Na cidade

A piscina natural com uma cascata que esconde “tesouros” com milhões de anos

As rochas graníticas que rodeiam a praia fluvial do Pego, em Penha Garcia, estão pejados de icnofósseis.
Um paraíso escondido entre as montanhas.

Um pequeno paraíso escondido entre as montanhas, um local mágico para passear e um oásis no meio da natureza. Os elogios à Praia Fluvial do Pego, também conhecida como Piscina Natural do Pego, em Penha Garcia, multiplicam-se — e não é difícil perceber porquê.

Construída sobre rochas graníticas, a pequena aldeia no concelho de Idanha-a-Nova (Castelo Branco), com 750 habitantes, é um dos ex-libris da Beira Baixa. Está repleta de vestígios romanos e pré-históricos, com origens “que se perdem no tempo”, refere o município. O que não se perde, por outro lado, são as paisagens naturais que ainda hoje encantam os que lá passam.

A zona balnear do Pego destaca-se pelo seu ambiente natural, rodeado por um valioso património geológico, inserido no Geopark Naturtejo. As rochas graníticas presentes nesta área contêm fósseis de trilobites com cerca de 480 milhões de anos.

O açude, abastecido pelas águas da barragem que retêm o rio Pônsul, forma uma piscina natural de águas cristalinas, limitada por muros. A cascata, com cerca de seis metros de altura, compõe o cenário, tornando-o mais atrativo para os aventureiros que se atrevem a saltar da queda de água.

A piscina tem diferentes profundidades, sendo a mais baixa com cerca de 50 centímetros, ideal para famílias com miúdos pequenos. A água, exposta ao sol, não é muito fria, tornando o local mais convidativo. E ao redor da represa existem várias árvores que oferecem sombra todo o dia.

Apesar da paisagem natural, a intervenção humana no espaço é evidente — nas escadas de pedra que dão acesso à piscina, bancos e um pequeno deck de madeira. O fundo da lagoa foi revestido com pedras e cimento, e foram acrescentadas boias com formato de trilobites, em homenagem aos animais pré-históricos que ali habitaram no passado.

A zona balnear, situada no fundo de um vale escarpado, está bem cuidada, decorada com vasos de barro e de madeira, mas não há bar ou casas de banho no local. “A ausência de infraestruturas que caracterizam uma praia fluvial oficial é claramente compensada pela excelente qualidade da água e por uma paisagem tão imponente como as rochas que a sustêm”, sublinha o Guia das Praias Fluviais.

Junto à zona balnear pode ainda seguir pela Rota dos Fósseis, um percurso circular de três quilómetros que conduz pelo impressionante geomonumento do Geopark Naturtejo, o Parque Icnológico de Penha Garcia. O trilho percorre estruturas geomorfológicas e exemplares raros de fósseis da atividade das trilobites, e passa ainda pelos moinhos, centro da aldeia, castelo e igreja matriz, com a sua imagem de Nossa Senhora do Leite.

O que se encontra nas rochas de Penha Garcia, na verdade, são icnofósseis, vestígios da presença de fósseis. São o rasto deixados pelas espécies pré-históricas quando procuravam alimento no fundo marinho. Por terem o aspeto de cobras, são muitas vezes apelidadas “cobras pintadas”.

Além dos mergulhos e dos passeios junto aos fósseis, também é possível caminhar até à barragem do parque e descobrir os moinhos que estão espalhados pelas encostas, recuperados recentemente.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da praia fluvial do Pego.

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