Assim que João Chalupa descobriu uma quinta abandonada com um túnel subterrâneo em Águeda, sabia que tinha de ir conhecê-la. Em abril, durante uma viagem ao distrito de Aveiro, o criador de conteúdos decidiu explorá-la de uma ponta a outra.
“Comecei a estudar a história do sítio e foi a parte mais interessante, porque não gosto de entrar só porque sim. Gosto de perceber quem é que viveu ali e o que aconteceu”, começa por contar à NiT o também atleta de 33 anos, natural de Sines.
Quando lá chegou, a primeira sensação que teve foi a tristeza de ver o estado em que a propriedade se encontrava. No interior, já não há móveis, nem decorações, como quadros e candeeiros. Segundo João, tudo o que havia acabou roubado por pessoas que visitaram a quinta ao longo dos últimos anos.
“Apesar dos telhados terem caído em algumas zonas, a estrutura ainda está bem conservada”, refere, acrescentando que o terreno é composto por várias construções. “Há vários edifícios no terreno, como um castelo com uma escada aos círculos, que foi feita pelo antigo proprietário para a mulher conseguir ver toda a quinta do topo”.
A maior surpresa, porém, é o túnel subterrâneo. Assim que o encontrou, João decidiu percorrê-lo por completo — não sabe qual a sua extensão, mas garante que demorou 20 minutos até chegar ao outro lado. “Vai-se por baixo da terra e anda-se imenso”, conta. No final, há uma gruta que está atualmente inundada, segundo João.
“Não é uma coisa para qualquer pessoa lá ir. É preciso ter coragem”, diz. Até porque não é um percurso fácil. Além de extremamente estreito, há certas partes do túnel onde é preciso andar agachado e muitas zonas têm o piso molhado.
É semelhante à Quinta da Regaleira
O terreno pertenceu a José Rodrigues de Sucena, conhecido como Conde de Sucena, que emigrou para o Brasil em 1867. Acabou por criar uma enorme riqueza no país latino-americano a vender materiais religiosos, como santos. Quando regressou a Portugal, decidiu construir uma propriedade imponente.
“Quando começou a fazer fortuna, criou uma empresa de vestuário e começou a vender roupa também”, explica João. “Foi dos poucos portugueses que conseguiu ter um contacto próximo com o Papa da altura, porque investia muito na religião e doava muita coisa à igreja.”
A quinta em Águeda, na região onde nasce, foi construída ao longo da década de 1870. Destacou-se sempre pelos dois pisos principais e uma torre central, com um relógio oferecido pelo próprio rei D. Carlos I. Atualmente, apesar de estar num estado de abandono avançado, a propriedade é utilizada por uma equipa de airsoft da região. Por esta razão, João explica que tende a estar sempre protegida.
“Ele mandou construir várias coisas dentro de Águeda, incluindo o primeiro hospital da região que ainda hoje funciona”, partilha. “Quando construiu esta quinta, foi muito baseada nas construções daquela altura. Faz lembrar a Quinta da Regaleira, mas é mais pequena.”
O túnel de Águeda é mesmo “muito semelhante” ao da Quinta da Regaleira. A única diferença, segundo João, é que a propriedade em Sintra foi “remodelada para receber turistas.”
“A gruta também é igual porque é toda feita por humanos. Aquelas estalagmites e estalactites que se vêem no meu vídeo são falsas, feitas em cimento e argamassa”, refere. “Mas está mesmo espetacular”.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da quinta esquecida em Águeda.








