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A discoteca abandonada na Foz do Arelho que marcou várias gerações

Fechou portas em 2013 e apesar de ter sido colocada à venda, acabou entregue às ruínas. Continua a ser uma memória da região.

Numa madrugada de setembro de 1996, Luís Romão repetiu a rotina de todos os fins de semana: recolheu parte dos lucros que tinha feito naquela noite na Green Hill, a discoteca onde trabalhava na Foz do Arelho, nas Caldas da Rainha, e voltou para casa.

Aquele dia, porém, não foi como os outros. Assim que chegou à porta da propriedade onde vivia, o empresário foi vítima de um assalto e acabou por ser baleado. O incidente deixou-o incapacitado e marcou o fim de uma era para a discoteca, que viria a fechar 17 anos mais tarde.

Hoje, todos os antigos clientes que passam à frente da emblemática Green Hill sentem uma certa angústia e nostalgia. A discoteca, que outrora se destacava pelas luzes e o som alto, passou a ser um edifício vandalizado, sem janelas ou qualquer proteção.

“Descobri a Green Hill através dos comentários de um vídeo anterior, onde muita gente falava deste espaço e despertou a curiosidade”, começa por contar à NiT Vasco Alves, um filmmaker de 23 anos que se dedica ao urbex (exploração urbana) e que visitou a discoteca em novembro passado.

O espaço é um dos locais abandonados mais conhecidos do nosso País. A primeira coisa em que Vasco reparou quando lá chegou foi na dimensão do edifício: “Além disso, fiquei impressiondo com o contraste entre o luxo de outros tempos e estado atual”.

A discoteca abriu portas na década de 80 e rapidamente se tornou num marco na região. Ao longo dos anos, o complexo foi sendo aumentado e, no seu auge, chegou a contar com uma pista principal (onde tocavam músicas comerciais), outra alternativa (dedicado a géneros como rock e alternativo) e um clube privado.

@vascormalvess Discoteca abandonada 🤯 #urbex #abandonedplaces #scary #herboxa @Herboxa Nutrition ♬ Cradles – Sub Urban

Em 2013, depois da tragédia que marcou a família proprietária e a crise económica da altura, o edifício foi oficialmente encerrado. A falta de receitas e os elevados custos de manutenção foram apontados, publicamente, como as principais causas.

Vasco refere que, atualmente, o ambiente no interior da discoteca é “pesado e nostálgico”, com pistas de dança vazias, restos de decoração, grafitis e sinais claros de vandalismo. Mas com uma “energia muito própria.”

“A entrada não foi propriamente fácil, exigiu cuidado e atenção, mas nada impossível”, sublinha. “O que mais me marcou foi imaginar o espaço cheio de vida e música, em contraste com o silêncio absoluto de hoje”, reforça.

Cinco anos depois de ter sido encerrada, a Green Hill chegou a ser colocada à venda por 1,2 milhões de euros. Nesta altura, o terreno e a localização chamou a atenção dos empresários que pensaram em construir um hotel na região. No entanto, o projeto nunca avançou.

Em 2020, o valor da propriedade baixou para 998 mil euros, até que terá perdido o interesse de toda a gente. Hoje, continua a ser visitada pontualmente por dezenas de pessoas — umas que ainda recordam os bons tempos do espaço e outras que só conseguem imaginar como eram as noitadas ali vividas.

Leia também o artigo da NiT sobre a discoteca Faraó, que também está abandonada em Torres Vedras.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias do estado atual da discoteca Green Hill.

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