Miúdos

10 brincadeiras educativas (e divertidas) para fazer em casa com os seus filhos

No Dia Mundial da Criança, a psicóloga infanto-juvenil Inês Afonso Marques deixa à NiT as suas sugestões.
Um quadro pode ajudar.

A brincar também se aprende. Esta é uma frase e um conceito que passa de geração em geração. Em fase de desconfinamento progressivo há, ainda, muitas crianças em casa com os pais, à espera de um regresso a normalidade que para muitas fases de ensino só chega em setembro.

E porque esta segunda-feira, 1 de junho, é o Dia da Criança, a ocasião é perfeita para ajudar muitos pais nas suas dúvidas mais recentes: como podem gerir o desconfinamento em segurança e assegurar as brincadeiras, em casa ou na rua, de forma segura para as suas crianças.

A psicóloga infanto-juvenil Inês Afonso Marques, é uma das especialistas que colabora com a Plataforma “Alimenta a Brincadeira“, um espaço virtual que está a ajudar os pais a saber como podem implementar uma alimentação equilibrada e também uma vida mais ativa para os seus filhos, através do brincar — algo indispensável para o crescimento saudável das crianças e, por vários motivos, por vezes difícil.

Inês acredita que os miúdos aprendem muito através do brincar: “ela [a criança] cresce de forma harmoniosa e desenvolve-se física, cognitiva, emocional e socialmente. As brincadeiras são uma espécie de janela para o mundo interior das crianças, logo uma forma dos pais conhecerem os filhos e acompanharem a forma como pensam, sentem e vivenciam o mundo.

Deste modo, através do brincar os pais podem ir percebendo como é que os filhos estão a gerir a realidade atual, compreender como se estão a adaptar a todas as exigências que a atual situação tem colocado às famílias, nomeadamente ao processo de confinamento e, agora, ao desconfinamento gradual.

“Através das brincadeiras as crianças expressam emoções, diminuem ansiedades, mostram a forma como compreendem o mundo, fazem perguntas, partilham dúvidas, constroem sentidos e significados. Ao brincar, a criança dá forma aos seus pensamentos, ao que observa à sua volta, exprime as suas emoções, interpreta o que acontece consigo e com os que a rodeiam e ensaia comportamentos”, explica a psicóloga.

Como a criança também aprende através das atividades lúdicas, os pais poderão sentir-se mais tranquilos com a interrupção da escola nos moldes tradicionais, pois através das brincadeiras que faz, a criança está efetivamente a desenvolver imensas competências e a adquirir conhecimentos vários.

Finalmente, as brincadeiras entre pais e filhos são também uma forma de fortalecer laços afetivos fortes, que fomentam o bem-estar da família. À NiT, Inês Afonso Marques propõe assim vários jogos para fazer com os miúdos, com a garantia de que estão a desenvolver capacidades — com a mais valia de explicar exatamente que competências cada brincadeira ajuda a desenvolver. As primeiras são sobretudo indicadas para miúdos entre os dois e os cinco anos e as segundas entre os cinco e os 12.

As brincadeiras estão também no seu livro “A brincar também se educa”, editado pela Manuscrito e da Alimenta a Brincadeira, onde foram validadas pelo Professor Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana, e que trabalha com crianças há mais de 40 anos.

1. Caixa Mistério

O objetivo desta brincadeira é construir e decorar uma caixa (por exemplo, de cartão), perfurada na lateral de modo a que as mãos e braços da criança possam ser introduzidos para tocar e adivinhar os objetos misteriosos que se encontram no seu interior. É pensada para desenvolver a Perceção sensorial, o tato, a resolução de problemas, as relações interpessoais (convívio), entre outras capacidades dos mais pequenos. As regras detalhadas podem ser encontradas em alimentaabrincadeira.pt

2. O Rei Manda

Este jogo tradicional pode ser usado desde muito cedo, logo que a criança adquire algum controlo sobre os movimentos e até qualquer idade. Os adultos terão apenas de adequar a complexidade das ordens. Este jogo simples promove a adesão a normas e regras, permite treinar o controlo dos impulsos, potenciar o desenvolvimento da linguagem, da motricidade global e fina (consoante as ordens do rei), da imaginação (sempre que a criança é o rei) e do planeamento motor, por exemplo.

Para crianças pequenas, ordens simples: “O rei manda…” bater palmas, saltar, tocar nos dedos dos pés… Para crianças em idade pré-escolar, ordens simples, mas compostas: “O rei manda…” bater palmas e saltar, dizer o nome completo de olhos fechados, contar até dez enquanto descalça os sapatos. Quando a criança crescer, já mais velha, incluir ordens complexas e compostas, que impliquem maior controlo comportamental e mais atenção.

