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A pior notícia possível: Amazónia já emite mais carbono do que absorve

Estudo aponta para inversão inédita registada na última década na floresta brasileira devido às alterações climáticas.
Situação merece atenção

A Amazónia está a produzir mais carbono do que aquele que consome, segundo um estudo científico revelao na última quinta-feira, 29 de abril. De acordo com o documento “Carbon loss from forest degradation exceeds that from deforestation in the Brazilian Amazon”, publicado na revista “Nature”, entre 2010 e 2019, as perdas de carbono foram 18% superiores aos ganhos.

Esta análise foi realizada apenas à parte brasileira da Amazónia, que representa mais de metade da floresta, apesar de se dividir por outros países como Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana Francesa e Equador.

“É a primeira vez que vejo números que mostram uma inversão e que a Amazónia brasileira é emissora” de carbono, disse o investigador do Instituto Nacional de Pesquisa para a Agricultura, Alimentação e o Meio Ambiente de França, Jean-Pierre Wigneron.

Isto quer dizer também que “o conjunto da Amazónia ainda não sofreu essa mudança, mas poderia sofrer em breve” porque os outros países compensam as perdas do lado brasileiro. Ainda assim, é preciso encarar as florestas tropicais como a “última salvação” do planeta.

Contrariamente ao que se possa pensar, não é a desflorestação a principal causadora deste fenómeno, mas sim a degradação da floresta. Esta pode ser provocada por causas tão diversas como secas, ou incêndios, por exemplo.

As degradações da floresta contribuíram em 73% para as perdas de carbono, contra 27% no caso da desflorestação, que apesar de ser muito alta na parte brasileira da Amazónia não tem tanto impacto como se julgaria, perceberam os investigadores.

“Todos sabemos o impacto da desflorestação da Amazónia na mudança climática. Mas o nosso estudo mostra que as emissões associadas às degradações das florestas podem ser ainda maiores”, defende outro autor do estudo, Steph Sitch, da Universidade britânica de Exeter.

Os investigadores ponderam dar continuidade ao estudo, uma vez que perceberam que fatores como uma forte seca e a entrada de Bolsonaro para o governo brasileiro podem ter alguma influência naquilo que serão os dados desde 2019.

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