Na cidade

Ilha dos Amores: o segredo do rio Douro que é um sonho para o desconfinamento

A Ilha do Castelo, como também é conhecida, foi arranjada em 2020 pela autarquia de Castelo de Paiva e está ainda melhor.
É linda.

Paz, tranquilidade, natureza, isolamento. Se isto vier com um pouco de aventura, sol, água, o fator segredo e ainda um toque de romance, é basicamente tudo o que precisamos para uma primeira escapadinha em Portugal, quando já podermos viajar e circular. E tudo isto está num pedaço natural de terra, situado no meio do Rio Douro, no concelho de Castelo de Paiva.

A Ilha do Castelo, também chamada carinhosamente há séculos de Ilha do Amor devido a uma trágica lenda (já lá chegaremos), não será talvez um segredo para quem vive na região do interior norte do País; mas é certamente desconhecida de milhares de outros portugueses, apesar de ficar a pouco mas de 50 quilómetros do Porto e de ser absolutamente incrível.

Segundo a página oficial do turismo das Montanhas Mágicas (que une sete concelhos e as Serras de Montemuro, Arestal, Freita e Arada), a Ilha dos Amores, também conhecida como Ilha do Castelo, está enquadrada numa paisagem única, entre o maior rio da Península Ibérica, o Douro, e um dos seus mais limpos e selvagens: o rio Paiva.

Tal como acrescenta a Câmara de Castelo de Paiva no seu portal, aqui, nesta ilhota com 29 metros de altitude e 140 metros quadrados de dimensão, chegou a ser descoberta a estrutura de uma antiga Capela do Séc. XV, dedicada a São Pedro. A Câmara diz que ainda se conseguem ver na ilha as ruínas desta ermida, que viu novamente a luz do dia depois de umas escavações arqueológicas em 1998 terem posto “a descoberto as suas ruínas”.

Além disso, lembra o município, pensa-se que Ilha dos Amores tenha sido um ponto atrativo para o homem já desde a Idade da Pedra, sendo continua esta permanência na ilha desde então. “Existem vestígios arqueológicos que assim nos levam a crer; quer dizer que já em 5.000- 3.000 a.C. esta ilha era “habitada” ou pelo menos visitada pelos homens daquele tempo”, acrescenta.

No ponto mais alto da ilha, ainda existem também marcas de uma torre defensiva da Idade Média e é possível avistar três concelhos: Castelo de Paiva, Marco de Canavezes e Cinfães. É um verdadeiro oásis no meio dos rios com plantas rasteiras e árvores altas e imponentes. Por ali existem carvalhos, oliveiras, freixos, juncos e tamargueiras, entre outras espécies.

Mas há mais na sua história: como a NiT já lhe contou, antes da construção da barragem de Crestuma — Lever, a ilhota estava semi-ligada à margem direita do rio Paiva. Durante algum tempo, sobretudo no verão, era possível fazer a travessia a caminhar pelo areal. Com a subida das águas, ficou isolada.

Além de tudo isto e para adensar a mística, existe uma lenda antiga que lhe deu o seu segundo nome: e ela conta a história de um amor proibido entre um jovem lavrador e uma fidalga de sangue azul cujos encontros amorosos eram controlados pelo seu pai autoritário. Um dia um nobre pediu a mão da jovem e o lavrador ficou de coração partido com a possibilidade de perder o amor da sua vida.

Na altura, o casamento de conveniência era habitual e, num ato de loucura, o camponês decidiu tomar medidas extremas. Ao avistar o aristocrata a passear na beira do Douro, matou-o e depois atirou-o ao rio para apagar qualquer vestígio do crime. Com medo de ser descoberto e por saber que seria o suspeito número um do homicídio, escondeu-se na pequena ilha deserta. Algum tempo depois, quis ir buscar a amada e levá-la consigo para a ilha. Mas quando o casal atravessou o rio numa pequena embarcação em direção, formou-se uma tempestade e o rio engoliu a barca onde os dois estavam. Diz-se que terá sido o espírito do nobre a vingar a sua morte, e que assim nasceu o nome Ilha dos Amores.

Hoje em dia, adianta a autarquia, o espaço chama todos os anos visitantes sobretudo à procura de desportos náuticos ou mesmo para “acampamentos em período estival”. Até porque além de bonita, natural e facilmente acessível, a ilha é ainda complementada por infraestruturas que tornam agradável a  frequência do local, como uma piscina ao ar livre, apoiada por um bar, um pequeno areal e espaços de sombra.

Além disso, e apesar de ser conhecida por um romance trágico, a ilha continua a atrair muitos casais e até há quem lá se tenha casado. 

Como se isto não bastasse, no verão de 2020 a câmara realizou uma grande ação de limpeza da Ilha dos Amores do rio Douro, aumentando ainda as suas condições e a sua atração.

Segundo explicava, em julho do ano passado, a vereadora com o Pelouro do Turismo ao regional “A Verdade“, a ilha tem um “enorme potencial turístico”, sendo um local único no mundo.

Na ocasião, a vereadora Paula Melo recordou que o local está equipado com ancoradouro para pequenas embarcações de recreio e mesas para piqueniques, tendo a autarquia paivense procedido também em 2020 ao enrocamento da ilha, para proteger o território da erosão provocada pela frequência de ondas formadas pela passagem de grandes embarcações turísticas e pela subida e descida no nível da água.

A autarquia tem ainda um percurso pedestre para os amantes de caminhada, de pequena rota, circular e marcado, com o nome desta Ilha: Com início e fim no Cais do Castelo, junto à Ilha, este tem uma distância de 7,25 quilómetros, um nível de dificuldade médio, com duração de cerca de dois horas e percorre os caminhos rurais e tradicionais de uma grande parte da freguesia. Mas se gosta deste tipo de atividades, os Passadiços do Paiva ficam a menos de meia hora de carro dali.

A melhor maneira de chegar à Ilha dos Amores é através de canoa ou com a ajuda de barqueiros locais, a partir do porto e Praia do Castelo, no município de Castelo de Paiva, distrito de Aveiro, no norte do País. 

Finalmente, para acomodamento, na região abriu em 2019 um já favorito dos visitantes: a Casa da Ilha, que tira o nome precisamente a esta ilhota e que fica perto da da praia fluvial do Castelo. De um dos quartos, escreve-se nas criticas do Booking.com, pode-se apreciar a paisagem envolvente com vistas para o rio Douro e diretamente para Ilha dos Amores. A casa também está no Airbnb e as noites rondam os 90€.

A Casa da Ilha.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT