Guilherme Rafael não conhece outra vida senão aquela que está ligada aos animais. Desde pequeno que o jovem, natural de Castelo Branco, se habituou a acompanhar o avô no campo. Aproveitava para estar sempre em contacto com a natureza e, claro, observar as aves que ia encontrando pelo caminho.
O interesse nunca perdeu força — antes pelo contrário. Aos 12 anos, Guilherme decidiu criar o podcast “Voz Nativa”, no qual falava sobre as faunas da Península Ibérica. Agora, mais precisamente este ano, descobriu uma nova paixão: a fotografia de vida selvagem.
“Comecei a fotografar porque recebi uma câmara no Natal”, conta à NiT o jovem, atualmente com 14 anos. “Fotografo maioritariamente aves, mas também aposto na sorte para ver o que é que me aparece à frente. Às vezes, encontro mamíferos, mas é mais raro”.
Guilherme tem usado uma câmara Canon R10, com uma lente de 400 milímetros, para as aventuras na natureza. Até à data, os seus animais favoritos de fotografar têm sido as aves limícolas, ou seja, aquelas que vivem em zonas alagadas ou estuários.
“Já fotografei tanto no Algarve como aqui no distrito de Castelo Branco, onde vivo. Muitas vezes saio com os meus amigos para fotografar”, explica. “Às vezes é uma questão de ter sorte, porque um dia posso ir a um sítio que normalmente tem muitas aves e muita atividade, mas que pode não ter nada. Depois, vou noutros dias e já tem animais super interessantes.”
Uma das surpresas mais agradáveis aconteceu logo após a tempestade que se abateu sobre Castelo Branco no início do ano. Guilherme refere que, desde então, começou a observar com frequência várias espécies de gaivota na região.
“Nunca pensámos que fosse possível observar estas espécies aqui nesta zona”, confessa. “Nesta altura da tempestade, houve muitos danos na região, mas para a observação de aves foi uma coisa muito entusiasmante, porque realmente pode-se dizer que talvez tenha sido o marco do ano.”

Da fotografia à conservação
Durante as férias, Guilherme costumava ir fotografar quase todos os dias. Agora, com o regresso às aulas, tem-se aventurado mais aos fins de semana. Na maioria dos casos, junta-se a outros amigos fotógrafos, como Pedro Toscano (pode ler também a entrevista da NiT ao jovem).
Até à data, uma das suas fotografias favoritas foi tirada em Vilamoura, quando estava de férias no Algarve. Logo nos primeiros dias na região, o jovem começou a avistar alguns indivíduos de Garça-branca-pequena. Houve um dia em que, ao chegar da praia, viu uma delas em repouso.
“Fui a correr buscar a câmara porque vi que estava uma luz perfeita para uma foto interessante”, recorda. “As garças são talvez o grupo de aves mais difícil de se aproximar porque são muito desconfiadas. Nesse caso, ela estava ao nível da câmara e fui-me aproximando até uns dois metros dela. Ela deu-me meio segundo para tirar fotografias e voou para a outra margem do canal.”
O jovem explica que a câmara tira 13 fotografias por segundo, o que ajuda a apanhar com maior certeza as aves mais ágeis. Mas neste caso, teve a sorte de conseguir seis imagens de uma das espécies mais difíceis de aproximar.

Um dos objetivos de Guilherme é concluir o ensino secundário e ir para o estrangeiro estudar Biologia. O jovem quer especializar-se na conservação e na ornitologia, ou seja, o estudo das aves. “As aves são realmente o meu fascínio, mas adoro todo o tipo de animais”, refere.
Atualmente, Guilherme refere que tem aprendido cada vez mais sobre o birdwatching e a fotografia. O português salienta que o hobby não é barato e há sempre forma de melhorar — seja a comprar um binóculo melhor, um telescópio ou outros equipamentos necessários para facilitar a atividade.
“Há estudos que indicam realmente que a observação de águas melhora a saúde mental das pessoas. Nunca tive qualquer problema com isso, mas realmente é uma atividade que me traz uma paz bastante interessante”, confessa.
Além disso, Guilherme refere que o hobby tem ajudado a que saia de casa com mais frequência. “Hoje em dia os jovens estão cada vez mais fechados em casa e acho que é um pouco triste. Há tanta coisa para explorar”, diz. “Não é propriamente fácil encontrar pessoas da minha idade que tenham os mesmos gostos que eu ou que façam o mesmo tipo de atividade.”
Através do Instagram, onde partilha vídeos e imagens das descobertas em Portugal, Guilherme quer incentivar outros jovens a interessar-se pela conservação dos animais e não só.
“Não é propriamente fácil encontrar pessoas da minha idade que tenham os mesmos gostos que eu ou que façam o mesmo tipo de atividade”, refere. “Uma das grandes frases do David Attenborough é que se as pessoas não aprenderem quando são jovens, depois quando crescerem não vão ter vontade. Estamos num momento em que as alterações climáticas e a poluição estão a afetar a biodiversidade. O que é que será disso daqui a 20 anos, quando a minha geração estiver a trabalhar? O mundo não é só nosso, é deles também.”
Pode acompanhar o trabalho de Guilherme através do Spotify e do Instagram.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias tiradas por Guilherme Rafael.








