Reduzir o tempo de ecrã é um dos objetivos de Ano Novo para muitos. No entanto, deixar o telemóvel e outros aparelhos tecnológicas de lado nem sempre é fácil, até porque estamos demasiado habituados e dependentes deles na nossa rotina. Em certos casos, até parecem uma extensão do nosso corpo — mas é preciso saber os riscos e limites do seu uso excessivo.
Este sábado, 10 de janeiro, a versão portuguesa do The Offline Club, um projeto que se dedica a organizar atividades sem telemóvel, vai juntar-se a uma iniciativa global criada pelo próprio grupo. O objetivo é que, durante 24 horas, todos os participantes façam um detox digital em conjunto.
O desafio tem hora marcada, mas não vai acontecer em nenhum local específico. Quem quiser participar, pode escolher o melhor sítio para o fazer — pode ser em casa, num parque, num restaurante, num bar ou onde quer que se sinta mais confortável.
Tudo começa pelas 21 horas deste sábado, dia 10, e prolonga-se até às 21 de domingo, 11 de janeiro. À NiT, uma das representantes da iniciativa em Lisboa, Joëlle Hartog, de 31 anos, explica que a ideia é simples: “Convidar as pessoas a desligarem-se intencionalmente dos seus ecrãs durante um dia inteiro e a redescobrirem o tempo, a calma e a ligação humana genuína”.
O “Desafio Global Detox Digital de 24 Horas” vai ser promovido pelas várias ramificações do The Offline Club espalhadas pelo mundo. Além de Lisboa, vai decorrer em cidades como Amesterdão (Países Baixos), Londres (Reino Unido), Paris (França), Madrid, Barcelona e Valência (Espanha), Milão (Itália), Berlim, Colónia, Hamburgo e Munique (Alemanha), Copenhaga (Dinamarca), Istambul (Turquia), Viena (Áustria) e Zurique (Suíça).
“Todas as cidades que possuem um núcleo local do The Offline Club estão a participar ativamente no desafio, enquanto as pessoas em muitos outros locais estão a aderir de forma independente”, refere a neerlandesa Joëlle.
Em 2024, a representante refere que participaram “mais de cinco mil pessoas”, sobretudo da Europa, da América do Norte e da América do Sul, mas também de outros continentes. “Este ano, o desafio decorre em simultâneo em todo o mundo, incluindo em Lisboa”, partilha.
Ao contrário das outras atividades que organizam em Lisboa (todas presenciais), o detox digital foi pensado para ser descentralizado, de forma a permitir que as pessoas dentro e fora da capital portuguesa participem onde se sintam mais à vontade. De forma a tornar a experiência menos aborrecida, o The Offline Club Lisbon está a oferecer um Guia de Inspiração e Preparação que pode ser impresso.
Ali, os participantes encontram ideias do que fazer longe dos aparelhos, como “leitura, escrita no diário, atividades criativas, caminhadas, reflexão, momentos de qualidade com pessoas queridas ou simplesmente descanso.” Para obtê-lo, basta comentar na publicação abaixo.
“O desafio é totalmente gratuito. Quer as pessoas se inscrevam oficialmente ou simplesmente decidam deixar o telemóvel de lado durante um dia, a intenção é a mesma: tornar o tempo offline acessível e incentivar o maior número possível de pessoas, em Lisboa e em todo o mundo, a reconectarem-se com a vida real”, frisa.
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Como tudo começou
Além de Joëlle, o The Offline Club Lisbon tem como representante Lilly Parla, de 25 anos e natural do Minnesota, nos Estados Unidos. A ideia de entrarem para a equipa do projeto, que nasceu em fevereiro de 2024 em Amesterdão, nos Países Baixos, surgiu quando descobriram que os fundadores estavam à procura de representantes em Lisboa.
Lily e Joëlle mudaram-se para a capital portuguesa na mesma altura, há cerca de dois anos e meio. A norte-americana veio terminar os estudos em Gestão e Marketing Estratégico, enquanto a neerlandesa veio com o namorado, após passarem vários meses a viajarem na América do Sul e decidirem que queriam viver num país onde tivessem bom tempo e um modo de vida mais leve.
Ambas conheceram-se, por acaso, numa loja da Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA), enquanto tiravam o NIF. Descobriram que viviam quase na mesma rua em Lisboa e, desde então, tornaram-se inseparáveis. Este ano, decidiram mandar as candidaturas para o The Offline Club.
“O projeto recebeu várias mensagens de pessoas a pedirem que fossem criadas atividades em Lisboa e os fundadores decidiram avançar com a ideia. Mais de 300 pessoas candidataram-se. Quando fomos sorteadas, foi uma surpresa”. O conceito é simples: criar atividades em espaços públicos e privados que promovam o convívio longe do telemóvel. Em Lisboa, a primeira iniciativa aconteceu no final de setembro e bastou um vídeo viral no Instagram para esgotá-la.
Para tornar as experiências mais realistas, todos os telemóveis são colocados num “hotel de telemóveis” (uma espécie de cacifos) à entrada de cada atividade organizada pelo projeto. Os aparelhos só são devolvidos no final.
Pode acompanhar todas as atividades da vertente portuguesa do projeto no site oficial. Leia também o artigo da NiT para recordar a história de Lilly e Joëlle.
Já que está por cá, carregue na galeria para conhecer oito sugestões de alojamentos por todo o País, incluindo as ilhas, para testar o detox digital ao som de pássaros e sob as estrelas.

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