Na cidade

A arte entra em campo: Vhils, Bela Silva e Joana Vasconcelos “jogam” no Estádio da Tapadinha

As novas obras foram apresentadas esta sexta-feira para assinalar o lançamento do projeto MAAT + Atlético.

O Estádio da Tapadinha, em Alcântara, ganhou uma nova vida graças ao projeto “MAAT + Atlético”, uma iniciativa da Fundação EDP em parceria com o Atlético Clube de Portugal, com curadoria do MAAT. O objetivo é transformar um dos recintos desportivos mais emblemáticos de Lisboa num espaço onde a arte contemporânea, o desporto e a comunidade se cruzam, convidando tanto os adeptos habituais, como quem nunca ali entrou, a descobrir o estádio através de uma nova perspectiva. 

As peças foram apresentadas esta sexta-feira, 17 de julho, no histórico estádio do Atlético Clube de Portugal. De acordo com o MAAT, a iniciativa pretende promover intervenções artísticas em espaços que habitualmente não entram nos circuitos expositivos. O objetivo é, assim, “aproximar a criação artística de novos públicos”.

Entre as obras que ficarão instaladas permanentemente no espaço está “Scratching The Surface Project”, de Vhils. O artista criou um mural em baixo-relevo pensado especificamente para a Tapadinha, onde homenageia a história e a comunidade do Atlético Clube de Portugal.

Através da técnica de escavação da parede, a obra revela os rostos de figuras emblemáticas ligadas ao clube e funciona como uma espécie de linha do tempo visual, evocando mais de oito décadas de história e as várias gerações que ajudaram a construir a identidade da instituição.

Também a artista Bela Silva deixou a sua marca no estádio com “Dança na Relva”. A obra ocupa os dois lados da rampa de acesso ao recinto através de dois grandes painéis de azulejo que recebem os visitantes à entrada. A composição abstrata destaca-se pelas pinceladas expressivas e pelas cores do Atlético, criando uma ligação entre a linguagem da arte e o espírito coletivo que caracteriza o desporto.

A obra de Bela Silva.

Já Joana Vasconcelos apresenta “Solitário #3”, uma escultura monumental com oito metros de altura pertencente à Coleção de Arte da Fundação EDP. Construída a partir de jantes de automóveis e copos de uísque, a peça assume a forma de um gigantesco anel de noivado e simboliza a união entre a arte, o desporto e a comunidade. 

“Mais do que um programa de arte pública, esta iniciativa afirma-se como uma plataforma de encontro, capaz de ampliar públicos, fortalecer laços comunitários e promover o acesso à criação contemporânea em contextos inesperados”, diz João Pinharanda, diretor artístico do MAAT.

Já Vera Pinto Pereira, presidente da Fundação EDP, refere que o projeto representa “uma cultura aberta, acessível e capaz de criar novas ligações entre pessoas, comunidades e territórios”. E acrescenta: “Demonstra como a arte pode gerar novos encontros e novas formas de viver a cidade.”

“Solitário #3”, de Joana Vasconcelos.

Créditos da fotografia de destaque: Joana Linda. 

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