Na cidade

A refugiada ucraniana que não consegue encontrar casa em Portugal porque tem um cão

A Dobermann Helga "é como uma filha" e abandoná-la não é uma opção para Diana Braslava-Piasetska que procura um lar em Lisboa.
São vários os ucranianos que fogem com os animais.

Desde o início da invasão russa à Ucrânia que as fotografias dos refugiados que fogem da guerra invadiram a todos os cantos da internet. Muitas vezes, vemo-los acompanhados por animais como cães, gatos e até esquilos. Diana Braslava-Piasetska fugiu de Lviv (na Ucrânia) logo no segundo dia da ofensiva. Decidiu não partir sozinha, levando consigo a sua cadela Helga, que “é como uma filha”, conta à “CNN Portugal”.

Ao contrário de muitos outros, Diana não teve de deixar para trás o emprego. A mulher de 29 anos trabalha numa empresa tecnológica, o que lhe oferece a possibilidade de trabalhar remotamente. “Estamos em guerra, não podemos perder a nossa única fonte de rendimento”, explica. Essa, porém, não é a sua maior preocupação.

Após abandonar o seu país natal, foi acolhida na Polónia. Embora tenha sentido a ternura do povo polaco, também sentiu a discriminação que sofria por ter consigo um animal. “Durante o caminho tive mães a gritar ‘o meu filho é mais importante! O teu cão não é importante, porque é que o trouxeste? É muito desnecessário, podes abandoná-lo!’ Eu percebo, mas para mim a minha cadela é como uma filha”, recorda.

Conta que quando estava a fugir de Lviv, quase todos os mantimentos que tinha na mochila eram para a sua cadela Dobermann, como comida e medicamentos. Para si mesma, apenas trouxe dois pares de calças e duas T-shirts. “Estava mais preocupada com ela do que comigo.”

A viagem para Lisboa, onde estão há nove dias, não foi fácil — especialmente para Helga, que teve de ser sedada para que se acalmasse. O percurso foi feito numa transportadora, mas foram acompanhadas por uma veterinária que as foi ajudando.

Agora que chegou à capital portuguesa, a maior dificuldade tem sido encontrar uma casa onde aceitem um cão de grande porte. “Assim que sabem que é uma Dobermann, dizem ‘ah não, ela é grande, desculpa, não te conseguimos ajudar'”, relata à mesma publicação. Atualmente, o seu principal objetivo é encontrar um lugar onde possa viver com Helga, a sua companheira canina.

O problema de Diana Braslava-Piasetska não é um caso isolado. O Núcleo de Intervenção e Resgate Animal recebe diariamente dezenas de mensagens de famílias ucranianas que veem a possibilidade de viajarem para Portugal em risco pelo simples facto de terem consigo animais de estimação.

Alguns membros do Núcleo já rumaram à Polónia para trazerem refugiados com animais. “A prioridade é transportar as pessoas. Se existem pessoas que ficam para trás, correndo o risco de serem mortas porque não abandonam os seus animais de companhia tem que haver uma alternativa para elas”, defende Tomás Pires, presidente da Direção do Núcleo de Intervenção e Resgate Animal. 

Os pedidos de ajuda continuam a chegar, o que os levou a planear uma nova viagem a Lviv. Desta vez vão levar também mantimentos para abrigos que estejam a cuidar de animais. Esperam conseguir trazer 45 pessoas e 15 animais de estimação para Portugal.

 

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