“Olá, gatinhos e gatinhas”. É desta forma que António Xavier Oliveira, mais conhecido por Xavier Monstrinho nas redes sociais, inicia todos os vídeos que partilha. Com apenas seis anos, o português tornou-se um fenómeno, juntando mais de 1,5 milhões de seguidores no TikTok e cerca de 100 mil no Instagram.
“Não estávamos à espera, foi tudo muito repentino”, confessa à NiT Cláudia Oliveira, mãe de Xavier, de 46 anos. A professora de inglês, natural de Viseu, refere que tudo começou quando o pequeno tinha quatro anos e as irmãs, Gabriela e Juliana, hoje com 17 e 16 anos, respetivamente, começaram a incentivar o irmão a gravar vídeos.
Xavier começou a falar com apenas um ano e, aos dois, já “dizia frases inteiras”. A família percebeu desde cedo que o mais novo tinha jeito para a comunicação, além de ter uma personalidade extrovertida.
“Ele sempre foi muito engraçado, espontâneo e sempre se sentiu à vontade”, partilha Cláudia. “Como ele tem duas irmãs mais velhas, foram elas que incentivaram essa parte e ele foi sempre a ‘mascote’ dos amigos delas porque toda a gente o achava piada.”
As duas irmãs decidiram partilhar os vídeos engraçados de Xavier no Instagram e no TikTok, mas só no último ano é que os momentos do mais novo começaram a explodir nas redes sociais. No seu vídeo mais visto, Xavier apresenta toda a coleção de peluches de macaco que tem.
O sucesso deve-se, sobretudo, à forma natural como fala com o público. Inicia todos os vídeos com a frase “Olá, gatinhos e gatinhos” que, de acordo com Cláudia, já se tornou a imagem de marca do pequeno, tendo sido escolhidas pelo próprio. “Acho que a primeira vez que ele disse foi no Instagram. Começou a dizer sozinho e achámos piada, era uma forma engraçada de começar os vídeos”, explica.
Quanto à alcunha “Monstrinho”, não tem nada a ver com a sua personalidade. Aliás, Xavier é “muito bem comportado”. O nome surgiu quando estavam a criar a página nas redes sociais e foram à procura de uma palavra que soasse bem com o nome do mais novo.
@xavier_monstrinho Os meus macacos de peluche🧸🙊🦧#viral #fy #fypgakni #for #fyp ♬ som original – xavier (gerido pela mãe)
Quase todos os vídeos surgem a partir de ideias do próprio Xavier, com exceção dos poucos temas sugeridos por Cláudia e pelo marido, António Xavier, engenheiro de 48 anos, ou pelas irmãs. Ainda assim, é sempre o pequeno a escolher tudo o que quer fazer ou dizer, sem qualquer guião.
“Estamos todos orgulhosos dele, mas ainda não estamos bem com os pés assentos na terra do que é que isto [o sucesso] significa realmente”, sublinha. “Ele não tem qualquer noção, é super espontâneo a fazer os vídeos. Se percebêssemos que ele não gostava, não íamos insistir. Mas ele adora e não há nada preparado.”
Apesar da naturalidade de Xavier, os comentários negativos têm surgido com frequência. Afinal, muitas publicações do jovem juntam milhões de visualizações.
Até à data, um dos momentos mais desconfortáveis com que a família teve de lidar foi a utilização do áudio do vídeo onde Xavier fala sobre os seus peluches de macaco (com mais de 30 milhões de visualizações) para a criação de publicações racistas. O momento levou Cláudia a fazer um comunicado no TikTok a lamentar o ocorrido.
“Estamos a aprender a gerir tudo isso porque não é fácil ler coisas negativas”, frisa. “Eu e o António falamos muitas vezes e sabemos que não estamos a expô-lo, porque não revelamos nada pessoal, temos muito cuidado com isso.”
Por vezes, o sentimento de culpa pelos comentários mais negativos é inevitável, mas Cláudia tenta sempre pensar pelo lado positivo. “Ele é assim desde bebé, sempre gostou de falar e comunicar-se com os outros. Portanto, penamos sempre: será também que o mundo não precisava de ver que ele era assim?.”
Dos momentos cómicos ao sucesso no Brasil
Um dos momentos mais divertidos da infância de Xavier aconteceu quando tinha apenas dois anos. A mãe refere que já nesta idade, o pequeno conseguia formar frases completas. Além disso, tinha o dom de ouvir palavras novas e saber exatamente em que contexto as utilizar.
Houve uma noite em que a família estava sentada para jantar e uma das irmãs mais velhas começou a brincar com o nome de Xavier, a dizer que não era assim que o pequeno se chamava. Irritado, o mais novo novo disse: “Foda-se, o meu nome é Xavier”.
“Nunca o tínhamos ouvido dizer isso. Provavelmente, ouviu em algum contexto e soube aplicar quando estava com ‘raiva'”, recorda Cláudia. “Começámos todos com muita vontade de rir, mas não o fizemos à frente dele. Mas ele percebeu que queríamos rir e voltou a repetir.”

Outro momento caricato aconteceu quando já era mais velho e Cláudia foi pô-lo a dormir. Xavier tem o sonho de ser astronauta, mas há um problema: não quer sair de casa dos pais. A mãe deitou-se com o mais novo e, tal como é habitual, começaram a conversar. Cláudia disse-lhe que Xavier estava a crescer muito depressa e o mais novo, emocionado, começou a chorar.
“Ele não gosta que eu lhe diga isto, fica sempre triste porque não quer sair de casa”, aponta. “Depois, começou a dizer ‘Mamã, já não quero ser astronauta porque vou ter de ir para Nova Iorque e nunca mais vou querer sair daqui'”, conta, entre risos.
Para tentar tranquilizá-lo, Cláudia disse que os pais poderiam ir juntamente com Xavier para os Estados Unidos. Passados uns dias, o mais novo já começou a falar com o pai sobre os planos para se mudar para o país norte-americano.
Nas redes sociais, Xavier tem também uma grande comunidade brasileira, que comenta e partilha os vídeos do pequeno. Os utilizadores, muitas vezes, ficam encantados com a forma natural do miúdo de falar, além de serem conquistados pelo sotaque português.
Nos seus tempos livres, o Xavier adora andar de bicicleta e desenhar. “Depois, há aquela parte intelectual, gosta muito dos livros, aprendeu a ler sozinho, a cantar, a assobiar, a dançar e a montar LEGO”, refere. “Como tem duas irmãs meninas, também é mais sensível e não tem aquelas brincadeiras mais brutas.”
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