.

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