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A assustadora “nuvem prateleira“ que se formou nos céus de Ponte de Sor

Antecede ventos súbitos, chuva intensa e queda de granizo — sinais inequívocos de uma frente de tempestade com elevado potencial destrutivo.

O céu de Ponte de Sor foi palco de um fenómeno pouco habitual em território português durante a estação fria. Trata-se de uma cloud shelf (ou “nuvem prateleira”, na tradução direta), uma formação densa e horizontal que se impôs sobre o horizonte, este sábado, 16 de janeiro.

As imagens, amplamente partilhadas nas redes sociais pela Meteo Trás os Montes, registaram o momento em que o fenómeno de “rara intensidade meteorológica” se tornou visível. Este tipo de formação constitui um “indicador visual clássico” de uma frente de rajada associada a um sistema convectivo ativo“, segunda a explicação publicada pela plataforma de meteorologia.

Embora de aspeto ameaçador, diferencia-se das chamadas nuvens parede por surgir na periferia de uma tempestade e não no seu núcleo gerador. Em Portugal, outras ocorrências recentes deste fenómeno foram também observadas em Estremoz e noutras localidades do Alentejo, entre outubro e novembro do ano passado, em períodos de instabilidade atmosférica forte.

A formação de uma cloud shelf ocorre quando o ar quente e húmido junto ao solo é forçado a ascender de forma súbita após o encontro com uma corrente descendente fria, — o chamado downdraft —, ou com a chegada de uma frente fria. Este processo, típico de ambientes com grande contraste térmico entre camadas inferiores e superiores da atmosfera, favorece a condensação rápida do vapor de água, gerando a aparência alongada e ameaçadora que caracteriza a nuvem prateleira.

Fenómenos deste tipo, ainda que visualmente impressionantes, servem como alerta para condições meteorológicas potencialmente perigosas, sublinha a a Meteo Trás os Montes. A presença de uma cloud shelf antecede frequentemente ventos súbitos, chuva intensa, eventual queda de granizo e, por vezes, micro-rajadas — sinais inequívocos de uma frente de tempestade com elevado potencial destrutivo.

Embora sejam mais comuns no verão ou em regiões subtropicais, a sua ocorrência em pleno inverno no interior alentejano reforça a evidência de uma atmosfera cada vez mais dinâmica e imprevisível sobre o território continental, consequência das alterações climáticas.

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