O telefone estragado, uma boa ideia.
3. Telefone Estragado

Esta brincadeira tradicional e popular pode ser jogada em família, em casa ou no exterior, e com vários participantes. É um jogo de comunicação interpessoal em que se transmite em cadeia uma frase ou palavra ao ouvido. O último participante a receber a mensagem deve revelá-la em voz alta para comparar com a frase ou palavra inicial escolhida pelo primeiro jogador. Será que a frase é a mesma do início? 

É a brincadeira ideal para treinar o desenvolvimento da perceção auditiva e das capacidades de atenção, concentração, memorização e linguagem. É também ideal para estimular as relações interpessoais.

4. Sessão Fotográfica

Trata-se de fazer uma sessão fotográfica em família em que todos vão fazer “caras” (expressão facial e expressão corporal), de acordo com o nome de emoções que escreveram, previamente, num papel e que colocaram num saco e que os adultos vão lendo. Todos assumem o papel de fotógrafo e modelo.

5. Coreografia

Uma brincadeira divertida para toda a família, que pode ser feita num jardim ou espaço exterior, ou em casa, não esquecendo de preparar a divisão, arrumando de forma conveniente os móveis, cadeiras e deixando espaço livre para dançar.

As regras são simples: experimentar dançar de uma forma criativa de acordo com diferentes temas musicais de ritmos diferenciados. Podem começar com um período de experimentação livre em que cada participante e terminar com uma pequena coreografia em família. Ideal para trabalhar a perceção espacial e temporal, o equilíbrio e expressão corporal, a coordenação motora e sobretudo a criatividade e as relações interpessoais. 

6. Quantos-Queres das Emoções

Recordando a infância dos pais, deve-se construir e brincar com “quantos-queres”, neste caso um “quantos-queres das emoções”.
Na “face” exterior, deve-se escrever o nome das emoções e na “face” interior diferentes desafios.
Algumas sugestões:
Confiante – conta uma situação em que te tenhas sentido confiante, mas depois o que esperavas não aconteceu.
Preocupado – relata uma situação em que te tenhas sentido preocupado e como fizeste para te tranquilizares.
Triste – O que podes fazer quando vês um amigo triste?
Zangado – Já aconteceu ficares zangado contigo? Conta o que aconteceu.
Permite desenvolver competências de planeamento e de motricidade fina na construção, assim como dimensões associadas a emoções, como a expressão e a regulação emocional.

7. Stop

O jogo onde a velocidade de reação e a memória são fundamentais. Em rondas, cada criança tem que ser a mais rápida a preencher uma tabela com palavras relacionadas com os temas escolhidos e que iniciem com a letra do alfabeto que vai sendo selecionada. Quem obtiver o total mais elevado de pontos com as palavras que escreveu em cada uma das rondas, ganha o jogo. As regras são simples e todos podem jogar.

8. Origami

Fazer corridas de aviões de papel é sempre a brincadeira ideal para uma tarde bem passada, utilizando apenas materiais simples que temos em casa. Pode ainda criar brinquedos e jogos, utilizando apenas técnicas de dobragem/origami, sem recorrer a cortes ou colagens. Mas destas, is aviões de papel são sempre o brinquedo mais divertido de construir e que permite prolongar a brincadeira através de corridas de avião. E é simples de fazer: basta ter uma folha de papel A4 e fazer as dobras indicadas neste esquema. A brincadeira permite trabalhar a coordenação visual e motora, bem como a expressão plástica.

9. Mural dos Elogios

Num local visível e de fácil acesso, deve colocar algo que possa funcionar como um quadro de registos (um quadro de giz no corredor ou uma grande folha de papel no frigorífico, por exemplo). Sempre que algum elemento da família se sente satisfeito, orgulhoso ou agradecido deverá deixar registada a sua satisfação no mural dos elogios, dirigindo-se a quem lhe causou a sensação de bem-estar.
Pai, obrigada pelas sugestões para o meu trabalho de Ciências.
Filho, a tua ajuda para fazer ontem o jantar foi preciosa.
Filha, adorei teres arrumado o quarto e a tua roupa sem ser necessário pedir-te,
Permite estreitar laços afetivos e fomentar uma autoimagem positiva.

10. Trava-Línguas

Um tigre, dois tigres, três tigres. Dizer com rapidez e clareza é o objetivo das brincadeiras como o Trava-Línguas. Os trava-línguas têm, na sua maioria, origem na cultura popular. São frases ou versos, cujo principal desafio é serem reproduzidos com clareza e rapidez, uma vez que são de pronúncia difícil devido à grande concentração de sílabas similares ou formadas com os mesmos sons. É um bom desafio para praticar em família, em qualquer lugar.  

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