Na cidade

Metade dos trabalhadores imigrantes já abandonaram o Zmar

15 dos 28 que se encontravam no Zmar já foram realojados. Oito saíram também da Pousada da Juventude em Almograve.
Polémica instalada.

O presidente da Câmara de Odemira, José Alberto Guerreiro, revelou este sábado, 8 de mario, que já foram realojados 23 dos 49 trabalhadores agrícolas imigrantes que se encontravam no complexo turístico Zmar e na Pousada da Juventude de Almograve. De acordo com o autarca, citado pela agência Lusa, 15 dos 28 imigrantes que se encontravam no Zmar já foram realojados, o mesmo acontecendo a oito dos 21 imigrantes que se encontravam na Pousada da Juventude de Almograve. As residências foram disponibilizadas por 12 empresas agrícolas.

“Estamos neste momento em contacto permanente com outros empresários que já se mostraram disponíveis e, neste momento, já temos disponível capacidade para mais 10 desses imigrantes que estão nos dois espaços, mas essa situação [realojamento] só está garantida na próxima segunda-feira por, exatamente, ser só possível disponibilizar esses espaços a partir de segunda-feira”, disse ainda o mesmo responsável.

“Durante o dia de sábado e de domingo não haverá transferências, foi até vontade dos imigrantes que estão nestes dois espaços. A situação neste momento está muito tranquila”, adiantou.

O autarca explicou que todo este processo tem sido “mais célere” porque tem havido disponibilidade por parte das empresas, sublinhando que a autarquia tem desenvolvido contactos com os empresários para os sensibilizar para esta matéria.

José Alberto Guerreiro espera que sejam “desmantelados” todos os processos que envolvem situações ilegais, nomeadamente em relação à mão de obra e condições de habitabilidade dos trabalhadores imigrantes naquele concelho. O presidente da Câmara de Odemira enalteceu o trabalho desenvolvido pelas diversas entidades envolvidas nos processos de realojamento, sublinhando que está a ser dado um “sinal forte” à comunidade.

“Tenho a certeza de que nem tantos [proprietários de casas] daqui para a frente irão arrendar os seus fogos multiplicando pelas cabeças ou pelas camas o valor da renda que recebem. Eu tenho a certeza de que também muitas atividades ilícitas certamente não terão o mesmo espaço, o mesmo campo de ação, e tenho a certeza que tudo isso contribuirá para a normalidade”, disse.

“Odemira é um concelho que não é isto, Odemira tem muita atividade agrícola, é a principal, mas também tem uma grande oferta turística, que também contribui para o PIB com muitos milhões, também tem muita atividade cultural, de recreio, aqui há espaço para todos”, afirmou.

Na quinta-feira, em Conselho de Ministros, o Governo decidiu que a cerca sanitária aplicada nas freguesias de São Teotónio e Longueira-Almograve iria manter-se, devido à incidência de casos de Covid-19, mas com “condições específicas de acesso ao trabalho”. As entradas e saídas para trabalhar ou apoiar idosos nestas duas freguesias de Odemira são permitidas desde as oito horas de hoje, mas ficam dependentes de teste negativo.

Já esta sexta-feira, 7 de maio, o Supremo Tribunal de Justiça suspendeu a requisição civil decretada pelo governo e deu razão à defesa dos proprietários do Zmar, no âmbito de uma providência cautelar interposta pelo seu advogado. Entretanto, este advogado afirmou que a intenção da mobilização dos proprietários não era de “expulsar” os migrantes que lá se encontram. O governo estará a preparar uma contestação à decisão.

Conheça aqui toda a história do Zmar: o resort dos incêndios, dívidas, protestos e histórias mal contadas.

 

 

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