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A Route 66 portuguesa já faz 76 anos — e continua a ser o melhor roteiro do País

A famosa Estrada Nacional 2 atravessa Portugal. Saiba por que é uma escolha perfeita para visitar em 2021.
Foto do Instagram de FogeComigo.

Esta terça-feira, 11 de maio, a Route 66 portuguesa — como é carinhosamente apelidada a Estrada Nacional 2 — faz 76 anos. São quase oito décadas da estrada mais mítica do País, mas cuja atenção mediática, e até de visitantes, é um fenómeno relativamente recente. 

“Faz anos a nova luz e a nova vida do turismo em Portugal”, explica no seu Facebook a Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 (AMREN2 ). A AMREN2 é uma das grandes responsáveis por este sucesso e atenção nos últimos anos. Sempre houve pessoas em Portugal a conhecer e a percorrer a EN2, mas recentemente começou a ser recomendada no programa “Good Morning America”, nos Estados Unidos, e em várias publicações internacionais. Ganhou guias, um passaporte, roteiros de hotéis, de localidades, de alojamentos recomendados e de restaurantes.

Muito disto é trabalho da associação. Foi criada em 2016, com a união dos vários municípios que são atravessados pela estrada e objetivos comuns: a sua valorização e promoção, a criação de riqueza e valorização das pessoas dentro dos territórios atravessados pela N2, assim como o desenvolvimento turístico e a promoção económica e cultural dos municípios.

A associação foi também pensada para concretizar a geminação da EN2, que liga Chaves a Faro, com a Route 66, nos Estados Unidos da América (EUA), e a Ruta 40, na Argentina.

Num projeto inédito e transregional pretendeu-se no fundo criar uma identidade na estrada, torná-la um percurso turístico à escala internacional, e combater a desertificação dos concelhos do interior.

Quando tudo estava a avançar tal como planeado, aconteceu a pandemia. Mas nem isso travou a EN 2. Pelo contrário: as road trips, as caravanas, as viagens solitárias ou em família, estrada fora, à descoberta, pareceram ganhar ainda mais força e sentido com tudo o que aconteceu.

A AMREN2 concorda. “Com uma oferta de produtos e locais menos massivos, diferenciadores, sustentáveis, seguros e extraordinários, a Rota da Estrada Nacional 2 vai de encontro às novas tendências de turismo, afirmando-se como um destino seguro”, explica fonte da associação. 

Este mês esta entidade vai lançar, como tem feito regularmente, um novo conjunto de ações com o objetivo de consolidar a marca e a imagem do destino, reforçar ou gerar notoriedade e “projetar os 35 concelhos atravessados pela mítica Estrada”, adianta a mesma.

Além de uma campanha promocional onde se pretende demonstrar a singularidade e a essência que o turista pode encontrar ao longo da Nacional 2, estão também já identificados cerca de 1500 estabelecimentos com o selo Clean & Safe, bem como 650 parceiros que serão devidamente reconhecidos e aconselhados pela AMREN2. “A Rede de Agentes está em constante evolução e cumpre um conjunto de requisitos que permite garantir um serviço distinto a todos os que queiram percorrer e descobrir Portugal de Norte a Sul”, acrescenta ainda o mesmo responsável.

Segundo o presidente da associação, Luís Machado não há dúvidas; o ano 2021 “será o ano de afirmação para a Rota, como um destino diferente e diferenciador que permite a criação de riqueza para todos os habitantes da Estrada Nacional 2”, frisa à NiT.

As condições já estão criadas, com a N2 a ser cada vez mais conhecida, nacional e internacionalmente, como uma oferta turística “de qualidade, sustentável e de segurança”.

Luís Machado adianta-nos mais uma novidade: “além da solidificação da marca e do produto turístico e da dinamização da Rede de Agentes, está prevista até ao final do ano a colocação da sinalização em toda a Rota da Estrada Nacional 2”.

A mais mítica das estradas

Se ainda não conhece os mais de 700 quilómetros da estrada que liga Trás-os-Montes ao Algarve, é melhor apressar-se. A histórica via atravessa quatro serras, 11 distritos e 11 rios. São no total 739,26 quilómetros entre Chaves e Faro, tornando–a, de entre as estradas com as suas características, numa das mais longas do mundo .

Depois de anos a ser apelidada como Route 66 portuguesa esta via, outrora com partes e marcos abandonados tem, nos últimos anos caminhado para se tornar num ícone turístico à escala mundial, para o qual tem aliás todo o potencial: com guias, mapas, marcos, imagem própria e promoção internacional.

Em 2018 deu-se um grande passo neste sentido, ao ser criado o “Passaporte EN2”. O documento é uma edição precisamente da AMREN2 e pretende incentivar turistas nacionais e estrangeiros a percorrer a estrada, juntando recordações e marcos importantes. Foi posto à venda nos postos de turismo e câmaras municipais dos municípios aderentes, ou através do e-mail geral@nullrotan2.pt.

Recentemente chegou uma app, criada por estudantes portugueses. Um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra, pertencentes à Licenciatura em Engenharia Informática, entrou em contacto com a Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 e desenvolveu uma aplicação sobre a N2 com finalidade académica.

O objetivo desta aplicação, totalmente gratuita, é também o de dinamizar a Rota da Estrada Nacional 2, associando o conteúdo existente e complementando-o com novas ideias, como por exemplo o passaporte digital. O que quer dizer que passa a poder “carimbar” digitalmente os municípios atravessados na rota, assim como a encontrar informações úteis sobre a mesma, à distância de uma app. A aplicação está disponível desde o início de janeiro e não tem qualquer custo para o utilizador. Pode ser encontrada na playstore, e depois de instalada os QRCodes’s estão disponíveis nos locais indicados ao longo da Estrada Nacional 2.

A estrada começou a construída em finais do século XIX e foi classificada em 1945, mas várias partes já seriam passagens romanas antes do século XIX. Os troços foram sendo melhorados até se criar a EN2 e há um que é mesmo protegido: a parte que liga Almodôvar a São Brás de Alportel foi classificada como Estrada Património em 2003, por reconhecimento do valor histórico da via e património envolvente.

Tecnicamente, faz-se de norte a sul: o quilómetro zero é em Chaves. No seu início visita-se, além de Chaves e do Parque Natural de Vidago, Vila Real e o Alto Douro vinhateiro. Segue-se para Lamego, Castro Daire, Viseu, Tondela, Santa Comba Dão.

E chegam-se às paisagens verdes de Penacova, Vila Nova de Poiares, Vila Nova do Ceira, Góis. Depois, ainda há concelhos como Pedrógão Pequeno, Sertã, Abrantes, Montemor, Aljustrel, até chegar ao Algarve e à sua paisagem completamente distinta do ponto de partida. As cidades de partida e chegada da estrada já chegaram a revelar interesse em criar dois museus, um em cada ponta, para dar a conhecer a sua história.

Há várias maneiras de a percorrer: de carro, moto, até de bicicleta. Se quiser alugar uma autocaravana, poderá recorrer a empresas como a Indie CampersCampervan Portugal ou a Campilider. Pode também usar o serviço de aluguer de autocaravanas entre particulares, Yescapa, uma espécie de Airbnb destes veículos.

Recentemente, a Momondo, plataforma de pesquisas que compara preços de voos, hotéis e carros de aluguer, criou um roteiro pela incrível EN2, de autocaravana, durante nove dias.

Carregue na galeria para conhecer tudo o que não pode perder em cada paragem da EN2, segundo o motor de pesquisa de viagens.

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