Turismos Rurais e Hotéis

Airbnb dá dicas para adaptar alojamentos a estadias longas — e atrair novos nómadas

Num ano complicado para o setor, a plataforma quer ajudar quem tem espaços a aproveitar aquela que é a nova grande tendência.
O teletrabalho e mudar de ares não precisam de se excluir.

No final de 2020, quando as empresas do setor do turismo e cidadãos comuns com casas para alojamento local continuavam a fazer contas às quebras enormes de rendimentos, a Airbnb já lançava a dica: a nova grande tendência era a dos nómadas digitais e já se começava, também, a refletir no alojamento local.

Segundo um estudo feito nos EUA e citado então pela plataforma, 74 por cento dos americanos em teletrabalho, entrevistados em setembro do ano passado, considerariam fazer um ‘work-cation’ (trocadilho com “vacation”, ou “férias”, em português), na sua cidade ou fora dela, simplesmente para mudarem de ares, obrigarem-se a sair de casa, ter outras condições para trabalhar, o que fosse.

Além disso, quase metade (46 por cento) dos entrevistados, entre pessoas que trabalham remotamente nos EUA, diziam mesmo já ter usado a plataforma de alojamento local para encontrar um destino de trabalho remoto.

Das muitas mudanças que a pandemia trouxe, a do teletrabalho será, têm afirmado vários especialistas, das que mais vieram para ficar. As empresas, se as funções são compatíveis, poupam despesas de espaços e serviços; as reuniões em plataformas como o Zoom tornaram-se o novo normal; e as pessoas ganham mais tempo em família, passam menos horas nos transportes individuais ou coletivos. No limite até poluem menos o planeta, ao reduzir as deslocações.

Além disso, há uma grande e óbvia vantagem do teletrabalho: não precisa de ser necessariamente em casa, pode até ser num local remoto ou paradisíaco, desde que haja condições (e dinheiro) para tal. Sabendo disso, vários destinos mundiais, das Caraíbas à Croácia, já começaram a oferecer melhores condições em termos de vistos e processos burocráticos para estes chamados “nómadas digitais”, ou pessoas que conseguem trabalhar a partir de qualquer sítio.

Por outro lado, os hotéis e turismos rurais, estagnados pela pandemia, começaram a criar pacotes especiais de longa duração; e até o alojamento local vê nesta uma nova aposta — e incentiva agora os proprietários a fazerem o mesmo, para rentabilizarem os seus alojamentos.

“Fazer as malas e descobrir o mundo sem ter de tirar férias é um tipo de vida com que as almas viajantes sonham há muito e, devido a tudo o que a pandemia trouxe, algumas serão capazes de o tornar realidade”, lembra a Airbnb num comunicado. Segundo a plataforma, a rápida adoção e aceitação do teletrabalho tornou possível a um maior número de pessoas realizar o sonho de viver e trabalhar a partir de qualquer lugar.

“Viajantes de todos os tipos lançaram-se a experimentar este novo estilo de vida: famílias, casais seniores, grupos de amigos, solteiros”, acrescenta. Mas as suas preferências na escolha de um alojamento são muito diferentes das de um turista tradicional: sendo a principal delas que muitos deles querem estadias mais longas e passar mais tempo no alojamento.

De acordo com um outro inquérito realizado para a Airbnb, para 2021 os viajantes portugueses estão a olhar para um grupo de destinos domésticos em áreas rurais e de praia na plataforma em Portugal, mostrando que talvez haja um afastamento em relação às épocas tradicionais de férias, e uma preferência por destinos de escapadinhas de férias ao longo de todo o ano.

Por isso, se a dinâmica das estadias e a duração estão a mudar, “os alojamentos também devem mudar”, explica a plataforma. A empresa juntou-se a Guille García-Hoz, designer de interiores e influenciador, para conhecer todos os segredos que farão com que qualquer alojamento possa atrair os novos perfis de nómadas digitais. “Cada vez mais pessoas oferecem e procuram estadias longas e os conselhos podem ser muito válidos para aqueles que querem adaptar um anúncio; ou juntar-se a esta revolução no mundo das viagens”, tornando-se anfitriões, reitera.

