“A limpeza de Portugal começa aqui”. Foi assim que Bordalo II, nome artístico de Artur Bordalo, anunciou, através de uma publicação no Instagram, a mais nova instalação em Lisboa, junto à Praça do Martim Moniz.
A nova obra foi feita numa casa de banho portátil, coberta com vários stickers do Chega, partido liderado por André Ventura. A instalação surge a poucos dias das Eleições Presidenciais, marcadas para este domingo, 18 de janeiro.
Na publicação, Bordalo II também partilhou um parágrafo escrito pelo projeto “Jovem Conservador de Direita” (JCD), uma personagem de ficção criada por Sérgio Duarte e Bruno Henriques, que satiriza, através de textos originais, o conservadorismo e a política portuguesa.
“Libertaremos o indesejável que temos dentro de nós para podermos depois libertar o país de indesejáveis. Já não dá para sair à rua, parece que já nem estamos na nossa terra! Estamos cada vez mais rodeados por bandidos e criminosos. Muitos deles envolvidos em pedofilia, branqueamento de capitais e até furto de malas”, lê-se na publicação.
O texto continua: “Ao contrário dos imigrantes, não gostam de trabalhar: preferem atrapalhar o trânsito para gravar tiktoks ou passar à frente nas filas dos hospitais com ataques de azia provocados pela presença de câmaras. Andam a mamar dinheiro dos contribuintes e, em vez de fazerem aquilo para que são pagos, passam os seus dias de trabalho a grunhir e a perturbar o funcionamento das instituições democráticas. Não conseguem adaptar-se à nossa cultura e poluem a via pública com os seus símbolos religiosos: é impossível passar por uma rotunda e não ver a imagem do seu profeta acompanhado de slogans ridículos para disfarçar o facto de não terem ideias para o país.”
No anterior, o artista fez ainda questão de recriar marcas de fezes nas paredes e na própria sanita. Os papéis higiénicos, por sua vez, foram estampados com a cara de André Ventura — algumas partes estão a sair diretamente da sanita.
A localização da obra, no Martim Moniz, também não deixa de ser curiosa. A região é a casa de uma grande comunidade de asiáticos, sobretudo indianos, nepaleses e bengalis — um dos grupos mais atacados pelo líder do Chega.
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