Miúdos

A Quinta Pedagógica dos Olivais é o paraíso dos miúdos (e dos pais também)

Podem participar em várias atividades, como a lavoura, manutenção da horta, tarefas do dia a dia dos animais ou fazer pão.
Tem muitos animais.

Os miúdos que vivem no campo, sonham com o dia em que pisam as ruas das grandes cidades, cheias de prédios altos, cafés e lojas por todo o lado. Já os que crescem em áreas urbanas, anseiam por conhecer todos aqueles animais que podemos encontrar nas zonas rurais.

Nem sempre é fácil para os pais conseguirem levar os filhos a conhecerem aldeias afastadas da capital e, felizmente, existem várias alternativas que lhes permitem concretizar o sonho dos miúdos sem irem muito longe. Uma delas é a Quinta Pedagógica dos Olivais, em Lisboa. De portas abertas desde abril de 1996, são mais de 20 anos a fazer os mais novos felizes — e esse sempre foi o principal objetivo.

“É um projeto da Câmara Municipal de Lisboa e a ideia era mesmo trazer um pedaço de campo para dentro da cidade e proporcionar aos lisboetas, e não só, o contacto com os animais e com os espaços verdes típicos de uma quinta”, começa por contar à NiT Elmira Leal, responsável de comunicação do espaço.

Com a necessidade de manter viva uma realidade cada vez mais distante e desconhecida dos miúdos que nasceram e vivem na cidade, procuram ligar o mundo urbano e o rural, num lugar privilegiado. Mais do que um local de lazer, esta quinta pedagógica pretende transmitir conhecimentos de forma lúdica e recreativa.

 “Temos a horta e o pomar, ambos estes espaços podem ser visitados livremente. É possível ver fruta da época e os legumes, para que os mais novos percebam que não existem só dentro de uma caixa nos supermercados. Também temos um espaço dedicado às ervas aromáticas e outros mais ligados à agricultura”, explica.

Além da horta e do pomar, é possível conhecer mais de 80 animais, entre vacas, burros, ovelhas, cabras, porcos, cavalos, patos e galinhas, e participar em atividades próprias de uma quinta. Uma das características destes animais é que, na sua maioria, são de raças autóctones portuguesas — algumas delas em risco de extinção.

Nos espaços verdes vai encontrar, por exemplo, ovelhas campaniças, cabras de raça algarvia, suínos de Alcobaça ou burros mirandeses. O animal mais antigo da quinta é o Buxo, um burro mirandês que nasceu em maio de 2006 e é “embaixador da primeira raça portuguesa a ser protegida pela União Europeia, por constituir património genético, ecológico e cultural único”.

Em cada dia da semana, deixam andar à solta uma das quatro raças de galinha — a amarela, a branca, a preta lusitana e a pedrês portuguesa — para dar ainda mais dinâmica ao espaço. Apesar da má fama, os gansos também costumam andar livremente e até são conhecidos como os guardiões da quinta: “andam sempre em bando a inspecionar tudo”. 

“Tem sido uma preocupação nossa mostrar às pessoas que há raças diferentes no mundo inteiro e que nós, portugueses, também temos as nossas raças autóctones adaptadas a vários territórios”, explica a responsável de comunicação.

Abertos de terça-feira a domingo, recebem sobretudo grupos escolares, pais e até mesmo avós que acompanham os netos para um dia diferente. Até porque a Quinta Pedagógica dos Olivais não é só para miúdos: há experiências acessíveis a todos. 

Temos várias atividades destinadas a crianças, como acompanhar o veterinário por uma hora, onde vão perceber as tarefas básicas e escovar os burros. Podem fazer a descoberta da ovelha, onde ficam a conhecer mais sobre o animal e depois podem limpar o prado”, conta. Depois, há ainda atividades ligadas à agricultura biológica, onde podem ir para a horta semear e colher frutas.

Uma das experiências mais procuradas é a da cozinha, onde a família inteira pode aprender a fazer pão ou biscoitos tradicionais. A preservação do ambiente e a manutenção de um estilo de vida saudável também são preocupações crescentes que se refletem nas várias atividades dinamizadas na quinta.

“Temos muitas atividades ligadas à sensibilização ambiental, tentamos conjugar um bocadinho de tudo. É importante falar sobre preservação e reciclagem, por isso tentamos que todas as nossas atividades estejam ligadas ao conceito de sustentabilidade para transmitir conceitos importantes”, diz.

Embora estejam abertos há mais de 20 anos, continuam a inovar e a fazer crescer o espaço. Recentemente construíram um alojamento para insetos, feito com materiais reciclados e naturais e com as iniciais da quinta. “O hotel pretende atrair insetos polinizadores que nos ajudam a manter este nosso ecossistema e a combater pragas de forma natural”, explica Elmira.

Mesmo junto ao alojamento local para os insetos, encontra-se um outro espaço chamado a Casa do Vicente. Foi construída para um cão que esteve na quinta durante muitos anos, o Vicente, mas “infelizmente não conseguiu usufruir dela”. Assim, aproveitaram e deixaram que outros patudos fossem felizes ali. “Resolvemos dedicar esse espaço aos cães que procuram uma casa e que estão na Casa dos Animais de Lisboa. Temos tido muitas histórias de sucesso, de cães que vêm para aqui e encontram uma família. Há muitas pessoas que querem adotar, mas às vezes tendo um contacto mais direto, podem ficar mais sensibilizadas”, sublinha.

A entrada na Quinta Pedagógica dos Olivais é gratuita, bem como todas as atividades. A diferença é que a participação nas experiências requer inscrição prévia, que pode ser feita através do número de telefone 218 550 930 ou do e-mail qpo.marcacoes@nullcm-lisboa.pt. 

De seguida, carregue na galeria para ver alguns dos animais que pode encontrar nesta quinta na cidade.

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