“Transformar um alojamento num lar é a chave para atrair os novos nómadas digitais. É por isso que todas as minhas dicas se concentram em que os hóspedes passem de simples apartamentos turísticos a espaços ideais para estadias longas”, acrescenta por seu turno o próprio Guille García-Hoz. “Este é um bom momento para fazer uma revisão geral dos alojamentos e eu recomendaria que os anfitriões parassem, olhassem e pensassem no que lhes acrescentariam se fosse a sua residência principal.”

O especialista deixa então os seus dez conselhos para adaptar o seu alojamento a estadias de longa duração:

1 — Serviço de loiça bonito

Embora possa não parecer, uma boa loiça torna a vida mais agradável. As refeições estão presentes num dia de trabalho e é importante que o façamos com acessórios de que gostemos. Segundo o designer, não tem de ser um serviço de loiça caro: há opções de todos os tipos, cores e preços, só tem de apostar no estilo e durabilidade.

2 —Muita luz e iluminação quente

Num alojamento de fim de semana, os hóspedes pedem coisas diferentes do que em alojamentos de longa duração, frisa a Airbnb. Neste segundo caso, estarão obviamente em casa mais tempo e isso implica muitas coisas, mas uma das mais importantes é a iluminação. As mais adequadas para trabalhar, cozinhar, ler ou limpar são as luzes quentes.

3 — Livros e jogos

Para além dos típicos guias da cidade, é aconselhável deixar livros de leitura ou jogos de tabuleiro, tais como os que normalmente se encontram em casas de habitação. Desta forma, os hóspedes podem sentir-se em casa, quer estejam com a família ou à procura de um momento relaxante para esquecerem o trabalho e fazerem uma pausa com um bom livro.

A cozinha é muito importante.

4 — Espaço de armazenamento

Deixar espaço nas prateleiras, ter armários e algum espaço de armazenamento extra é algo particularmente importante no caso de um alojamento de longa duração, e algo que os hóspedes apreciarão quando reservarem uma estadia maior. É importante que tenham espaço extra onde possam guardar as suas coisas e bagagem sem qualquer problema.

5 — Espaço de trabalho

A característica óbvia dos nómadas digitais é o teletrabalho. Há por isso alguns detalhes que não devem ser esquecidos, frisa o especialista em design: a cadeira tem de ser confortável e de preferência com rodas, a sala ou espaço de trabalho deve dispor de um candeeiro flexível e outros objetos de secretária. Se o alojamento não tiver um canto funcional, é muito fácil adaptá-lo comprando uma secretária dobrável.

6 — Mobiliário confortável (para todo tipo de viajantes)

Além de bonito, o mobiliário deve ser confortável, especialmente para estadias longas. O objectivo é que os hóspedes possam relaxar no alojamento e sentir-se em casa. O colchão, o sofá, as cadeiras, tudo isso importa para quem planeia uma temporada longe de casa. 

7 — Acessórios acolhedores

Para que um alojamento se torne um lar onde os hóspedes desfrutem das suas estadias, é preciso cuidar dos detalhes. Acessórios acolhedores como cobertores quentes ou um aquecedor extra para o inverno e uma ventoinha para o verão são muito importantes.

8 — Boa ligação à Internet

Uma boa conexão é sempre essencial, mas agora é um dos requisitos primordiais de qualquer alojamento, por motivos óbvios. Justifica-se aumentar a capacidade se necessário, colocar repetidores e garantir que o código de acesso está escrito num lugar claro e acessível.

9 — Eletrodomésticos e mais utensílios para cozinhar

Se há uma divisão que seguramente os hóspedes irão aproveitar ao máximo durante estadias longas, é a cozinha. Por isso é importante que esteja bem equipada e não lhe falte nada, desde os utensílios mais sofisticados até aos panos de cozinha. É também essencial ter alguns eletrodomésticos como máquina de lavar roupa, forno ou máquina de lavar louça.

10 — Um kit de primeiros socorros na casa de banho para imprevistos

Na casa de banho de qualquer casa não pode faltar um kit de primeiros socorros. Ajudará os convidados a sentirem-se seguros em caso de acontecimentos imprevistos. Não devem faltar pensos rápidos, álcool, algodão, fita adesiva, gaze.

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