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Este pai transformou as conversas hilariantes com a filha em animações no Instagram

Em "Choro, Senso e Birra" os desenhos parecem profissionais e as histórias boas demais para ser verdade — mas são mesmo.
A filha.

Ele é uma espécie de Banksy do mundo da paternidade nas redes sociais — conta até que uma amiga já lhe deu a alcunha de “Paiksy”, precisamente “Banksy dos pais”. Cedo percebemos que no desenrolar desta história e na informação para a podermos contar, não vamos ter nomes, idades, localidades. É apenas um pai, que nas conversas com a sua filha viu magia e necessidade de as partilhar — e encontrou a ferramenta certa para isso no seu talento para o desenho. O Instagram transformou-se numa espécie de tela virtual.

Em “Choro, Senso e Birra“, os desenhos parecem profissionais e as histórias boas demais para ser verdade — mas são mesmo. Esta é a nova conta do Instagram que todos os amantes de blogues de paternidade têm de seguir — e não só. Que o digam os mais de seis mil seguidores que já se juntaram à página em menos de quatro meses, de desconhecidos a famosos. Que o digam também os comentários, às dezenas, a cada nova publicação, alguns garantindo que se trata da “melhor conta de sempre”. 

O “Paiksy” não tem nome então — claro que o terá mas nunca o partilhará, já que não cede na sua privacidade e na da sua família. Diz apenas que é casado, nascido na Grande Lisboa, está nos seus “trintas” e é arquiteto. Tem duas filhas, com dois anos e nove meses de diferença entre ambas. Uma está quase nos quatro, a outra tem apenas meses.

A ideia surgiu quando, em 2020, a filha mais velha começou a “expressar-se mais e melhor”. Sempre que a ia deitar, já depois da história (normalmente Rua Sésamo), “o pai” diz que deixava tempo extra para o diálogo correr livremente: “Tínhamos sempre uns 10 a 15 minutos de conversa livre”, conta à NiT.

Foi nessas conversas que, dia após dia, começou a ouvir tantas “pérolas” que se lembrou que podia ser boa ideia começar a gravar em áudio com o telemóvel, para mostrar à filha quando ela crescesse. Em 2021, quando já tinha algum material gravado, achou que podia ser interessante animar essas frases hilariantes. E assim nasceu o “Choro, Senso e Birra”.

O objetivo da página é, explica-nos este lisboeta, “simplesmente mostrar conversas reais e normais” entre uma filha e o seu pai. “Que mostrem as dúvidas e certezas próprias duma criança daquela idade. Temáticas que vão desde a morte aos namorados, acho que qualquer pessoa se conseguirá identificar com elas”, adianta.

O nome da página surgiu a partir de uma frase da filha mais velha, quando afirmou que “os Três Rei Magos levem soro, senso e mirra”, como se pode ver no episódio quatro intitulado “Reis Magos”.

“Achei piada em adaptar essas três palavras para um nome mais abrangente e transversal a toda a temática da página”.

De resto, tudo vai fluindo: “A minha filha dá o conteúdo e eu faço o resto. Dos desenhos à animação, é tudo feito por mim”. É precisamente a animação e as legendas que atraem grande parte dos comentários. Além de, claro, as graças inesperadas e o português meio atabalhoada de uma criança a crescer, a devorar e a interpretar o mundo.

Já a sua mulher “acha graça”, mas talvez pense que “o pai”, como se auto-intitula, perca demasiado tempo com a conta. “Mas isso já sou eu a supor”, acrescenta.

De qualquer forma, o projeto e o feedback justificam o seu entusiasmo. Tem corrido melhor “do que qualquer boa expetativa que possa ter tido”, com os seguidores a crescer, às centenas, dia após dia. “É inacreditável”, confessa.

Neste contexto de fama instantânea, o “Paisky” quer continuar a publicar animações de conversas, uma vez por semana. Entretanto, a irmã mais nova da estrela dos episódios irá começar a falar e possivelmente haverá bons diálogos entre elas, por isso, o melhor até pode estar para chegar.

Entretanto, “o pai” conta-nos uma história que não está registada e que nunca saiu na página.

“Pai sai do banho. A minha filha entra na casa de banho a pedir para “pazer xixi”. Olha para o pai e diz: o pai tem um pipi cenoura! O quê? — disse eu. Ah enganei-me, era p’linha”

“A filha” tinha apenas dois anos e 11 meses.

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