Na cidade

A história do Cemitério dos Prazeres vai a ser contada em 3D pelo Duque de Palmela

Mariana Sousa criou uma experiência de realidade virtual num dos jardins de sepulturas e jazigos mais conhecidos do mundo.
Uma experiência virtual e imersiva.

Em Portugal, o turismo cemiterial, também conhecido como turismo negro está a tornar-se uma tendência e atrai cada vez mais pessoas. Leva-nos a lugares historicamente associados à morte e à tragédia, mas com um enorme património artístico e arquitetónico para explorar. Para uns, estes jardins de sepulturas são apenas lugares mórbidos, enquanto para outros são verdadeiros museus a céu aberto. É o caso do Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Construído em 1833, ocupa uma zona com mais de 12 hectares e, na lista de personalidades enterradas no local contam-se, entre outros nomes famosos, o ator Vasco Santana, Ofélia Queiroz (a única namorada conhecida de Fernando Pessoa), o poeta e pintos Mário Cesariny, o ator Raul Solnado e o político Mário Soares.

O espaço, que impressiona sobretudo pela dimensão, acolhe mais de sete mil jazigos, incluindo o do bem famoso Duque de Palmela — que é considerado o maior mausoléu privado da Europa. São precisamente o 1.º Duque de Palmela e a 3.ª Duquesa que, modelados em 3D, contam a história da sua família e do Cemitério dos Prazeres, sendo os protagonistas de um projeto inovador desenvolvido por uma aluna portuguesa. Mariana Sousa tem 25 anos e desenhou uma proposta de realidade virtual em cemitérios no âmbito da tese de mestrado em Design de Interação da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, em conjunto com o Laboratório de Dados Urbanos de Lisboa. Apresentado numa conferência da Câmara Municipal de Lisboa em julho, o grande objetivo do projeto é oferecer uma visita virtual imersiva e interativa ao jazigo dos Duques de Palmela para dar a conhecer, de uma forma inédita, este património “invisível” e desconhecido.

“Sempre tive muito gosto em promover o património, nomeadamente o português, e ainda há muito a fazer. Já tinha desenhado alguns projetos relacionados com artesanato e património e, quando estava a fazer a minha tese de mestrado, surgiu uma proposta da câmara para me focar no património cemiterial”, conta à NiT.

Quando fez a primeira visita ao Cemitério dos Prazeres, admite que ficou impressionada com a quantidade de jazigos, sobretudo com o dos Duques de Palmela, e pensou: “Tenho de fazer algo aqui porque é o maior da Europa e está ali tão fechado”.

Assim, decidiu “associar o antigo ao novo” e começou a criar uma experiência em realidade virtual para que as pessoas se envolvessem com a história do local. Para tornar a narrativa ainda mais interessante, escolheu duas grandes figuras da família Palmela para acompanhar a experiência virtual e imersiva do utilizador: o 1.º Duque de Palmela e a 3.ª Duquesa de Palmela.

“Para que a história e a vivência do local fosse o mais real possível e mostrasse cada pormenor do jazigo, foram adquiridas imagens em 360 graus do local, tiradas com recurso a uma câmara específica para esse trabalho”, explica Mariana. 

São os dois membros da família Palmela que narram e acompanham toda a história, que está dividida em 26 cenas e tem uma duração de cerca de 15 minutos. “Assim, o utilizador consegue ser transportado para o local, como se estivesse lá, sem lhe retirar qualquer tipo de pormenor e importância, mas aumentando a sua experiência de forma interativa”, refere.

Durante a visita virtual, os utilizadores têm de responder a várias questões para passarem à próxima cena e ir descobrindo aos poucos tudo sobre o local. Ao contrário do que acontece noutros conceitos que recorrem a realidade virtual, aqui não será necessário nenhum comando: a interação é feita através do olhar. 

Logo na primeira cena, por exemplo, a experiência leva-nos para dentro de um portal. Já na terceira parte, após a resposta correta a uma questão, é-nos apresentada a história da simbologia maçónica das escadas que dão acesso ao recinto do jazigo. É quase uma espécie de jogo, onde o utilizador tem de concluir vários desafios e objetivos para conseguir avançar e ficar a conhecer mais a narrativa e o local. 

“O meu objetivo com este projeto foi dar a conhecer um património em Portugal que é muitas vezes esquecido. Esta experiência de realidade virtual pode ajudar os miúdos, ou outras pessoas que não conhecem a história, a serem levadas para outra época e a perceberem a relação entre o presente e o passado”, evidencia a autora.

Embora esteja ainda em fase de projeto, a ideia é disponibilizar a experiência online, para que todos possam conhecer este lugar único em Lisboa sem precisarem de se deslocar, ou até mesmo criar uma sala no Cemitério dos Prazeres destinada à realidade virtual, de forma a complementar a visita guiada.

Se ficou interessado em conhecer mais sobre o projeto, carregue na galeria para conhecer algumas das cenas criadas por Mariana Sousa.  

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