A 12 de dezembro de 2005, uma fábrica de cerâmica no distrito de Coimbra fechou portas definitivamente. De um momento para o outro, quase 30 trabalhadores ficaram desempregados e foram para a rua reivindicar os seus direitos.
Hoje, o espaço industrial que outrora empregava dezenas de pessoas, está adormecido e consumido pela natureza. Tudo indica que os trabalhadores nunca chegaram a receber indemnizações por parte da empresa.
Vasco Alves, um filmmaker de 23 anos natural de Cascais, visitou em dezembro as instalações abandonadas da fábrica durante uma viagem de autocaravana pelo norte do País. “O espaço estava bastante degradado, muito vandalizado e cheio de entulho de cerâmica que ficou para trás”, conta à NiT. “Notava-se claramente o abandono”, diz.
Numa das paredes, um aviso deixado pela empresa ainda se mantém preservado. No papel, lê-se que a fábrica foi encerrada naquela data e que se mudou para novas instalações em Fátima.
Na altura, a imprensa local revelou que havia um protocolo para construir uma nova fábrica no Parque Empresarial de Eiras, que teria permitido manter a produção em Coimbra. No entanto, o compromisso não terá sido cumprido pelo proprietário. Os trabalhadores também discordavam desta transferência.
Ainda assim, a mudança de instalações prosseguiu, deixando 27 trabalhadores sem emprego. Há relatos que, desde abril daquele ano, os salários estavam atrasados e os profissionais nunca terão recebido qualquer indemnização.
Durante a mais recente visita, Vasco refere que o edifício parecia “estruturalmente sólido, mas completamente tomado pelo tempo e pela natureza”. No exterior, as paredes estão consumidas pela vegetação.
“Lá dentro encontrámos pratos, chávenas, canecas, copos e bules de cerâmica, muitos ainda intactos”, refere o jovem. No seu auge, a fábrica teve sucesso no segmento da loiça utilitária, que era vendida maioritariamente para hotelaria e restauração, mas também para consumidores particulares.
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A empresa terá surgido em 1922, altura em que o cenário da cerâmica era já dominado por marcas como a Vista Alegre (nascida em 1824) e a Empresa Electro-cerâmica, em 1919. Embora não apresentasse tantos riscos para as gigantes do setor, destacou-se, sobretudo, no mercado local.
Mais tarde, devido a graves dificuldades financeiras, a empresa chegou mesmo a ser comprada parcialmente pelo grupo Vista Alegre e pela Electro-cerâmica. Assim foi até o seu encerramento, em 2005.
Hoje, o edifício está parcialmente vandalizado e é muitas vezes utilizado por pessoas em condição de sem-abrigo. Durante a visita, Vasco encontrou colchões, roupas estendidas e até garrafões de água.
“A entrada foi um pouco intimidante porque era um espaço escuro, com pouca visibilidade, e tínhamos a sensação de que poderia existir alguém no interior, o que aumentou muito tensão no momento”, recorda. No entanto, o filmmaker e os amigos conseguiram entrar e sair sem ter contacto com outras pessoas.
Leia também o artigo da NiT sobre uma escola abandonada em Lisboa.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da fábrica abandonada em Coimbra.

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